Especialistas defendem que exercício não é influente na luta contra a obesidade

Fat man with a big belly.

Três especialistas assinaram um editorial no prestigiante «British Journal of Sports Medicine» no qual defendem que a atividade física tem uma pequena responsabilidade na sempre complicada e extenuante luta contra a obesidade.

 

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Segundo Aseem Malhotra1, Timothy Noakes e Stephen D. Phinney, que assinam o texto, é necessário terminar de vez com o mito de que o exercício é benéfico para a luta contra a obesidade, um mito criado, segundo os próprios, pela indústria alimentar, que utiliza táticas semelhantes as que utilizou a indústria do tabaco no passado, já que encoraja a prática das atividades físicas como modo de neutralizar o impacto da alimentação nada saudável dos tempos modernos.

O texto começa com os três a recordarem um recente relatório da Academy of Medical Royal Colleges do Reino Unido, que considerou a realização de 30 minutos de exercício moderado, cinco vezes por semana, uma «cura milagrosa», «mais poderosa do que muitos medicamentos administrados para a prevenção de doenças crónicas», uma «cura» capaz de reduz significativamente o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 2, a demência e alguns tipos de cancro em pelo menos 30%.

«No entanto, a atividade física não promove a perda de peso», salientam.

Aseem Malhotra, Timothy Noakes e Stephen D. Phinney referem que a má alimentação dos nossos dias, muito devido ao excesso de açúcares e carboidratos no topo da pirâmide, é o principal foco negativo da obesidade, algo que provoca mais problemas do que a inatividade física, o álcool e o tabaco juntos. E vão inclusive mais longe…

«Até 40% das pessoas com um IMC normal irá ter anormalidades metabólicas tipicamente associadas à obesidade, que incluem a hipertensão, a dislipidemia, a doença hepática gordurosa não-alcoólica ou a doença cardiovascular.»

Os três especialistas referem que o público em geral é “atacado” por mensagens de que a manutenção do “peso ideal” deve ser feita através da contagem de calorias e de que a obesidade é combatida através do exercício físico, ideias promovidas essencialmente pela indústria alimentar.

 «A Coca-Cola, que gastou 3,3 bilhões de dólares em publicidade em 2013, promove a mensagem de que “todas as calorias contam”; associa os seus produtos com o desporto, o que sugere que é positivo consumir as suas bebidas desde que você pratique exercícios. No entanto, a ciência prova que isso é enganador e errado. O que é crucial é sabermos de onde as calorias são provenientes. As calorias dos açúcares promovem o armazenamento de gordura e aumentam o apetite. As calorias da gordura promovem a sensação de saciedade.»

Aseem Malhotra1, Timothy Noakes e Stephen D. Phinney apresentam ainda alguns recentes estudos que comprovam o que defendem, acusando as forças públicas e políticas de não atacarem o verdadeiro problema da obesidade, a alimentação errada da grande maioria da população. Segundo os mesmos, era obrigatório, por exemplo, taxar as bebidas açucaradas e proibir a publicidade do junk  food.

 «A associação de figuras públicas a bebidas açucaradas e a associação de junk food e desporto tem de acabar.»

Em resumo, Aseem Malhotra1, Timothy Noakes e Stephen D. Phinney não descartam por completo os exercícios físicos, mas defendem que a obesidade deve ser atacada de outro modo, principalmente por aquilo que comemos. Para os três especialistas, a ideia de que podemos comer o que quisermos desde que façamos alguma atividade física está totalmente errada.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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