Contra as bolhas e as assaduras, correr, correr…

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Chega hoje ao fim «A Semana “A Minha Primeira Vez”», com Hélder Lemos a concluir a sua narrativa sobre a Ehunmilak Ultra Trail, a sua primeira prova de 100 milhas. No final, além do orgulho por ter concluído os 160 km, o cruzar da meta com a bandeira de Portugal.

 

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O segmento até Luzzarusti (116 km) e, principalmente, o seguinte, de 14 km (que levava a segunda base de vida), foi muito difícil pois os pés começaram a ficar com bolhas e as assaduras estavam a ficar pior. Nem a vaselina ajudou! Este segmento era um carrossel de sobe e desce, com zonas com lama. Em outro estado iria adorar fazer esta parte, pois, apesar de zonas bastante fechadas pelas árvores, tinha belas paisagens.

Com dificuldades, cheguei à segunda base de vida já de noite. Sabia que não poderia continuar com os pés como estavam e tinha muitas horas até à hora limite de fecho da base. Decidi dormir 3 horas, principalmente para secar os pés. Depois o meu intuito era ir à enfermaria tratar das bolhas para depois seguir, mas já com sapatilhas novas.

Tomei banho, comi, bebi bem e fui para a zona de descanso, onde fiz mais uma massagem. Dormi, como desejava, as 3 horas. Acordei com os pés secos e pedi para me tratarem das bolhas. Antes de prosseguir ainda voltei a comer qualquer coisa.

Saí de madrugada e os primeiros metros foram marcados pela dificuldade nos pés. No entanto, e felizmente, depois ficou mais fácil. É verdade que doía, mas dava para aguentar.

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No segmento posterior entrei no Parque de Aizkorri e cheguei ao abastecimento seguinte (San Adrian – 138 km) ainda de noite. Depois tivemos uma subida técnica em pedra, onde atravessámos a montanha por um buraco, no qual se encontra uma capela. A subida é muito técnica e difícil e levou-nos ao ponto mais alto da prova, o cume de Aizkorri. Na subida começou também a nascer o dia e as paisagens que nos rodeavam eram incríveis. Coincidência ou não, cheguei ao topo mesmo no nascer do Sol, um momento que tive que registar em foto a partir de um ponto mais alto da montanha. Fiz um pequeno desvio do percurso, mas valeu a pena.

Segui depois para um sobe e desce técnico em pedra, onde se deslumbrava a paisagem dentro da montanha, com prados enormes verdes com ovelhas e cavalos. A prova continuou depois pelo meio dos prados até “rasgarmos” a montanha em mais uma pequena subida em pedra, para depois começar novamente uma descida.

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Senti-me muito bem, apesar das dores nos pés. Fiz bem a descida e cheguei ao abastecimento dos 150 km sem dificuldades.

O segmento seguinte foi maioritariamente a descer. As sensações eram as mesmas, pelo que o fiz sem qualquer dificuldade, atendendo ao estado em que me encontrava. Faltavam nesta altura 8 km para o fim. Ou seja, sabia nessa altura que iria conseguir terminar o desafio.

O segmento não era difícil, pelo que tentei correr sempre. Corri-os com o coração! Ao entrar em Beasin é impossível não correr até ao fim, recebendo todo o apoio daquele povo. E ainda fui acompanhado por uma criança de bicicleta durante o último quilómetro. Eles merecem aquele último esforço, senti-me como um herói.

Ao entrar no corredor antes de meta, coloquei a bandeira de fora e passei a meta.

A minha satisfação era enorme, tinha conseguido!

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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