Atleta transgénero deixa campeonato em polvorosa nos EUA

O campeonato universitário feminino de Atletismo dos Estados Unidos está envolto em polémica. E tudo porque Cece Telfer, atleta transgénero, acaba de conquistar o ceptro na prova de 400 m barreiras, arrasando a concorrência.

Estudante na Universidade Franklin Pierce, instituição privada situada no estado norte-americano de New Hampshire, Cece Telfer nasceu homem, com o nome de Craig Telfer. Sendo que, ainda com este nome e como homem, que começou a dedicar-se ao Atletismo, como velocista, embora sem quaisquer registos dignos de realce.

No entanto, já em 2018, Craig mudou de sexo e passou chamar-se Cece. Sendo que, com a mudança de género, veio também a mudança de adversários, com a velocista a passar, a partir daí, a disputar as provas femininas.

Já na condição de mulher, Cece Telfer passou a assumir papel de destaque no Atletismo universitário norte-americano, quebrando recordes atrás de recordes. Até que, no último domingo, acabou mesmo por sagrar-se campeã norte-americana desta espécie de divisão II do Atletismo dos EUA, na especialidade de 400 metros barreiras.

Título de Cece Telfer causa polémica

O título, porém, não foi entregue de ânimo leve, com as críticas quanto a uma suposta vantagem biológica de Cece a surgirem de várias direcções.

Resultado final da prova de Cece Telfer

Os críticos recordaram, de pronto, aqueles que são os regulamentos da NCAA, a federação que organiza as competições universitárias de Atletismo, e que, embora admitindo a participação de atletas transgénero nos campeonatos, exigem que estes tenham completado pelo menos um ano de tratamento hormonal de forma a atingirem um nível de testosterona aceitável para competir entre pares.

De resto, a polémica já chegou inclusivamente à família presidencial dos Estados Unidos, com o filho do presidente, Donald Trump Jr., a considerar a participação de Cece Telfer nos campeonatos universitários norte-americanos de atletismo feminino «uma grave injustiça contra jovens mulheres que treinam a vida inteira para atingir a excelência».

«Identifique-se como quiser […], mas toda esta situação vai muito além dessa necessidade de afirmação, sendo injusta para muitos», comentou, na sua conta de Twitter, Donald Trump Jr.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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