Agonia de Callum Hawkins na Maratona da Commonwealth Games causa polémica no Mundo da Corrida

O desfalecimento do escocês Callum Hawkins durante a Maratona da Commonwealth Games continua a causar enorme polémica no Mundo da Corrida. Ineficácia da organização e passividade do público são os temas mais abordados, mas os atletas, como é o caso de Ricardo Ribas, também querem ser ouvidos. 

Até então líder da Maratona, Hawkins “colapsou” aos 40 km, embora já tivesse sentido enormes dificuldades momentos antes, chegando inclusive a cair, o que aconteceu novamente no quadragésimo quilómetro. No entanto, desta vez, não encontrou forças para se levantar e continuar, pelo contrário.

Callum Hawkins collapses in Gold Coast marathon

Terrible image de Callum Hawkins (🇬🇧) ce matin au marathon des Jeux du Commonwealth. Pourtant en tête, il s'effondre de fatigue au 39e kilomètre 😱😱 (vidéo @TVNZ)

Publicado por RUN'IX em Domingo, 15 de Abril de 2018

No Mundo da Corrida, foram e continuam a ser várias as vozes que questionam a demora da intervenção médica, assim como o questionamento de agendar a Maratona para uma hora onde as temperaturas rondaram os 32 graus, muito devido as transmissões televisivas (o evento é realizado este ano na Austrália).

«Onde está a ajuda? Não pode estar à espera apenas na meta. Têm rádios (…) Finalmente chegou alguém. É vergonhoso», afirmou, durante a transmissão, o comentarista de desporto da BBC, Steve Cram.

Nas redes sociais também foi notório verificar os comentários da passividade dos espetadores, que, em vez de ajudarem Callum Hawkins , resolveram tirar fotos. Uma opinião partilhada pelo próprio organizador dos Commonwealth Games, Mark Peters.

«Fiquei preocupado pelo comportamento de um pequeno grupo de espectadores que preferiram tirar fotos em vez de ajudarem o atleta. Isso vai contra o espírito dos Jogos.»

Um juízo compartilhado por Chema Martínez, vice-campeão europeu da Maratona em 2010.
«Fiquei surpreendido com o imobilismo das pessoas. Acredito que o fizeram de boa-fé, por pensarem que poderiam trazer consequências ao atleta, mas o principal é a vida, a saúde. Ou seja, acredito que houve uma falta de celeridade, tanto da parte do público como da organização», afirmou o espanhol ao jornal Marca.

Ricardo Ribas pede mais atenção e cuidado para com os atletas

O jornal Marca também ouviu Jesús España, campeão da Europa nos 5.000 metros em 2006, que defendeu que é necessário olhar para o atleta.

«Fiquei indignado ao ver as imagens. Acredito que a prova deveria ter começado mais cedo. Há que regular as condições das provas, já que era uma Maratona de Alta Competição. A organização assumiu um risco desnecessário. São dois minutos agónicos em que temos de esquecer da corrida, a vitória passa para um terceiro plano.»

Callum Hawkins liderou a Maratona da Commonwealth Games até o km 40
Callum Hawkins liderou a Maratona da Commonwealth Games até o km 40

Mesmo parecer tem Ricardo Ribas, atleta que representou Portugal em várias provas internacionais, inclusive nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro do ano passado, por exemplo, onde a prova ficou marcada pelo forte calor.

«As entidades organizadoras deveriam ter mais atenção e muito mais cuidado com os principais protagonistas do espetáculo, que são os atletas. Não deveriam colocar os interesses das televisões/audiências e dos patrocinadores/dinheiro em primeiro lugar. Eles mandam, as organizações cedem e depois, infelizmente, acontecem tragédias. O meu objetivo, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, foi terminar sem entrar nesse colapso total.»

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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