«Barkley Marathon»: mais uma vitória da… montanha

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A Barkley Marathon (100 milhas/160 km, com 16.200 metros de desnível acumulado em cinco voltas de 32 kms. Tempo limite para cada volta: 12 horas), nos Estados Unidos, é uma prova de Ultra Trail que pode usar sem vergonha a já banal frase «A prova mais dura do mundo». Na edição deste ano, que terminou no domingo, mais uma vez nenhum corredor concluiu o percurso. No total saíram 40 atletas; no final, a linha da meta ficou imóvel até 2016! Surpresa? Aqui, terminar é a excepção e não a regra…

 

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Há uma lenda ao redor da Barkley Marathon, uma lenda que foi mais uma vez comprovada este ano, já que ninguém conseguiu completar o percurso deste Ultra Trail. Como já aconteceu por diversas vezes no passado, nenhum atleta completou as 100 milhas da prova. Uma tradição mantida em 2015: desde que criada, em 1986, somente 14 em 1000 corredores conseguiram cortar a linha da meta  (uma impressionante média de um finalista a cada dois anos…), nenhum deles uma mulher (a mais próxima foi Sue Johnston, que correu 66 milhas em 2001 – cerca de 106 km). O primeiro foi o britânico Mark Williams, em 1995, com o tempo de 59h28.

barAo contrário das suas congéneres europeias, como a Ultra Trail Mont Blanc ou a Ronda dels Cims, que apresentam distâncias semelhantes, aqui tudo é diferente. Temos por exemplo um desnível positivo e negativo que chega aos cerca de 16 mil metros (mais ou menos dois Everest…); a organização fornece a mínima informação sobre o percurso, que não está marcado (é essencial saber navegação, e só com um mapa e uma bússola); não há abastecimentos (os atletas têm de levar toda a alimentação, são completamente autónomos); os participantes devem arrancar páginas de livros deixados em pontos específicos do caminho, que comprovam que passaram pelos locais importantes do traçado; nem sempre há trilhos; são fornecidos apenas dois abastecimentos líquidos por volta…

«Não vens aqui para sair vitorioso, vens aqui para ser humilhado», afirmou um dos participantes.

De referir que, este ano, dos 40 ultra-maratonistas, dois conseguiram a proeza de concluírem a “Fun Run“, o que significa que percorreram pelo menos 60 milhas (três das cinco voltas), embora fora do horário estipulado.

A Barkley Marathon está inspirada na fuga de James Earl Ray. Após 54 horas a correr entre as montanhas do Park Frozen Head, no Tenesee, o assassino de Martin Luther King foi apanhado a apenas 14 quilómetros da prisão de onde tinha fugido.

Para participar na prova basta pagar 1,60 dólares. No entanto, não há uma página web com informações sobre o evento, a data da prova não é revelada e, para se inscrever, é necessário escrever uma carta a Cantrell a justificar a sua participação. O organizador, que acredita que todas as fontes de stress são positivas para o corredor, envia depois uma resposta a confirmar ou não a presença dos atletas, embora quem for escolhido terá de esperar muito pela resposta positiva, que surge numa única frase: «Prepara-te para os problemas.»

E a verdade é que este ano ninguém ouviu mais uma vez o conselho do criador desta invulgar prova.

«As montanhas ganharam mais uma vez. Estou satisfeito com o resultado. Este é um desafio entre os seres humanos e as montanhas», afirmou o organizador do evento, Gary Cantrell, à Bloomberg.

Veja aqui um documentário sobre a prova.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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