Anna Frost contra a realização do Campeonato do Mundo de Trail Running

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Nome grande do trail mundial, Anna Frost, da Nova Zelândia, é a mais nova baixa do Campeonato do Mundo de Trail Running (primeira vez com a participação portuguesa), prova organizada pela primeira vez pela Federação Internacional de Atletismo e a Associação Internacional de Trail Running, respetivamente a IAAF e a ITRA, uma organização conjunta que não agrada muitos dos principais atletas da modalidade. A polémica continua, com a prova agendada para sábado, em Annecy, França (85 quilómetros com 5.300 metros de ascensão total)…

 

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A controvérsia começou quando o gaulês François D’Haene, atual campeão do Ultra Trail World Tour, pediu na sua página oficial do Facebook para os atletas boicotarem o Campeonato do Mundo de Trail Running. Tudo por não concordar com a inclusão da IAAF na organização da prova, o que pode levar com que a modalidade se transforme em mais uma categoria do atletismo. O francês não concordava com uma série de mudanças previstas para o trail running, mudanças que poderão ser já vistas no Mundial, como, por exemplo, uma largada por tempos.

Agora é a vez de Frost também revelar a sua decisão, precisamente poucas horas antes da realização da prova. A atleta mostrou a sua insatisfação por certos parâmetros que as corridas de trail poderão ter no futuro. Frost pede inclusive na sua página do Facebook uma mobilização geral na linha da meta da prova técnica Maxi-Race, incluída nas provas do Mundial.

«Não estarei em uma das minhas provas favoritas, a Maxi-Race, porque não quero que a minha presença sirva de apoio ao movimento da IAAF no nosso desporto, que se converterá, de forma oficial, numa categoria do atletismo em agosto. Isso fará com que o trail se enquadre na filosofia da IAAF, abdicando dos valores criados entre toda a comunidade de corredores de montanha ao longo dos anos.»

De seguida, Frost deixou algumas questões, questões relacionadas com o presente Mundial:

«• Corre para formar parte desta comunidade, para poder partilhar a saída com os melhores do mundo? Eu também! Mas isso não acontece nesta corrida. Os corredores de elite começarão separados do resto do pelotão. Já não é uma carreira aberta»

Gosta da liberdade de participar em qualquer corrida que deseje? Eu também! Mas isso não acontece nesta corrida. Eu preciso de ser selecionada. Eu não posso correr pelas marcas que me apoiam. E, se o faço, e ainda mais consigo acabar no pódio… não poderei estar no pódio.»

frost1Frost lamenta ainda a alteração do trajeto, que considerava de «fabuloso», algo que não acontece agora. «Eles alteraram o percurso para que seja mais rápido, mais fácil e mais plano, sendo assim mais acessível. Isso é algo que não me inspira.»

A atleta da Nova Zelândia faz questão de mencionar que o Trail Running é «divertido» e que é uma modalidade «aberta» a todos, «nós somos livres e inspirados!»

No final, Frost pede um grito de revolta de todos:

«Partilha esta mensagem e deixa-nos ouvir a sua voz. Levanta-te contra a IAAF e vem para à linha de meta comigo, feliz. Quero ajudar a salvar o nosso desporto para as futuras gerações. E você?»

Comunicado de Anna Frost:

«I will not be at one of my favourite races – the Maxi-Race – because I do not want to support the IAAF movement in our sport.
The sport will officially become an international ‘athletic’ discipline at the IAAF conference in August and I believe that changes will be implemented to make trail running fit into the IAAF philosophy rather than following the values that our trail running community have created.

Don’t know what I am talking about? Here are some examples:

• You race to be part of a running community? To have an oportunity to line up with the best of the best? I do too! But that does not happen in this race. The elites will start seperatly to all of you. It is no longer an open race.

• You like the freedom to enter any trail race you want? I do too! But that does not happen in this race. I need to be selected. I can not race for the brand that supports me. And if I do, and I manage to get a podium finish time…I wont be on the podium.

Trail running is fun, we can share it with everyone from volunteers, supporters, family and friends. It is open, we are free and inspired!

Share this message and let us hear your voice. Stand up to the IAAF and come to the finish line happy with me. I want to save our sport for all future generations! Do you?!»

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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