A popularização das corridas de rua é ou não benéfica para a modalidade?

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Um dos organizadores da Corrida Popular da Costa Nova, José Henriques, do Atletas.net, abordou numa conversa com os CORREDORES ANÓNIMOS um tema que levanta alguma polémica. Afinal, a popularização das corridas de rua é ou não benéfica para a modalidade?

 

A Corrida Popular da Costa Nova sustenta o slogan «Os 10 km mais rápidos de Portugal». Questionámos José Henriques se isso não retiraria de certo modo a festa popular indissociável a uma corrida, o propalado “correr por prazer“, já que salienta acima de tudo o relógio antes do cariz social do running.

«Na minha opinião isso leva-nos a uma questão de fundo que tem que ver com a confusão do que é o running, tão em voga, e do que é o atletismo de competição. Embora semelhantes, são vertentes muito diferentes na sua essência e o reflexo disso mesmo é que se cresceu e muito na quantidade, mas a qualidade de resultados diminuiu bastante na última década. E uma das razões para esse efeito tem que ver precisamente com a forma como encaramos a corrida e como se banalizou o running, de forma, atrevo-me a dizer, prejudicial para a modalidade num certo sentido. Dito assim pode parecer chocante, mas a verdade é que existe, de forma generalizada, uma ideia errada do que é a corrida. A indústria e toda uma máquina de comunicação instalou-se à volta do fenómeno e hoje em dia há pessoas que se recusam a treinar se a cor da camisola não condizer com a das sapatilhas», refere José Henriques, que defende que, «acima de tudo, não há informação nem formação de técnicas de corrida ou métodos de treinos que possam alternar com o footing, que é o que a maioria dos praticantes de running se limita a fazer na esmagadora maioria dos casos. Correr por prazer sim, mas importa também que se treine por objetivos

E é para esses corredores “a sério” que também é destinada a Corrida Popular da Costa Nova, «um tipo de competição onde claramente se apela a que os atletas se superem e procurem bater o seu recorde pessoal na distância de 10 km. E acreditem: pode se tirar muito prazer quando se bate um recorde pessoal e é isso que procuramos também incutir com o evento, até como forma de motivação adicional».

Qual a sua opinião? Por ser um site aberto a todos, escreva para nós (mail@corredoresanonimos.pt) e mostre o que pensa. As dez melhores opiniões serão publicadas no nosso site. Não esqueça de referir o nome,  a idade e a distância que mais tem prazer em correr.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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