Sem estratégia para preparar uma Maratona? Veja este gráfico…

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Belino Coelho, diretor técnico da Elite Assessoria Esportiva, do Brasil, responsável pelo treino e orientação de mais de 150 atletas, continua a abordar o tema «Preparação para uma Maratona» (leia aqui a primeira e a segunda partes desta série»). O nosso especialista aborda hoje a importância do check-up médico, mas também apresenta uma periodização gráfica dos treinos do seu atleta, onde revela a estratégia que seguiu na preparação.

 

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Quem tem por objetivo correr uma maratona, um aspecto importante a ser observado e que apresenta um grau de importância elevado, não só pelo lado do planejamento do treino, mas também pela saúde e pela integridade física, é o check-up médico. Para treinar e competir para a Maratona de Blumenau com mais tranquilidade e segurança, o meu atleta foi orientado a passar por um (por vezes, o check-up é inviável para os corredores que não possuem patrocínio devido ao seu alto custo. No caso em concreto, foi feito parcerias para que o mesmo se tornasse viável).

Check-up realizado e recomendados:

• Ergoespirometria ou Lactacidemia
• Dobras Cutâneas
• Exames Laboratoriais ( sangue; Níveis de ferro, situação hormonal como por exemplo ( testosterona, cortisol, etc), fezes, e urina).
• Exames cardiológicos.

TESTES DE CONTROLES

Como o treinamento físico através da aplicação de estímulos específicos (cargas – intensidade ou volume) elevam a condição física do atleta, novas cargas precisam ser testadas. Uma maneira simples e barata de fazer isso é através da aplicação de Testes de Controles, cujos resultados nos darão um parecer sobre quais cargas deverão ser aplicadas para que o mesmo continue elevando a sua condição física.

Especificamente, os Testes de Controles que utilizo para determinar as cargas de intensidade são os seguintes:

• 5.000 metros de corrida contínua na máxima intensidade sem ajuda de “coelhos” para simular a situação real de treino (no Brasil, muitas vezes os atletas treinam sozinhos. Fazer o teste com a ajuda de “coelhos” poderá superestimar as cargas de treinos, levando esse corredor ao esforço extremo nos treinos com risco de ele não conseguir atingir as cargas sugeridas, o que pode o levar a frustração e a desmotivação). O objetivo é avaliar a resistência anaeróbia;
• 1.000 metros de corrida contínua na máxima intensidade, sem “coelhos’. O objetivo é avaliar a velocidade do atleta.

 

PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO

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Esse é um modelo de periodização gráfica que foi feita para o atleta para que houvesse controle total em relação as cargas de treinos aplicadas, mas também para que, no momento correto, ele pudesse chegar no ápice da sua condição física precisamente no dia da Maratona.

A cor roxa nas colunas representa o volume de treino, enquanto a cor verde representa a intensidade do treino. Podemos perceber que, quando o volume de treino é alto, a intensidade é baixa; e, quando o volume diminui, a intensidade cresce.

No início do treinamento (“Período Básico”), o volume de treino do atleta alcançou um pico de 220 km/semana, com uma média em torno de 160 km semanais dividido em dois períodos de treinos por dia, sendo que um dos treinos era realizado no período noturno, próximo ao horário da Maratona.

No período de “Preparação Especial”, o pico do volume ficou em 150 km semanais (com uma média semanal de 130 km), com a intensidade sendo maior em algumas semanas.

Depois da competição de 30 km, a qual o atleta venceu, partimos para a segunda parte da “Preparação Especial”. Nessa fase, o volume caiu novamente, sendo que o pico máximo foi de 140 km/semana (média de 120 km semanais, com a intensidade a crescer ainda mais. O objetivo foi fazer com que o atleta atinjisse o ápice da sua condição).

Podemos reparar que, dentro dessa periodização, existe semanas que são de recuperação, algumas destinadas a realização dos Testes de Controle e outras para a participação em competição com o intuito de avaliar o rendimento do atleta, testar as estratégias e, principalmente, analisar se o treinamento está a surtir efeito (além de fazer com que o atleta comece a entrar gradativamente em ritmo de competição).

Finalizado o período de “Preparação Especial”, entramos no “Período Competitivo”, que podemos chamar de um “ensaio” até a prova principal. Nessa fase houve uma estabilização do volume dos treinos, com alguns picos de intensidade. O objetivo nessa fase é fazer com que o atleta entre em ritmo de competição e, ao mesmo tempo, estimule a sua chegada ao ápice da sua condição física.

Nesse período, o atleta do nosso exemplo ficou em segundo lugar em uma Meia-maratona com o tempo de 1h07 e, nos 10 km, ficou em quarto lugar com o tempo de 30m50.

Após a realização da Maratona, o atleta entrou na “Fase de Transição”, o qual é destinado a recuperação, com a intensidade e o volume de treino a serem reduzidos.

Durante o treinamento e as competições, acabei por perceber que o meu atleta tinha uma grande deficiência, a mesma que fez com que ele perdesse por diversas vezes a primeira colocação nos quilômetros finais de algumas provas: infelizmente, ele oscilava muito o ritmo durante a prova e isso o fazia gastar mais energia, chegando, na parte final das corridas, em estado de fadiga, sem condições de brigar pela primeira colocação.

Como trabalhar essa deficiência em apenas cinco meses? Será que deu certo na Maratona? Afinal, qual foi o resultado obtido na Maratona? As respostas a estas perguntas serão dadas na próxima semana, com a última parte desta série.

 

  1. Este texto é escrito em português do Brasil
  2. Contatos:
    Mailbelino.coelho@eliteesportiva.com.br
    Telefone: +55 11 5518-3409
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Pedro Alves

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