Resistência ou intensidade, eis a questão!

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Treinar a resistência ou a intensidade? Focar mais em um ou no outro? Correr pouco mas forte ou muito mas mais “pausado”? Belino Coelho, diretor técnico da Elite Assessoria Esportiva, do Brasil, responsável pelo treino e orientação de mais de 150 atletas, aborda um tema que é crucial nos nossos dias.

 

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No artigo anterior (veja aqui) comentei que os treinos mais intensos queimam muito mais gordura do que os treinos de maior duração. E, atualmente, é possível perceber através da mídia a grande divulgação dos treinos de curta duração com alta intensidade para estimular o emagrecimento num curto espaço de tempo, visto que, realmente, os treinos intensos continuam queimando gordura algumas horas após o término da atividade. Baseado nessa informação, podemos concluir que a intensidade é melhor do que a resistência, certo? Ou não?…

Antes disso é necessário procurar entender um pouco o que é a resistência e o que é a intensidade na/para corrida.

Resistência é a capacidade do seu organismo resistir a uma determinada duração com uma determinada intensidade no exercício em questão. Por exemplo: numa Maratona, quem ganha? O mais resistente ou o mais veloz?

A grande maioria responderá que é o mais resistente, mas se respondeu que é o mais veloz, parabéns, acertou! Porém, os restantes não estarão totalmente errados, porque esse maratonista precisou desenvolver a sua resistência para conseguir suportar o ritmo veloz durante os 42,195 km.

Deste modo, podemos concluir que o atleta não é apenas veloz, é também resistente. Portanto, na competição em questão, ele foi o mais veloz entre todos os participantes em função da sua capacidade de resistir por mais tempo a uma determinada intensidade, mais alta que a dos rivais.

O treino voltado para a resistência caracteriza-se por ter um maior volume com uma determinada intensidade, respeitando sempre a condição física do atleta. Conforme o volume de treino sobe, a intensidade diminuiu. Com o decorrer do tempo, o atleta vai ficando mais resistente, conseguindo correr cada vez mais distâncias maiores com intensidade proporcional ao seu treinamento e condição.

O treino voltado para a resistência é assim importantíssimo porque funciona como uma espécie de poupança: aumenta a absorção de cálcio pelos ossos, tornando-os mais fortes; aumenta o tamanho do seu coração, permitindo o armazenamento e ejeção de um volume sanguíneo maior (ou seja, o coração precisará bater menos vezes para suprir as necessidades de oxigênio e nutrientes aos músculos e órgãos naquela determinada intensidade); aumenta o estoque de gordura no tecido muscular; torna a musculatura muito mais resistente, permitindo assim uma maior duração do exercício, etc.

Ou seja, o treino voltado para a resistência é o que dará ao atleta a base de treinamento para suportar os treinos mais intensos. No entanto, a condição do atleta deve ser sempre levada em consideração na prescrição dos treinos. Em excesso, o volume de treino poderá trazer efeitos negativos. Por exemplo, uma fratura por estresse.

Vejamos agora a intensidade, que, no caso da corrida, é a velocidade empregada de forma proporcional a distância que o atleta vai correr, sendo que essa velocidade será sempre superior à que costuma correr em distância maiores.

O treino de intensidade é importantíssimo porque ajuda a melhorar a condição cardiorrespiratória, a condição neural (nesse caso há uma melhoria da coordenação motora), a queimar mais gordura no pós-treino, a desenvolver a velocidade, por exemplo. Mas é também fundamental que o atleta atinja o seu ápice no período planejado.

Todavia, um dos efeitos negativos do treino de intensidade é que provoca o aumento do hormônio cortisol, que estimula a produção de energia através do catabolismo, que retira massa óssea e muscular para gerar energia. Como consequência, deixa o nosso corpo mais fraco e menos resistente. Por isso a importância da preparação, da construção da base antes de partir para os treinos intensos. É na base que o atleta terá aquilo que vai gastar quando iniciar os treinos mais intensos.

Portanto, durante todo o ciclo de treinamento o atleta deverá ter treinos voltados para a resistência e outros voltados para intensidade. A proporção de cada um será de acordo com o período do treinamento em que se encontra.

Podemos concluir assim que tanto a resistência quanto à intensidade têm o seu grau de importância dentro do treinamento e no desenvolvimento da condição física do atleta. Não é possível dizer que este ou aquele é melhor, mas que cada um tem uma ligação muito íntima com o outro.

É precisamente essa ligação que apresenta funções aptas de serem realizadas com segurança, proporcionando cada vez mais o seu aprimoramento, tendo como consequência a evolução do atleta na sua condição física como um todo.

 

  1. Este texto é escrito em português do Brasil
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Pedro Alves

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