Como regressar aos treinos após uma longa paragem

Regressar aos treinos após uma longa paragem, seja devido a uma lesão ou outro infortúnio pessoal, é problemático para muitos atletas, sejam eles amadores ou profissionais. No entanto, há estratégias que podemos seguir…

 

Um dos principais problemas no regresso aos treinos após uma longa paragem é, além do físico, o psicológico. Por isso, não é raro vermos atletas amadores impacientes, ansiosos por regressarem ao ritmo que apresentavam antes da inesperada interrupção. Essa situação provoca muitas vezes treinos mal elaborados e esforços indevidos, o que poderá provocar uma nova lesão, por exemplo.

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Portanto, a primeira medida a tomar aquando do nosso regresso é esquecer por completo a nossa anterior forma, ignorar qualquer tipo de comparação, já que é necessária uma progressão paulatina e… muita paciência.

O regresso aos treinos é assim um momento extremamente delicado a nível mental, principalmente por comprovarmos a desfasagem entre o nosso ex-ritmo e o atual. Não podemos também ignorar a perceção da fadiga, muito superior em relação ao que estávamos habituados, o que poderá causar o inevitável desânimo ou, o que é pior, o desejo de alcançar o mais rápido possível a anterior forma. Não podemos ignorar ainda que, quanto maior a idade, o tempo de recuperação é superior, muito devido a curva do declínio orgânico… Ou seja, o regresso após uma longa paragem é, definitivamente, um processo que deve ser olhado com bastante cuidado pelo atleta.

Estratégias para regressar aos treinos após uma longa paragem

Tendo em conta o pleno regresso, o melhor é esquecermos numa fase inicial os amigos e treinarmos sozinhos. Ao contrário do que aconteceu connosco, os nossos companheiros de treino não sofreram nenhuma paragem indesejada e portanto continuam em boa forma física, apresentando os mesmos ritmos do passado (senão superiores…). Na verdade, é fisiologicamente impossível e potencialmente prejudicial para os nossos propósitos de recuperação orgânica e psicológica procurarmos acompanhar o “pace” dos nossos amigos de corrida, algo totalmente impensável.

No regresso após lesão, há etapas que não podemos ignorar
No regresso após lesão, há etapas que não podemos ignorar

Como estamos fisicamente “fragilizados”, é necessário correr com calma nas semanas iniciais. Por exemplo, nas duas primeiras, o ideal é centrarmos a nossa atenção em sessões curtas, no máximo de 30 minutos, sendo 10 minutos de corrida e os restantes 20 de exercícios que envolvam todo o corpo.

Após as primeiras duas semanas, poderemos dividir a sessão em duas de 15 minutos, com um minuto de intervalo. No entanto, sempre a um ritmo confortável, sem forçar.

Após o primeiro mês de treino constante (três sessões semanais, no mínimo), podemos finalmente começar a inserir um treino intervalado ou fartlek, treinos preparatórios para a melhoria do limiar aeróbico.

Mas, para este trabalho de recuperação de um mês, é importante termos três estratégias em conta.

A primeira, e como já referido, é treinarmos sozinhos, evitando assim “desafios morais” com os nossos companheiros de sessões, mas também distrações e estímulos externos que potencialmente podem afetar negativamente o nosso humor ou alterar o objetivo do treino.

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É importante também deixar de lado o cronómetro, já que devemos “ouvir” o nosso ritmo e respiração, que de modo algum pode transmitir um elevado cansaço.  

Como última estratégia, também é necessário não “pularmos” etapas durante os primeiros 30 dias, cumprir com o planeado, não querer recuperar, em uma semana, uma paragem de dois, três ou oito meses de inatividade.

Resumindo: no primeiro mês após uma longa paragem, o segredo do nosso regresso é apenas um, retomar a familiaridade do corpo com a corrida, fazer com que o corpo “recorde” as boas sensações que sentia ao correr.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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