Ana Bravo oferece receitas sem glúten, sem lactose, sem ovo e sem açúcar

Há cada vez mais pessoas que sofrem de alguma intolerância alimentar ou mesmo alergia. No primeiro dia d´«A Semana “Sem culpa, com Sabor – Receitas saudáveis para todos”», a nutricionista Ana Bravo explica as razões da existência do seu mais recente livro, editado pela Arena, que oferece um amplo leque de receitas sem glúten, sem lactose, sem ovo e sem açúcar. Mas cheias de sabor!

 

Depois de escrever cinco livros que me permitiram expor, em parte, a minha posição no que respeita à nutrição e uma agenda que, além de organizar os dias, estimula um namoro constante connosco próprios, eis mais um projecto editorial que me apaixona. É um livro com a simplicidade dos sabores e cheiros da cozinha, que passa para o papel o tom intimista que uso sempre que escrevo. Procuro simplificar e transmitir mensagens de optimismo e de esperança, no sentido de ajudar a criar uma melhor relação de cada um com o seu corpo e o seu íntimo. Somos um todo, e – como sabem – pode demorar até encontrarmos o nosso equilíbrio, mas acho que ninguém duvida que passa necessariamente pela alimentação! Uma alimentação saudável, equilibrada e, claro, cheia de sabor é a base para a alegria e para a beleza que vêm de dentro de nós e estão interligadas. O título da minha agenda Gosto de Mim Todos os Dias tornou-se a hashtag que mais uso, porque realmente exterioriza o que quero fazer neste meu caminho como nutricionista: ajudar cada um a sentir-se saudável, confiante e feliz para viver cada dia com mais garra e plenitude. Talvez lhe pareça demasiado romântica esta minha introdução, mas gostava que percebesse o que me move, a mensagem que quero passar e quais as bases que estruturam, acima de tudo, a marca «Nutrição com Coração».

É fundamental saber como apresentar a nutrição, que evolui sempre alicerçada na ciência. É muito importante mostrar estudos e expor as últimas teorias. No entanto, escolhi a área clínica e não a investigação, porque me encanta a proximidade diária com as pessoas. Todos os meus livros, à excepção de Dieta: Um Modo de Vida, foram escritos como uma carta para os meus leitores/seguidores, onde, como em tudo na minha vida, não consigo dissociar a nutricionista da mulher.

Espero que este meu registo vos agrade e vos faça sentir em casa, porque é exactamente isso que a «Nutrição com Coração» é: a vossa casa, onde a hashtag #gostodemimtodososdias é usada por todos com sentimento de pertença puro.
E legítimo.

Vamos agora «Sem culpa, com Sabor – Receitas saudáveis para todos»

Muitas pessoas continuam a acreditar que comer bem exige dispor de longas horas livres. Comece desde já a desfazer-se dessa crença, porque está longe da verdade. Aliás, gostaria que este fosse o primeiro de uma série de livros da cozinha «Nutrição com Coração» a mostrar que cozinhar de forma saudável é rápido, simples e tantas vezes – ou quase sempre – mais barato.

O que parece que nos ajuda a ganhar tempo faz frequentemente o oposto: leva-nos a perder tempo… Tempo de vida!

Sim, eu sei, é difícil resistir a tantas tentações. A indústria alimentar põe à nossa disposição snacks coloridos, confortavelmente embalados e apetecíveis sob várias perspectivas, assim como refeições pré-cozinhadas, tão atraentes para o palato, sobretudo e também porque não sujam loiça, permitindo dispor de mais tempo livre. Porém, aquecer uma refeição pré-preparada ocupa-nos tanto tempo quanto cozinhar um ovo sem gordura numa frigideira antiaderente ou mesmo no microondas, ou aquecer o arroz ou a quinoa, ou até a sopa.

Claro que não devemos ser fundamentalistas. Há que encontrar formas de facilitar os nossos dias, mas não o façamos recorrendo a comida processada! Com a vida atribulada que temos, com o trânsito nas grandes cidades, sobretudo para quem tem filhos ou outros familiares a cargo, sobra pouco tempo para a cozinha. Fazer um belo assado ou cortar legumes miudinhos para uma juliana ou para um ratatouille é impensável… Encontremos, então, uma alternativa exequível. Não sugiro que compre legumes frescos diariamente, nem sequer que cozinhe o dito arroz ou quinoa ou outro acompanhamento todos os dias. Porque não o faz de dois em dois dias? Ou mesmo de três em três? E os legumes, porque não os coze – idealmente a vapor – e os conserva em doses, prontos para serem utilizados nos dias seguintes? Desta forma, poderá obter diferentes pratos e até mesmo preparar rapidamente marmitas. Para os exemplos que dei, bastará cozinhar a carne, o peixe ou os ovos, ou, se é vegetariano, reservar doses de uma leguminosa à sua escolha. Depois de preparar a fonte de proteína, junte-lhe a de hidratos de carbono, ou seja, o arroz ou a quinoa, por exemplo, e os hortícolas. E, voilá, tem o almoço pronto! Também o wok é uma óptima opção: carne ou peixe e legumes cortados em pedaços, uma colher de azeite por pessoa, uns salpicos de ervas aromáticas e terá o jantar pronto em minutos.

Não se esqueça de optar sempre por cozinhar em lume brando. Usar temperaturas altas poderá estragar o seu cozinhado, porque contribui para causar danos à saúde. Nunca é demais alertar: não permita que os alimentos se queimem, a parte carbonizada é cancerígena.

É de saúde que falo. Quer ganhar tempo de vida, certo? Tempo de qualidade, claro. Então, vamos a isso! Convença-se de que a cozinha «Nutrição com Coração» é simples e nem por isso deixa de surpreender com a sua variedade de sabores e texturas. E depois… Deixe-se apaixonar e viaje pelo mundo dos prazeres que dão saúde.

Se ainda não tentou, proponho-lhe o seguinte: guie-se pela escala que avalia o grau de dificuldade de cada receita e ponha em prática um dos pratos mais simples. Verá que se rende rapidamente.

Há também receitas, como a Mousse de Banana ou a Quiche sem Massa, que pode preparar com as suas crianças: elas vão adorar e começarão a ganhar gosto pela alimentação saudável.

Em cada receita encontrará um ou vários dos seguintes símbolos, que lhe darão a informação necessária para poder confeccioná-las com confiança, em função das suas intolerâncias ou alergias.

Desde o meu primeiro livro, A Dieta Viva!, que falo de «inadaptações alimentares». Trata-se de intolerâncias, reacções adversas a um ou a mais alimentos, acompanhadas de sintomas como enxaquecas, desarranjos intestinais, desconforto gástrico, alterações respiratórias e cutâneas, que interessa identificar. Estas reacções diferem das alergias alimentares por não serem mediadas por mecanismos imunológicos, traduzindo-se em sintomatologia menos exuberante em boa parte dos casos. Podem manifestar-se apenas com quantidades excessivas do alimento em questão ou com a sua frequência abusiva. As mais comuns são a intolerância ao glúten e à lactose, de que tanto se fala.

Deixo-lhe um conselho: quando for às compras, leia atentamente os rótulos. Prefira, por exemplo, os flocos de aveia com a indicação «sem glúten» e, nos produtos mais processados, leia toda a composição, por vezes alguns contêm vestígios de ovo, leite, soja, trigo ou frutos de casca rija.

Peço que tenha em consideração que, quando me refiro a açúcar, falo do açúcar de adição, refinado, cujos efeitos nefastos têm sido tão discutidos, e não dos açúcares naturalmente presentes nos alimentos.

Juntei o símbolo do ovo a esta lista para responder ao pedido de alguns seguidores. O ovo é um alimento muito interessante, a sua ingestão é ainda controversa, devido à grande variabilidade de reacções orgânicas das pessoas.

Conheçamos agora a cozinha «Nutrição com Coração», que passará a existir em sua casa. Já espreitou as páginas do interior deste livro? Têm fotografias, não editadas e sem quaisquer filtros, de pratos, sobremesas, petiscos e merendas que reflectem uma cozinha real. Não foram tiradas por um fotógrafo profissional precisamente para que tenha a percepção exacta do que conseguimos fazer numa cozinha como a sua.

Experimente e verá que é realmente fácil apaixonar-se!

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos