Problemas de saúde? Olhe para o tubo digestivo…

No segundo dia d´«A Semana da Digestão», Frank Laporte-Adamski , autor do livro «A Dieta Purificadora – Purificar os intestinos sem sacrifícios», editado pela Arena, aborda a solução para vários problemas de saúde, como otites, sinusites, asma, alergias, bronquites, dermatites, cistite, infecções urinárias, problemas durante a micção, pernas inchadas, etc.

 

 

Um cão que morde a cauda

O trânsito horizontal e o trânsito vertical dependem totalmente um do outro: se o fluxo vertical fica bloqueado, o horizontal também se ressente e vice-versa. É como um efeito dominó perpétuo! Quando o trânsito vertical é abrandado pela fermentação, as matérias ingeridas ficam depositadas ao longo do tubo; a acumulação de matérias tapa os furos destinados ao trânsito horizontal, impedindo o organismo de assimilar nutrimentos fundamentais e de eliminar toxinas nocivas. Os alimentos ingeridos são assim processados de forma cada vez mais lenta e difícil, até que o tubo digestivo fica completamente obstruído e o organismo envenenado. Não vale a pena estar com rodeios, um tubo digestivo em mau estado pode revelar-se um verdadeiro pesadelo! E, acima de tudo, pode acarretar consequências tão graves quanto inesperadas.

Todos os caminhos vão dar à casa de banho

Contado ninguém acredita. E, contudo, já está amplamente demonstrado que os problemas de funcionamento que nos afligem diariamente, até aqueles que, aparentemente, nada têm que ver com a digestão, são uma directa consequência de um tubo digestivo em mau estado.

Isto acontece porque o tubo digestivo representa a «saída» principal dos resíduos e, se funcionar mal, condiciona e sobrecarrega todas as outras partes do nosso corpo que, de alguma maneira, contribuem para a mesma função: refiro-me aos pulmões, à pele, às articulações, ao sistema urogenital e ao otorrinolaringológico.

Não devemos então ficar espantados se, além de provocar todos os problemas mais intimamente relacionados com a alimentação (como, por exemplo, distúrbios hepáticos, obesidade, obstipação, aerofagia e má circulação), o tubo digestivo obstruído for considerado culpado de problemáticas aparentemente distantes do seu «ambiente» mais próximo. De facto, uma má digestão está muitas vezes na base de distúrbios respiratórios, infecções urinárias, patologias articulatórias e dermatológicas. Sofre de sinusite, dores de estômago, artroses e má circulação? Antes de se entupir de comprimidos, experimente fazer a si mesmo uma pequena e simples pergunta: «Como vão as fezes?»

Um exemplo: a origem inesperada de uma dor de costas comum

Esta revelação dá-nos uma perspectiva elucidativa sobre a eficácia dos métodos comuns de tratamento dos distúrbios funcionais. A medicina clássica, de facto, tende a «agredir» o sintoma de um incómodo sem investigar as suas causas. Quantos dos caros leitores, por exemplo, sofrem de dores de costas e contracturas musculares que tornam penosa a mais simples das actividades? Não é uma boa sensação, tenho de admitir. É como viver com a espada de Démocles constantemente suspensa sobre a cabeça! Não sabe se e quando o ferirá; entretanto, mexe-se com cuidado e limita ao mínimo os esforços (expondo-se, além disso, ainda mais ao risco de contracturas). E porquê? Porque quando tenta tratar-se, o médico aconselha-o, na maior parte dos casos, a atenuar a dor com analgésicos e a submeter-se a sessões de cinesioterapia. Não me interprete mal, são certamente conselhos úteis para aliviar o incómodo, mas não lhe dão qualquer esperança de se libertar, de uma vez por todas, do sofrimento que umas costas em mau estado podem provocar. Qualquer dia pode ser aquele em que voltará a ficar bloqueado.

Na prática, quando se fala de problemáticas das costas, é fundamental ter em conta a sua relação com o tubo digestivo. Os doze metros do tubo não estão certamente suspensos no vazio, antes agarram-se em vários pontos à estrutura óssea, particularmente à coluna vertebral. É, assim, evidente que o mau funcionamento do tubo digestivo, que resulta muitas vezes no aumento do seu volume, exerce tensões e pressões sobre os ossos envolvidos. É como viver com uma mochila às costas que, dia após dia, se torna cada vez mais volumosa. Como poderiam as coisas não se ressentirem?

Um exemplo: o espantalho do colesterol

Outro exemplo muito eficaz dos danos provocados pelo mau funcionamento do tubo digestivo é dado pelas suas repercussões sobre a composição do sangue, sobretudo no que diz respeito ao tão discutido colesterol. Como certamente saberá, já há algum tempo que se fala muito das gorduras «boas» necessárias à saúde do organismo. Trata-se de gorduras de grandes propriedades benéficas que ingerimos através da alimentação. Mas quando as paredes do tubo digestivo estão obstruídas, as células não conseguem assimilar essas gorduras, por isso, são obrigadas a produzi-las sozinhas. Só é pena que a obstrução do tubo digestivo impeça também a destruição deste colesterol «autoproduzido», que assim se acumula em excesso, provocando uma hipercolesterolemia nociva.

Nesta altura, vai fazer análises ao sangue e o nível de colesterol está, obviamente, acima da média. O médico aconselha-o a seguir uma alimentação sem gorduras, que não resolverá nada, porque as células, ainda «órfãs» do mecanismo de assimilação, continuarão a produzir sozinhas o colesterol que não serão capazes de destruir. Não é possível tratar uma alteração da composição sanguínea se antes não se limpar o tubo digestivo e não se restabelecer a correcta regularidade de evacuação.

O sintoma fala de si

A relação entre o estado do tubo digestivo e a saúde física é de tal forma estreita e directa que, muitas vezes, basta avaliar os sintomas mais evidentes de um distúrbio para perceber exactamente em que ponto do sistema digestivo se criou a obstrução.

Vejamos o caso, por exemplo, dos repentinos acordares nocturnos que muitas pessoas imaginam serem causados pelo stress. Continua a acordar a meio da noite e, mal abre os olhos, as preocupações voltam a assaltá-lo. Um pesadelo de olhos abertos, que o leitor atribui imediatamente aos nervos acumulados durante o dia.

Mas o que lhe quero dizer é: antes de procurar as causas dessa insónia nos pensamentos que o afligem e o deixam nervoso, já se interrogou, simplesmente, o que comeu ao jantar? Um jantar a horas tardias, sobretudo se for composto por uma associação errada de alimentos lentos e rápidos, pode bloquear a digestão ao nível do duodeno, a primeira parte do intestino em que os alimentos ingeridos abrandam.

Explico melhor: idealmente, os alimentos deveriam chegar ao duodeno e aí deveriam ser irrigados pela bílis produzida pelo fígado, que ajuda o trânsito digestivo. Mas quando se cria um depósito de alimentos no duodeno, o colédoco (ou melhor, o canal através do qual a vesícula biliar «derrama» no duodeno a bílis produzida pelo fígado) fica obstruído. Resultado? A vesícula produz espasmos para facilitar a passagem da bílis. E são exactamente esses espasmos que o acordam às duas da madrugada!

Claro que as preocupações não o ajudam a voltar a adormecerMas quem o acorda, em primeiro lugar, é a vesícula biliar,  não o stress!

Fogo! Refluxos, ardores, hérnias do hiato

A primeira curva do duodeno é o primeiro lugar onde os alimentos, se forem mal associados, acabam por fermentar e ficar bloqueados. Pouco a pouco, o lúmen intestinal (o diâmetro da passagem do tubo digestivo) aperta-se cada vez mais: os alimentos param ali, continuam a fermentar e criam assim gases que sobem até ao estômago e o empurram para cima. Quando o estômago sobe deste modo, acaba por elevar o diafragma, e aí começam os problemas! Porque o diafragma, a este ponto, pode chegar a tocar na ponta do coração, provocando palpitações reflexas. Ou então pode levar ao deslocamento de uma porção do estômago do abdómen para o tórax: é a chamada hérnia do hiato, fonte de ardores muito dolorosos.

Existe uma razão muito clara pela qual a hérnia do hiato arde tanto. Ao avançar de cima para baixo, o tubo digestivo emite secreções cada vez mais ácidas: deste modo, sempre que o trânsito avança do sentido errado (como no caso do refluxo, de baixo para cima), a sensação de ardor que daí deriva diz-nos que há qualquer coisa que não está bem. A dor serve precisamente para isso: para nos avisar de que estamos a provocar danos e que devemos corrigir a nossa alimentação. Ter sensações durante a digestão é um bom sinal: significa que o tubo digestivo não está muito obstruído e que ainda é capaz de nos mandar sinais. Por outro lado, é o famoso «digiro até pedras» que é perigoso. Um tubo digestivo que não se faz sentir está provavelmente sufocado por depósitos e perdeu toda a sua sensibilidade.

Mas voltemos ao ardor. A prática mais comum para evitá-lo consiste em tomar um protector gástrico. E como funcionam os protectores gástricos? O próprio nome explica: protegem as paredes do tubo digestivo isolando-as dos alimentos! Privadas deste contacto natural, as paredes tendem a perder tonicidade e a secar, tornando-se cada vez mais vulneráveis a úlceras e gastrites.

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Os protectores gástricos são, resumindo, um exemplo concreto de uma solução que cura o sintoma de um incómodo sem resolver a sua causa e que provoca outros danos: o ardor desaparece temporariamente, mas o duodeno continua bloqueado pelos depósitos e rapidamente provocará outros episódios desagradáveis.

O problema deve ser resolvido na base: os depósitos devem ser removidos seguindo uma alimentação que separa os alimentos rápidos e os alimentos lentos, acelerando o trânsito intestinal com um lubrificante (falarei deles no próximo capítulo) e eventualmente recorrendo ao desbloqueio manual do duodeno.

Tubo cheio, pernas inchadas

As mulheres estão de tal modo habituadas ao mal-estar relacionado com o ciclo menstrual, que, muitas vezes, nem se perguntam a que se deve esse mal-estar e resignam-se, todos os meses, esperando que com o fim do período chegue também o fim dos incómodos a ele associados. Mas as pernas inchadas e as dores de cabeça relacionadas com o período podem ser uma directa consequência de um tubo digestivo obstruído.

O útero, na verdade, funciona como uma esponja que «aspira» o sangue das pernas. Por volta do vigésimo sexto dia do ciclo menstrual, as pernas incham precisamente por esse motivo: o útero está cheio e já não consegue exercer da melhor forma a sua função de esponja. Quando finalmente chega a menstruação, o útero esvazia e recomeça a «sorver» o sangue das pernas, que ficam imediatamente mais leves.

Mas o bom funcionamento do útero-esponja não está relacionado apenas com o facto de estar cheio ou vazio: muitas vezes, um tubo digestivo obstruído e volumoso pode comprimi-lo e piorar a situação. Por isso, a limpeza do intestino é fundamental também para atenuar os mal-estares tipicamente femininos. Uma antiga publicidade a pensos higiénicos prometia às mulheres que se sentiriam livres e felizes «como uma borboleta». Mas até que ponto é mais livre e feliz uma borboleta depois de evacuar? 

Cistite, infecções urinárias, problemas durante a micção

Os depósitos derivados de uma alimentação errada podem entupir também as vias urinárias, diminuindo o seu diâmetro e criando obstáculos à passagem da urina. É o próprio sistema urinário que tenta resolver este problema, removendo as camadas mais superficiais dos depósitos para facilitar a micção e evitar um bloqueio. O perigo é, contudo, que estas «placas» de depósitos das quais as vias urinárias se libertam corram o risco de ferir e inflamar as paredes dessas mesmas vias urinárias durante a descida.

Daqui deriva toda uma série de patologias, que variam de acordo com a zona envolvida: pielonefrites, uretrites, cistites, entre muitas outras. Todos estes distúrbios são frequentemente atribuídos a micróbios ou vírus contraídos em casas de banho públicas ou piscinas, mas, na verdade, dependem essencialmente do «desbloqueio » dos depósitos que produz a chamada gravela, uma areia que fere e escurece a urina. Tal como acontece com o sistema digestivo, também é importante limpar o sistema urinário!

Um olhar a 360 graus sobre a saúde

Não interprete mal a minha reflexão sobre a necessidade de uma «visão global» do organismo para se tratar de modo eficiente. Não pretendo de todo dizer que não deve confiar nos médicos: um profissional competente é sempre necessário para enfrentar qualquer tipo de distúrbio estrutural. Procuro apenas sugerir uma abordagem mais profunda à resolução dos distúrbios funcionais. Não se contente com aliviar o sintoma. Investigue a causa! E tenha em conta que deve procurá-la no estado do seu tubo digestivo muito mais vezes do que pensa.

Pode escolher viver a vida em bicos de pés, resignar-se a sofrer constantemente deste ou daquele achaque. Ou então pode decidir deixar de ter medo e investigar e resolver a causa profunda do seu distúrbio, para não sofrer mais.

Chegue à origem do problema

Nestes trinta anos de actividade, deparei-me com pacientes que sofriam dos distúrbios mais díspares, e a experiência permitiu-me relacionar inequivocamente os seus problemas a dificuldades digestivas específicas. Hoje, posso afirmar com certeza que, com o meu método, qualquer pessoa pode, em poucos meses, livrar-se dos mal-estares que a afligem diariamente.

Tenha em conta que a diarreia e a obstipação são os primeiros problemas que conseguirá resolver graças ao meu método, que desde o início «libertará» a parte alta do tubo digestivo, aquela que vai do estômago à primeira curva do duodeno. Os problemas relacionados com o fígado, a vesícula e o pâncreas, como a hepatite, o colesterol alto, os cálculos biliares, glicemia, enxaquecas, hemorróidas e dores cervicais serão a segunda categoria de distúrbios de que o método o aliviará. Seguir-se-á a resolução de lombociatalgias, inchaços abdominais, cistites, infecções urinárias e secura epidérmica, muitas vezes relacionados com problemáticas do intestino delgado e dos rins.

Continuar a seguir o meu método e assim retomar no seu todo o correcto funcionamento intestinal ajudá-lo-á finalmente a resolver muitos mal-estares ligados à circulação e ao sistema respiratório: otites, sinusites, asma, alergias, bronquites e dermatites deixarão de representar um problema.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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