Posso correr quando estou resfriado ou com gripe?

Inverno é sinónimo de gripes e resfriados. No entanto, a verdade é que muitos atletas não deixam de treinar, mesmo com o estado de saúde debilitado, um erro que pode significar problemas mais sérios no futuro, defende o nosso especialista, Belino Coelho. «Antes de decidir se vai ou não correr, é necessário o corredor identificar com claridade o seu real estado de saúde, se tem uma gripe ou um resfriado», refere.

 

Muitos atletas confundem gripe com resfriado e vice-versa. Geralmente, o resfriado dura entre 2 e 4 dias e os seus sintomas são mais leves, tais como coriza, congestão nasal, tosse, eventual dor muscular, irritação da garganta e febre baixa. Já a gripe tem a duração de 7 a 10 dias e os seus principais sintomas são tosse, espirros frequentes, febre alta, forte dor muscular em todo o corpo, dor de cabeça, garganta e olhos, congestão nasal e coriza. Popularmente, para facilitar a identificação, o que diferencia a gripe do resfriado é a intensidade dos sintomas: quanto mais forte os mesmos, maior a probabilidade de ser uma gripe, que acaba por afetar todo o pulmão.

Tanto a corrida quanto uma enfermidade como a gripe, por exemplo, é entendida pelo nosso organismo como uma situação de estresse, causando alterações na homeostase (“propriedade de determinados seres vivos de manterem em equilíbrio todas as suas funções e a própria constituição química dos seus tecidos, apesar das variações do meio ambiente”, segundo o site da Infopédia). Para suportar e atender a demanda do “stress”, o nosso organismo promove alguns ajustes, entre eles a liberação de determinados hormônios, como o cortisol.

 

Se estiver com gripe, o melhor talvez seja descansar
Se estiver com gripe, o melhor talvez seja descansar

 

O cortisol vai ajudar a disponibilizar glicose para órgãos e tecidos do nosso organismo para que as suas funções não sejam comprometidas, entre elas mobilizando gordura e proteínas, alterando deste modo o batimento cardíaco e a pressão arterial, ao mesmo tempo que mantém o sistema nervoso em estado de alerta. Quanto maior a situação de estresse, maior será a libertação de cortisol.

É melhor realizar treinos leves aquando vivemos um estado gripal

Levando as considerações acima, e antes de decidirmos ou não correr, devemos ter em conta alguns pontos, principalmente os três abaixo:

  • Histórico de treino do corredor
  • Identificar se o corredor apresenta uma gripe ou um resfriado e em que grau de enfermidade
  • Condições climatéricas (frio, calor, tempo seco, etc.)

Se um atleta profissional ou um atleta mais experiente apresentar um resfriado ou uma gripe mais leve (até porque, se padecer de uma gripe forte, o mesmo não terá forças e disposição para correr), é possível realizar um treino leve de curta duração, desde que as condições climatéricas sejam favoráveis. Durante o treino, não se deve esquecer a hidratação, um “pormenor” de extrema importância.

Já a corrida “intensa” deve ser evitada em função do aumento do cortisol, que promoverá a destruição do aminoácido chamado “glutamina”, que tem, entre outras funções, servir de fonte de energia para o sistema imunológico. Ou seja, muito provavelmente a corrida “intensa” vai piorar o quadro gripal, podendo inclusive evoluir para uma indesejável pneumonia.

Em relação aos corredores iniciantes, deve-se evitar ao máximo a corrida tendo como objetivo a melhoria do seu estado de saúde, seja uma gripe leve ou um mero resfriado (caso não se respeite este conselho, o mais certo é o estado de saúde evoluir para outra doença). O treino* mais indicado nesta ocasião é o descanso, juntamente com a… hidratação.

O regresso à corrida deve ser realizado de forma gradual, tanto a nível de volume quanto de intensidade. Se o corredor foi alvo de uma forte gripe, o que sugiro são treinos mais curtos e leves durante uma semana para que não ocorra uma recaída, que, fatalmente, deverá ser pior do que a anterior.

* Treino: considero o descanso e a hidratação como um treino, uma vez que muitos corredores são teimosos e treinam mesmo doentes, lesionados ou com dores. De referir ainda que, aquando está doente, os atletas têm menos vontade de se hidratar, um erro que é, infelizmente, bastante comum.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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