O pós-prova: análise e planeamento

Jorge Boim, Sports Mental Coach da Hypno Coaching, aborda esta semana o pós-prova, algo muitas vezes ignorado pelos atletas, mas de uma importância fulcral para o futuro do nosso desempenho.

 

Quando se fala de preparação mental de atletas, muitas vezes se pensa que tal só se faz antes de uma prova. Tal como no treino físico, a preparação da prova seguinte no treino mental começa no final da anterior.

Se, no plano do físico, os dias seguintes a uma prova são passados em recuperação, no plano mental esses dias servem para analisar a prova realizada e fazer o planeamento do que há a trabalhar.

No texto anterior falei sobre a forma de definir objetivos e como esse trabalho pode ter ligação com a preparação da prova. Neste, vou falar sobre como analisar a prova realizada. A primeira coisa que salta à vista, quando se olha para a prova que se acabou de realizar, é o seguinte: atingiu-se ou não o objetivo?

Quando o objectivo é atingido, a análise é rápida e, normalmente, fácil de fazer. Se atingi, então é porque correu bem. Certo? Mais ou menos… Há algumas coisas a considerar, ainda assim. Neste caso, basta fazer duas perguntas: O objetivo foi corretamente definido ou foi pouco ambicioso? Como me senti e o que posso melhorar?

A resposta a estas duas perguntas, em especial à segunda, permite fazer o planeamento em relação ao que é necessário trabalhar para melhorar… E, acredite, há sempre coisas a melhorar. O importante aqui é identificar o mais especificamente possível as áreas ou situações a melhorar e trabalhar.

Análise é importante no pós-prova

O segundo caso é sempre mais complicado. Não se atingiu o objetivo definido. “O que aconteceu?” É esta a pergunta a fazer, em vez de “O que correu mal?”. De facto, pode não ter corrido mal, pois muitas podem ser as razões para não se atingir um objetivo.

Voltando à pergunta: faça uma descrição tão detalhada quanto possível do que aconteceu na prova. Atenção, a sua prova não começou no km 0 e acabou na meta. A sua prova começou dias antes. Comeu bem? Dormiu bem? Esteve doente? Treinou como devia? Todas estas questões são importantes, já que afetam o desempenho desportivo. São as questões do “Porquê?”. São as respostas a estas perguntas que permitirão perceber porque a prova foi como foi.

Respondendo ao que aconteceu na prova e porque aconteceu, é altura de definir o plano de “ataque” a tudo – mas mesmo tudo – o que foi identificado como situação a melhorar. Podemos estar a falar de situações tão simples como “Estava demasiado calor e bebi pouca água antes”; ou tão complexas como “Preparei mal a prova, quer em treino, quer nos objectivos; quer no ritmo como na gestão da prova”. Todas as hipóteses são válidas, todas as respostas são importantes.

Independentemente de ter atingido o seu objetivo ou não, é importante que escreva as suas respostas, em especial o que pretende trabalhar no seu treino mental. É muito fácil esquecer os temas se não estiverem escritos.

Seja qual for o caminho da análise à prova, há algo que é comum a ambos os processos: a análise deve ser realizada pelo menos dois ou três dias após a prova… Até ao final do dia a seguir à prova é descanso! Assim garante que ainda está com a informação bem presente na cabeça e, tão ou mais importante, já é possível ter algum distanciamento emocional da situação, vendo e analisando a prova de uma forma mais fria. Só assim poderá fazer uma análise correta da situação. Distanciamento, Frieza na Análise, Honestidade: são as palavras chave para este processo.

A seguir, é começar a preparar a próxima prova: física e mentalmente.

Bons treinos.

 

CONTATOS:

Sports Mental Coach
Hypno Coaching
Jorge Boim
Telemóvel: 966 856 843
Email: jorgeboim@sportshypnocoach.pt
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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