Os pecados das nossas refeições para o intestitino

No penúltimo dia d´«A Semana da Digestão», Frank Laporte-Adamski , autor do livro «A Dieta Purificadora – Purificar os intestinos sem sacrifícios», editado pela Arena, revela alguns erros que cometemos nas refeições… 

 

É tudo uma questão de velocidade

O princípio fundamental do meu método, nunca me cansarei de dizê-lo, consiste em nunca combinar alimentos lentos e alimentos rápidos. Criar esta associação significa produzir no interior do intestino uma mistura mortal, cuja digestão demora mais do triplo do tempo necessário, privando o tubo digestivo dos intervalos necessários para a autolimpeza e revestindo-o de depósitos nocivos. Eis uma primeira panorâmica sobre as três categorias principais da alimentação: alimentos rápidos (que demoram trinta minutos a percorrer o sistema digestivo); alimentos lentos (que são digeridos em quatro ou cinco horas); e alimentos neutros (que aceleram a velocidade dos alimentos a que são associados).

Alimentos rápidos

A fruta

Nos alimentos rápidos inclui-se praticamente toda a fruta (salvo raras excepções, como o coco e o abacate), não só a fruta fresca, mas também a fruta cozida, seca, macerada com álcool ou reduzida a marmelada. Assim, devem também ser considerados rápidos os figos, as tâmaras, os alperces e as ameixas secas, tal como as várias bebidas muito alcoólicas à base de fruta erradamente consideradas «digestivos»: após um grande banquete, é preferível conceder-se uma bebida branca e de elevado teor alcoólico (como o saqué e a aguardente, que aceleram o trânsito intestinal) e não, como se pensa, um limoncello, um licor de tangerina ou até os licores extremamente açucarados de cor castanha.

A fruta deve ser comida uma vez por dia, fora das refeições: o lanche é o momento ideal para consumi-la, porque é feito quatro ou cinco horas depois do almoço e, pelo menos, uma hora e meia antes do jantar, ambas refeições lentas. A situação muda, contudo, conforme o lugar do mundo onde se vive: por exemplo, na Índia, em África, no México, na América do Sul ou no Equador, a fruta exótica pode ser comida também de manhã. Sabe porquê? Porque nestes países os raios de sol escaldam logo de manhã cedo. E os raios de sol tornam o tubo digestivo menos vulnerável à acção agressiva da fruta. Existe um equilíbrio mundial que deve ser respeitado: comemos o que cresce no nosso país, no momento mais adequado segundo o clima em que nos encontramos, e digerimos bem.

Os «falsos lentos»: o tomate-choque

Demoram trinta minutos a percorrer o tubo digestivo também os alimentos que, aparentemente, não têm nada que
ver com a fruta: mel, chá verde, iogurte, e outros ainda mais «insuspeitos», como o tomate, a abóbora, o pimento e a malagueta (e, por isso, também as especiarias derivadas do pimento e da malagueta, como o caril e a paprica). É desta «descoberta», por assim dizer, que nasce o primeiro mandamento do Método Adamski: o tomate é um alimento indispensável para a saúde do organismo, que deve ser consumido regularmente e se  possível todos os dias, mas nunca durante uma refeição lenta. Tal como a fruta, desce depressa no tubo digestivo. E se for mal combinado, é o primeiro responsável pelos problemas digestivos.

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Eu sei, a ideia de se privar de um prato de massa não é agradável.  Já para não falar de renunciar a uma pizza Margherita, festim imbatível de trigo, tomate e mozarela! Mas existem muitos, imensas maneiras saborosas para comer tomate sem combiná-lo com alimentos lentos, posso garantir: basta consultar as receitas no fim deste livro para descobri-los. Confie em mim: nenhuma massa vale tanto quanto a sua saúde.

Alimentos lentos

Os alimentos lentos são quase tudo o que resta de comestível além dos alimentos rápidos: ou seja, a maior parte dos alimentos que ingerimos. Entre estes contam-se, em primeiro lugar, as verduras, cruas ou cozidas (quanto mais volumosas forem, melhor: graças à elevada quantidade de fibras, agem como verdadeiros «limpa-chaminés» do tubo digestivo); a única verdura que não é lenta é a beringela, que é neutra. São também lentos os cereais (logo, também a massa, o pão, o arroz, a pizza, as batatas e o milho), as proteínas animais e vegetais (logo, a carne, o peixe, o queijo, os ovos, os legumes, o tofu e o seitan) e as nozes, avelãs, amêndoas, castanhas, pistácios e os amendoins.

Alimentos neutros

Consideram-se «neutros», ou melhor, combináveis quer com os alimentos lentos, quer com os alimentos rápidos, porque aceleram o trânsito intestinal: óleo, azeite, vinagre, alho, cebola, chalota, todas as ervas aromáticas, todas as especiarias (excepto o caril e a paprica), e a beringela, única verdura não lenta. São também neutros o vinho tinto, o leite de vaca, o açúcar, o chá preto e o chá branco, tipo bancha, o café (desde que seja 100% arábico, visto que a qualidade robusta irrita o fígado) e o chocolate (amargo, não o de leite! Escolha um chocolate composto por, pelo menos, 70% de cacau).

Não há truque, não há engano

Há cerca de 2500 anos, vivia na Grécia um senhor de quem talvez já ouviu falar. Chamava-se Hipócrates. Era um homem como tantos outros, à excepção de um pequeno pormenor: foi o pai fundador da medicina moderna. Pois bem, este senhor postulava já há milhares de anos um princípio no qual todos os agentes de bem-estar devem sempre inspirar-se: «Antes de procurar a cura de alguém, pergunta-lhe se está disposto a renunciar àquilo que o fez adoecer

E é por isso que, chegados a este ponto, é meu dever perguntar-lhe: está pronto para descobrir comigo quais são os pontos fracos da sua alimentação e a corrigi-los? Porque no decorrer desta viagem talvez descubra que deve evitar certas associações às quais é possivelmente muito afeiçoado. Não estou a falar de sacrifícios dramáticos, apenas de pequenos pecados de gula aos quais deveria deixar de ceder. Se estiver disposto a fazê-lo, obterá um ganho concreto e duradouro em saúde e em beleza. Não deverá renunciar a nada: continuará a comer aquilo que sempre comeu, mas combinando as refeições de forma diferente.

O Método Adamski não é uma dieta sazonal, um regime «milagroso» ou uma corrente filosófica. É uma higiene alimentar equilibrada e marcada pelo respeito a 360 graus: o respeito pelo corpo, pela mente e pelo ambiente que nos rodeia. 

Os erros quotidianos

Quais são, então, as associações mais comuns entre alimentos rápidos e alimentos lentos e às quais, sem se aperceber, recorre com maior frequência no dia a dia? Basta dar uma olhadela às categorias acima descritas para ter uma ideia das combinações que é melhor evitar. Mas, para esclarecer, e porque começa a perceber como se raciocina à la Adamski, eis uma curta lista dos pratos que abrandam excessivamente o trânsito intestinal.

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Massa com molho de tomate
Um dos pratos aparentemente mais inócuos, símbolo da dieta mediterrânica, é um exemplo flagrante de combinação evitável entre alimentos lentos (a massa) e alimentos rápidos (o tomate). Assim, é melhor uma massa com um saboroso azeite extravirgem e saudáveis verduras salteadas: cereais e fibras deslizam todos felizes pelo tubo digestivo, como uma criança escorrega no parque aquático.

Penne all’arrabbiata
Este prato típico da região italiana do Lazio repete a associação lenta/rápida de massa e tomate e acrescenta

um terceiro elemento perturbador: a malagueta!

Pizza Margherita
Pizza e mozarela combinam muito bem. É o tomate que estraga a festa! Felizmente, a pizza é sempre boa,

até branca.

Frango de caril
Aromatizar o frango com caril significa combinar a carne (lenta) com uma especiaria derivada da malagueta

(rápida). Errado!

Tomate e mozarela
A chamada «salada caprese» junta o tomate (rápido) e a mozarela (lenta). É melhor acompanhar a mozarela com azeite e verduras, e remeter o tomate para a hora do lanche.

Melão e presunto
É uma das combinações mais conhecidas da cozinha italiana, uma entrada típica, mas junta proteína de origem animal (lenta) e fruta (rápida). Não é um bom modo de começar a refeição!

Risotto, pão ou massa com abóbora
Os cereais são lentos, a abóbora (tal como o tomate, o pimento e a malagueta) é rápida. Não combinam!

Peixe com limão
Quantas vezes viu um prato de peixe — grelhado, frito, assado, em papel de prata — acompanhado por um fresco gomo de limão? É um hábito comum comer o peixe só depois de o regar com o sumo de limão. Mas, além de encobrir e alterar sabores muitas vezes delicados, o limão é um fruto, por isso, é rápido; associado ao peixe, que é lento, provoca incómodas obstruções intestinais.

Verduras salteadas picantes
Não há nada melhor do que um belo prato de verduras para limpar o tubo digestivo. Mas é melhor comer as verduras ao natural, para beneficiar plenamente do efeito desentupidor do azeite; e, acima de tudo, é melhor não as saltear na frigideira com malagueta. A malagueta é rápida; as verduras são lentas!

Queijo com pêra
O queijo é lento, as peras são rápidas. Espero que, se fizer esta associação, tenha uma casa de banho por perto.

Tarte de fruta ou com compota de fruta
A pastelaria é comparável a uma arte, e contempla um rol infinito de receitas: pode, sem dúvida, deliciar-se com doces que não prevêem a combinação de farinha, manteiga, ovos (tudo lento) com fruta ou compota (rápidas). 

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Poderia continuar por muito mais páginas! A lista dos pratos que juntam alimentos lentos e rápidos é quase infinita. Mas prefiro que seja o leitor, a este ponto, a olhar para a sua ementa diária e a perguntar-se lucidamente como é composta e como poderá alterá-la para ir ao encontro das necessidades do seu intestino. Dito isto, seguir os ensinamentos de Hipócrates é obrigatório, mas de vez em quando também é agradável deixar-se inspirar por
Oscar Wilde: «A única maneira de nos libertarmos da tentação é ceder-lhe!» Nunca me passaria pela cabeça dizer-lhe para renunciar para sempre à pizza com tomate. Se, de vez em quando, tiver vontade, ceda à tentação da Margherita! O importante é que tenha consciência daquilo que acontece no seu intestino quando associa alimentos lentos e rápidos: se tiver vontade de se desviar, faça-o! Mas sem exagerar, e prevenindo e limitando os danos de uma má combinação com um belo gole preventivo de azeite extravirgem: assim, o tubo digestivo sofrerá menos com a obstrução da má combinação, e o trabalho «extraordinário» será mais fácil. Ou então utilize as cápsulas de lubrificante antes e depois do erro!

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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