As séries e fartlek de Paulo Paula para a Maratona de Viena

Após fazer o trabalho de resistência no Brasil, Paulo Paula deu primazia em Portugal ao trabalho de séries e fartlek. O objetivo era alcançar na Maratona de Viena um grande resultado, algo que aconteceu devido a alteração do seu treino, que revela para o Corredores Anónimos.

 

 

Vencedor da Meia-maratona de Ílhavo, Paulo Paula confirmou na prova que alteração realizada ao seu habitual plano de treinos acabou por ser uma mudança positiva. Em Portugal desde o dia 2 de abril com o intuito de correr a Maratona de Viena, a 22 de abril, e depois de fazer todo o treino de resistência no Brasil, o brasileiro realizou as séries e o fartlek apenas no nosso país.

Paulo Paula treinou as séries em Portugal antes da Maratona de Viena
Paulo Paula treinou as séries em Portugal antes da Maratona de Viena

Se em Presidente Prudente fez treinos bidiários, desde que desembarcou em Portugal diminuiu o ritmo, correndo um dia 10 km e, no seguinte, 15 km, mantendo depois a sequência de 10, 15, 10, 15, 10, 15 km… Isso durante duas semanas. Depois da “rodagem”, tiros de 400 metros com intervalos de 1m00 e dez corridas de 100 metros, com o intuito de ganhar velocidade. Na semana da Maratona de Viena, 10 km entre segunda e quinta-feira, descanso na sexta-feira e 5 km no sábado.

LEIA TAMBÉM
O treino de Paulo Paula para a Maratona de Viena

Ou seja, no dia da corrida, Paulo Paula chegou em grande forma e, acima de tudo, confiante, ainda mais depois do tempo alcançado em Ílhavo.

«Já tinha corrido em Viena por duas vezes. No entanto, devido ao frio, sempre senti dificuldade em correr. Este ano a temperatura esteve a 17 graus na partida e 23 graus à chegada. Portanto, na minha zona de conforto, temperaturas tranquilas para mim, mas quentes para os meus adversários. Como conhecia o percurso, sabia onde eram as partes mais complicadas e onde devia atacar. A organização apresentou duas lebres, uma para cruzar a Meia a 1h03 e outra a 1h05. No entanto, devido ao calor, nenhum grupo conseguiu esse objetivo. Eu, por exemplo, cortei aos 1h06m47. Depois das lebres saírem, no km 25, comecei a ditar a corrida, sempre respeitando o meu ritmo. Não é fácil correr uma Maratona sozinho e manter o ritmo depois dos 25 quilómetros, é complicado. Corri desde então sozinho, onde procurei controlar o ritmo entre 3m08 e 3m10 para terminar entre 2h12 e 2h14. Senti uma dificuldade no km 40, onde tinha uma elevação até o km 41,5, antes da descida para a meta. Fiquei bastante satisfeito com o meu resultado final, o meu melhor tempo nos últimos três anos. Um resultado que me coloca no primeiro lugar do ranking brasileiro para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.»

Paulo Paula sonha com os Jogos Olímpicos de Tóquio

Paulo Paula está com 38 anos e alcançou em Viena 2h13m30, ultrapassando o tempo do seu concorrente no Brasil, que era de 2h16, a melhor marca sul-americana do ano até então. Uma prestação que aumenta a sua confiança para Tóquio2020.

Paulo Paula alcançou o oitavo lugar da Maratona de Viena
Paulo Paula alcançou o oitavo lugar da Maratona de Viena

 «Quase a fazer 39 anos, provei que posso correr de igual para igual com qualquer um na América do Sul. Não é fácil uma pessoa ter uma carreira na Maratona aos 39 anos, ainda mais no Brasil, quando começamos a correr mais cedo e os maratonistas costumam abandonar aos 36, 37 anos. Por isso, e a cada dia, acredito que não vai ser difícil estar presente nos Jogos de Tóquio. Não posso ignorar que esta foi a minha primeira prova da temporada e alcancei este resultado. Imagina o segundo semestre, período que mais gosto de correr? Tenho algumas Maratonas em vista, Berlim ou Frankfurt, com certeza Fukuoka. O meu objetivo é correr mais duas Maratonas este ano, uma no início do segundo semestre, outra no final. Com Viena dei uma boa “tacada” tendo em vista o índice para os Jogos. Neste momento, não há ninguém que me assuste. Por exemplo, o ano passado, o melhor brasileiro ficou atrás de mim com mais 8 minutos. Acredito que possa surgir algum brasileiro no próximo ano, mas acho difícil estar próximo da minha marca. Infelizmente, o Brasil está a passar uma crise de maratonista, estamos com dificuldades nessa distância.»

Caso alcance a qualificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, Paulo Paula terá 41 anos. O seu grande objetivo é se despedir da modalidade precisamente no principal evento desportivo do Mundo. Um objetivo que dificilmente não irá alcançar, já que, pelo menos por agora, não há adversários ao seu nível. Sem ter ainda feito trabalho de altitude, ao contrário de alguns dos seus rivais, a verdade é que Paulo Paula já tem hoje o melhor tempo da distância na América do Sul. Tóquio está à espreita…

 

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos