É hora de ouvir o silêncio

Hoje é o primeiro dia d´«A Semana do Silêncio», no qual daremos destaque ao livro «A Magia do Silêncio», da autoria de Kankyo Tannier, editado pela Arena. No stress do dia-a-dia, preenchido de ruídos sonoros e sociais, é hora de pararmos, tendo como objetivo a melhoraria do nosso estado interior. Este silêncio interior é fundamental para a melhoria da nossa performance, mas, principalmente, para a melhoria das nossas vidas.

 

UM LIVRO DIFERENTE

Os livros de desenvolvimento pessoal estão muitas vezes repletos de métodos que supostamente nos trarão a serenidade em poucos dias. Além do facto de o próprio Buda — que é bastante dotado — ter levado vários anos a alcançar este fim, pareceu-me, acima de tudo, que estas instruções «prontas a usar» não bastavam e que seria preferível alternar acontecimentos da vida real com alguns pequenos exercícios. Durante as minhas leituras, dei por mim muitas vezes com vontade de lançar um «Então, prova!», sonoro e enérgico, a todos os defensores do «método milagroso», cuja vida só muito raramente reflecte a sua suposta sabedoria. É, portanto, para evitar as fúrias dos mais cépticos de entre os leitores que multipliquei os exemplos, as pequenas histórias e outros testemunhos em primeira mão… sem esquecer os fracassos, nem mesmo os menos brilhantes!

Este livro contém também, aqui e ali, alguns momentos líricos, nascidos espontaneamente do meu maravilhamento perante a natureza ou a beleza dos seres. Se for mais racional, pode saltar estas passagens, alegremente, como uma cabra-montesa, que não lhe levaremos a mal (além disso, não saberemos de nada, por isso está salvo!).

Ao percorrer estas páginas — seja por ordem ou em desordem —, encontrará também alguns exercícios práticos. Atenção! Todos eles implicam uma mudança de vida! Nada menos do que isso. Pois se escrevi um livro, se descrevo em longos excertos os benefícios desta ou daquela prática, se revelo muitos aspectos da minha vida pessoal, mais vale que a vela seja acesa. Assim, ao abrir este livro, está por sua conta e risco. Esperam-no mudanças profundas. Na terapia, diz-se que muitas pessoas preferem uma situação desagradável mas familiar a uma situação nova mas imprevisível. É o seu caso?

Enquanto uma parte do seu cérebro reflecte cuidadosamente sobre esta questão, aqui ficam algumas informações sobre os exercícios apresentados neste livro. Foram concebidos para serem facilmente integrados no seu dia-a-dia. Não precisará de se levantar antes do amanhecer nem de retirar longas horas às suas tarefas quotidianas para aplicar as práticas aqui sugeridas. 

Tratar-se-á, antes, de polvilhar as suas actividades com pitadas de consciência e concentração, como uma subtil especiaria que é acrescentada ao prato. Verá que as horas poderão ganhar um sabor diferente e aromas surpreendentes. 

Por vezes, claro, levar mais tempo a fazer as coisas, apreciar sumptuosos vazios, revela-se ainda mais benéfico. Para os privilegiados que dispõem de algum tempo livre (saboreie a sua sorte, nesta sociedade hiperactiva!), referiremos os retiros monásticos ou as curas de silêncio, de um ou mais dias, feitas em casa. 

Espero que cada leitor encontre nas páginas que se seguem algumas ideias ou exercícios à sua medida. Serão como pepitas que transporta, secretamente, no bolso para entrar em contacto com a sua riqueza interior.

ONDE A AUTORA COMEÇA POR SE DESCULPAR

Este livro contém mais de 30 mil palavras. Que paradoxo, não lhe parece? Tantas páginas para descrever o indizível, quando um quadro de Rembrandt ou uma composição de Satie teriam bastado. Na verdade, para convidar o silêncio para o festim da vida, não há nada mais simples: uma fracção de segundo de atenção, ouvidos que despertam e se põem à escuta, um pássaro que atravessa o céu… ou qualquer outro acontecimento suficientemente espontâneo para nos surpreender.

Mas a verdade é que, tanto para pintar como para percorrer com os dedos as teclas de um piano, tenho a delicadeza de um jogador de râguebi e a calma de um treinador de futebol no banco dos suplentes. Tive, por isso, de me contentar com os recursos de que dispunha: um tropel de palavras que emergiam do limbo, como por magia, saltitando alegremente da direita para a esquerda, de cima para baixo, de trás para a frente, até encontrarem o seu lugar no papel. Ideias, frases, pequenas histórias, surgiram de enfiada, em fila indiana, desenhando pouco a pouco a trama deste livro. Assisti a tudo isto espantada, fazendo a mim própria esta pergunta, que sustenta tudo o resto: mas de onde vêm todas estas palavras? Que consciência é esta que escreve, que tagarela? O mistério continua, hoje, por resolver, mas o resultado é esta obra que segura na mão e cuja loquacidade, espero, desculpará.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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