Os segredos da Maratona

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Correr uma maratona é um sonho de muitos, mas definitivamente conquistar um lugar no pódio não é para qualquer um. Há uma série de fatores a ter em conta, como demonstra o especialista Belino Coelho, diretor técnico da Elite Assessoria Esportiva, do Brasil, responsável pelo treino e orientação de mais de 150 atletas. Este é o segundo capítulo (leia aqui o primeiro) de uma série de artigos sobre a mítica distância. Se pretende um dia correr os míticos 42,195 km, não deixe de ler…

 

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Na semana passada comecei a escrever sobre alguns aspectos que devem ser levados em consideração quando se pensa em correr os aclamados 42,195 km. Para quem está a iniciar, a Maratona deve ser um objetivo estabelecido a longo e nunca a curto prazo, tudo porque há a necessidade de formar a base estrutural, fisiológica e psicológica do atleta com o intuito de garantir o mínimo risco de lesão. Ao mesmo tempo, é necessário assegurar a longevidade na corrida.

Antes de correr a sua primeira maratona, o atleta ao qual eu me referi no primeiro artigo passou vários anos treinando para provas curtas, o que significa que ele apresentava uma base forte para suportar o pesado treino que a Maratona exige.

Evidentemente que, na preparação, o foco é o lugar mais alto do pódio, principalmente para ajudar e facilitar a construção do planejamento de treino, mas conhecer as características do atleta e as suas limitações nos permite observar se o mesmo encontra-se dentro dos padrões ou na média dos outros maratonistas de nível nacional.

Vejamos portanto as características do meu atleta:

Idade: 37 anos
Peso: 58 kg
Estatura: 1m72
Percentual de gordura: 5%
Vo2max: 72,28 ml/kg/min
Limiar 1: 17 km/h
Limiar 2: 20 km/h

(Observação: Os limiares são valores encontrados com a realização do Teste Ergoespirométrico, o qual nos permite saber o exato momento em que o atleta começa a entrar em fadiga. No caso em concreto, e segundo os seus limiares, o seu tempo de maratona seria inferior a 2h27m00 e superior a 2h06m00).

Estes dados ajudam a prever mais ou menos em quanto tempo o atleta vai concluir a prova, embora seja necessário ainda levar em consideração as características do trajeto e analisar os resultados dos três primeiros colocados na corrida nos últimos quatro anos, caso o objetivo maior seja ficar no Top 3 (como foi o caso). Só assim poderemos elaborar uma estrutura de treino e uma estratégia coerentes.

DADOS E CARACTERÍSTICAS DA MARATONA

Para elaboração do planejamento de treino é importantíssimo saber como será o percurso, o horário em que a corrida será realizada, o tipo de piso, as variações do trajeto (subidas e descidas) e as informações sobre o clima (temperatura e umidade relativa do ar no dia competição – URA), mas também os dados estatísticos obtidos pelos maratonistas na prova.

Essas informações ajudarão a estruturar e direcionar o planejamento de treino, aproximando ao máximo da especificidade que a corrida exige e aumentando deste modo a probabilidade de obtenção de sucesso na mesma.

As informações levantadas foram as seguintes:

Data da Maratona: 21/10/2006
Horário: 20h00
Variação do Percurso: 98% plano e 2% com aclives
Tipo de Piso: 100% asfalto
Temperatura e URA provável: 16ºC e 70%
Resultados obtidos pelos vencedores nos últimos 4 anos:
2002 – 02h17m36
2003 – 02h19m44
2004 – 02h19m32
2005 – 02h19m23

RECURSOS NECESSÁRIOS

A disposição de recursos para um maratonista de alto nível se faz essencial e fundamental para que este possa aproveitar ao máximo os benefícios dos treinos executados. Esses recursos dividem-se basicamente em três tipos:

Recurso Financeiro
• Recurso Profissional
• Recurso Material e Físico

Recurso Financeiro
Infelizmente, no Brasil, este centra-se em forma de patrocínio, que tem como objetivo cobrir despesas como a alimentação, suplementação, vestimentas e acessórios específicos, inscrições em provas, hospedagens, passagens, despesas médicas, etc. É algo bastante difícil de se conseguir. Atualmente, são os próprios maratonistas que acabam por arcar com as despesas, sendo que, às vezes, as premiações ganhas nas competições servem apenas para se sustentar e manter os treinos, o que impede uma maior eficiência, proveito e utilização do planejamento de treino.

Recurso Profissional
Formada por uma equipe multidisciplinar, ou seja, formada por profissionais especializados em determinadas áreas cuja atuação entre si e em conjunto com o atleta aumentam as chances de sucesso do planejamento de treino.
Infelizmente, essa estrutura multidisciplinar não é acessível para muitos atletas, pois depende dos recursos financeiros que este ou o clube apresentam. Na maioria das vezes, acaba “sobrando” para o treinador, que assume as seguintes funções:

• Nutricionista
• Psicólogo
• Fisioterapeuta
• Massagista
• Médico Cardiologista
• Médico Ortopedista
• Professor de Musculação com conhecimentos específicos.

Recursos Materiais e Físicos
São todos os acessórios, estabelecimentos, locais e vestimentas específicas que serão utilizadas durante a execução do planejamento de treino para que se possa obter do atleta o máximo aproveitamento possível no treino, trabalhando assim as valências necessárias para a maximização da sua condição física. Exemplos:

• Tênis específico para maratona
• Colchonetes
• Pára-quedas
• Tornozeleiras
• Braçadeiras
• Cronógrafos
• Medicine-ball
• Pneus
• Halteres
• Academia
• Ruas e estradas de asfalto e terra aferida
• Pista de Atletismo

No próximo artigo escreverei a terceira parte desta série de artigos. Abordarei as avaliações e testes de controles utilizados e como foi o treinamento desse atleta até a Maratona. Também revelarei quais eram os seus pontos menos positivos e qual a estratégia utilizada para os minimizar.

  1. Este texto é escrito em português do Brasil
  2. Contatos:
    Mailbelino.coelho@eliteesportiva.com.br
    Telefone: +55 11 5518-3409
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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