Os erros das dietas mais comuns

Beber dois litros de água? Abdicar de hidratos de carbono? No último dia d´«A Semana da Digestão», Frank Laporte-Adamski , autor do livro «A Dieta Purificadora – Purificar os intestinos sem sacrifícios», editado pela Arena, aborda os erros das dietas mais comuns. 

 

A dieta sem hidratos de carbono

É uma coisa que faz realmente rir: as dietas que prometem fazê-lo emagrecer «sem» isto e «sem» aquilo. Por que razão privar-se de substâncias benéficas existentes na natureza deveria fazer-lhe bem? Os hidratos de carbono são fundamentais para a sua saúde, exactamente como as proteínas, as vitaminas e os sais minerais. Excluí-los da dieta poderá garantir-lhe um emagrecimento rápido, mas não duradouro, isso é certo; além disso, sujeitará o seu organismo a desequilíbrios repentinos e muito prejudiciais.

Os hidratos de carbono fazem parte da nossa alimentação desde o início dos tempos: eliminá-los é um erro, e quem lhe disser o contrário não sabe do que está a falar. Há que consumi-los com moderação — mas esta é uma regra que vale para tudo, certo? — e saber como associá-los no conjunto da sua alimentação diária.

Entre os hidratos de carbono mais «demonizados» contam-se os açúcares da fruta. Muitas dietas proíbem o seu consumo e esta, deixe-me que lhe diga, é uma coisa do outro mundo!

As razões para comer fruta todos os dias são infinitas: em primeiro lugar, além de conter açúcares, a fruta é uma verdadeira mina de antioxidantes fundamentais para combater o envelhecimento prematuro e para prevenir inúmeras doenças, desde as banais constipações a certas formas de tumor. Em segundo lugar (mas não menos importante), antes de serem absorvidas pelo sangue através do tubo digestivo, as substâncias que compõem a
fruta fazem dela um verdadeiro laxante natural. A fruta funciona como um desentupidor! Quem não a come regularmente nunca irá regularmente à casa de banho.

O único princípio a ter em conta, quando se come fruta, é aquele em que se baseia o meu método: coma-a pelo menos quatro horas depois de uma refeição lenta, ou acabará por abrandar o trânsito intestinal.

E se quiser limitar os açúcares, a solução é muito simples: prefira fruta de baixo índice glicémico, como morangos, mirtilos, framboesas, ou então saboreie um belo lanche salgado à base de tomate, pimento ou abóbora.

A dieta do pH

Também conhecida como dieta alcalina ou dieta de ácido-base, a dieta do pH baseia-se na convicção de que determinados alimentos — sobretudo os classificados como «ácidos» — alteram o pH do sangue a favor da acidez, acabando por favorecer o desaparecimento de muitas patologias crónicas. Trata-se, então, de um regime que pretende mudar o pH do sangue tornando-o básico. O grande problema deste tipo de dieta (e comum à maior parte das dietas em circulação) é, na minha opinião, que concentra toda a atenção naquilo que comemos e não naquilo que expelimos. O Método Adamski, pelo contrário, pretende libertar o organismo através das fezes, da urina e da transpiração, focando-se, assim, mais nas saídas do que nas entradas e propondo uma mudança de perspectiva fundamental: eu não lhe digo o que comer ou o que não comer. Apenas sugiro como e quando comer determinados alimentos para deles extrair o máximo benefício e permitir que a máquina extraordinária, que é o seu corpo, funcione na perfeição.

Os resultados nos meus pacientes falam por si: os resultados que apresentaram, no início do tratamento, o pH da urina alcalina conseguiu, ao fim de apenas dois meses, transformá-lo em urina ácida. Isto porque o Método Adamski permite eliminar os depósitos básicos dos rins pela urina; isto faz com que, por exemplo, a gravela (a areia que bloqueia as articulações) seja literalmente destruída, afastando o perigo de artroses.

O importante, resumidamente, não é mudar o pH do sangue que transporta os resíduos; o importante é fazer com que os órgãos incumbidos da destruição dos resíduos, ou seja, o intestino e os rins, sejam capazes de funcionar da melhor forma. E é exactamente isso que proponho com o meu método!

A propósito de rins

Uma outra lenda muito difundida no âmbito da dietoterapia diz que a desintoxicação passa por beber, pelo menos, dois litros de água por dia. Diga a verdade: já ouviu isto tantas vezes e com tanta convicção, que nunca lhe passou pela cabeça colocá-lo em dúvida. E, contudo, a verdade é outra: para garantirmos a nós mesmos o bem-estar, não é necessário beber dois litros de água por dia. É necessário, isso sim, seguir uma dieta que permita aos rins eliminar dois litros de urina! Que sentido faz beber tanta água para queimar toxinas se os rins, ou melhor, os órgãos encarregados da depuração, não funcionam eficazmente e, por isso, não são capazes de remover todo o líquido em excesso responsável por edemas, celulite e inchaço nas pernas, nos tornozelos, nos pés ou até no rosto e nas mãos?

Assim, mais uma vez, não é uma questão de quantos litros de água se deve beber por dia. A primeira coisa a fazer é colocar o seu corpo em condições de poder tirar benefício da água que bebe. Se isto acontecer, o seu organismo poderá eliminar correctamente as toxinas pela urina, que assumirá naturalmente uma cor mais escura.

A propósito de água

Nem todas as águas são iguais: algumas, isto é, as de baixo resíduo fixo são mais saudáveis do que outras. Mas o que significa «resíduo fixo»? Significa, muito simplesmente, a quantidade de minerais inorgânicos presentes na água: substâncias que não se desgastam no interior do organismo, mas que tendem a ligar-se e a agregar-se, criando bastantes problemas. 

Não sendo capaz de processar estes minerais, o organismo tenta desfazer-se deles naturalmente depositando-os na gordura cutânea, para poder expeli-los pela transpiração, um instrumento fisiológico preciosíssimo não apenas para a termorregulação, mas também, precisamente, para a depuração. Mas é preciso ter em conta que hoje transpiramos muito menos do que antigamente; assim, o resíduo fixo contido na água que bebemos acaba por se depositar na gordura subcutânea, aumentando a retenção de líquidos, favorecendo a tão odiada celulite e gerando nos vasos sanguíneos as perigosas placas ateroscleróticas responsáveis pela hipertensão, tromboses e enfartes.

Exactamente como o calcário se acumula na descarga da máquina da roupa, diminuindo dia após dia a sua capacidade de funcionar bem, as águas de resíduo fixo desgastam o organismo e tornam-no cada vez mais vulnerável às doenças. Por isso é que sugiro aos meus pacientes que bebam água minimamente mineralizada, com um resíduo fixo inferior a 40 mg por litro (quanto mais baixo for, melhor é), que aumenta a diurese e facilita a eliminação do ácido úrico e dos resíduos do organismo.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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