Como definir objetivos para uma corrida

Jorge Boim, Sports Mental Coach da Hypno Coaching, começa esta semana uma colaboração com o Corredores Anónimos. No primeiro tema, uma estratégia para a Corrida do Tejo, ou seja, como definir objetivos para uma corrida.

 

É com grande satisfação que abraço o desafio de escrever, semanalmente, um texto para a Corredores Anónimos, sobre Mental Coaching. O que pretendo é dar a conhecer o que é o Mental Coaching e como pode ajudar cada atleta a melhorar o seu desempenho desportivo. Para tal, irei abordar várias áreas da preparação mental de atletas, dar algumas dicas para poderem preparar-se melhor mentalmente e, claro, esclarecer as dúvidas que possam ter e queiram ver esclarecidas.

Em semana de Corrida do Tejo, uma das mais concorridas provas na zona da grande Lisboa, nada melhor do que começar esta aventura com algo a que todos os atletas dão grande importância: objetivos.

Definir um objetivo para uma prova é, simultaneamente, algo fácil e complexo. Fácil porque basta dizer que quero fazer o tempo X na prova. Complexo porque, para definir corretamente um objetivo, devo seguir determinadas regras para que o objetivo tenha de facto sentido. Os objetivos, para serem considerados como tal, devem ser SMART.

S (Specific – Específico)
M (Measurable – Mensurável)
A (Achievable – Atingível)
R (Realistic – Realista)
T (Timed – Datado)

 

Os objetivos SMART
Os objetivos SMART

 

Ou seja, “fazer o melhor possível” não é um objetivo. Isso vamos todos fazer, dar o melhor de nós para ter o nosso melhor resultado. Um objetivo corretamente definido será algo deste género: fazer 50 minutos no final da Corrida do Tejo, no próximo domingo, dia 24 de setembro.

Objetivo deve ser realista e atingível

Certifique-se que o objetivo que definir é realista e atingível. Se normalmente a sua marca ronda os 60’ aos 10 km, se calhar definir um objetivo de 50’ não é assim tão realista ou atingível.

Voltando ao exemplo dos 50’ aos 10 km. Ao definir este objetivo, já sabe que terá de correr a 5’ o km ou menos. No entanto, o percurso não é todo igual, tem subidas e descidas, há vento, há alimentação e hidratação, etc. Por isso, é importante analisar o percurso, identificar pontos onde o tempo ao km será mais alto ou mais baixo.

No caso da prova em questão, o percurso é mais ou menos plano, com duas exceções. Entre os 2 e os 4 km e entre os 7,5 e 8,5 km, números redondos. No primeiro segmento há uma subida e depois uma descida; no segundo há uma descida e uma subida, por esta ordem.

Neste caso, a dica é dividir a prova da seguinte forma:

– Dos 0 aos 2 km

– Entre os 2 km e os 3 km

– Entre os 3 km e os 4 km

– Entre os 4 km e os 7,5 km

– Entre os 7,5 km e os 8 km

– Entre os 8 km e os 8,5 km

– Dos 8,5 km aos 10 km

Calculo que esteja a pensar: “Tantos segmentos numa prova tão curta?” Sim! E se mais pontos fossem identificados, mais segmentos seriam criados. O que se pretende é criar objetivos intermédios.

Assim, poderíamos criar algo deste género:

– Dos 0 aos 2 km – 5’ km (10’)

– Entre os 2 km e os 3 km – 5’15’’ (tem a subida)

– Entre os 3 km e os 4 km – 4’45’’ (tem a descida)

– Entre os 4 km e os 7,5 km – 5’ Km (17’30’’)

– Entre os 7,5 km e os 8 km – 4’45’’ (2’22’’) (tem a descida)

– Entre os 8 km e os 8,5 km – 5’15’’ (2’38’’) (tem a subida)

– Dos 8,5 km aos 10 km – 7’30’’

– Final – 50’

A definição de objetivos, quando realizada de forma correta, além de lhe permitir ter sempre um tempo alvo, permite-lhe começar logo a preparar o seu desempenho na prova… se quiser, a programar a sua competição, mantendo-se com mais foco durante toda a corrida. Mas o “Foco” será tema para outro texto.

Boas corridas.

 

CONTATOS:

Jorge Boim
Telemóvel: 966 856 843
Email: jorgeboim@sportshypnocoach.pt
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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