A minha mente dá cabo de mim

Depois das férias sem fazer quase nada de treino, o regresso é quase sempre difícil a nível físico. Parece que o corpo não responde como queremos, mesmo sabendo que as coisas são mesmo assim. A pré-época existe para isso mesmo, mas a mente é fundamental nesse regresso.

 

Hoje foi dia de fazer treino de bicicleta. Os meus companheiros de treino, mais habituados a estas andanças, foram marcando o ritmo e escolhendo o caminho. Como eles não são muito de facilitar a vida aos mais amadores – neste caso, eu -, escolheram um caminho que eu não conhecia e que contemplava uma bela subida, toda feita com vento de frente.

A meio da subida a mente começou a pregar as suas partidas, ou, como digo no título, a dar cabo de mim. Os pensamentos variaram entre o “Bolas (não foi este o termo, mas agora não interessa nada…), isto nunca mais acaba?” e o “Apetece mesmo colocar o pé no chão e ir a andar até lá acima”. Aqui poderia estar a falar-vos de foco e concentração e de como devemos ir buscar os pensamentos positivos, como podemos pensar que o que estamos a fazer hoje terá efeitos positivos no futuro… Podia, mas vou dar-vos outra dica, talvez mais simples.

O processo é relativamente simples…

Deixe a mente fluir

Primeiro, há que resistir ao pensamento de boicote – é como se chama a este tipo de pensamento, já agora -, ou melhor, há que o identificar como tal. A partir daí, deixamos o pensamento fluir, deixamos a mente trazer-nos coisas para pensar. Podem ser mais ou menos corriqueiras, mais ou menos importantes, mais ou menos relacionadas com o desporto. Enquanto isso, a única atenção que temos que ter é se esses pensamentos são ou não de boicote. Ok, se forem, então sim, vamos lá para a técnica de que vamos usufruir disto um pouco lá mais para a frente.

Mas voltemos ao “free thinking” de que falava. Deixem a mente dar-vos coisas em que pensar, deixem que tal flua pela cabeça sem lhe darem grande importância. Enquanto a coisa se vai dando, vocês vão pedalando, ou correndo, e a subida vai-se fazendo quase sozinha. Quando derem por isso, os músculos deixaram de queimar, as pernas deixaram de doer – podem ler um texto que escrevi anteriormente, “A dor faz parte, o sofrimento é uma escolha” – e já estão no final do treino ou da subida.

Para poderem ter uma ideia mais prática do que estou a falar, foi nesta fase que decidi escrever sobre este tema e foi também nesta subida que comecei a elaborar o início deste texto. Ou seja, várias vezes pode acontecer que encontrem soluções para coisas que vos preocupam. Muitas vezes, quando não controlamos o que a nossa mente nos trás, é quando ela trabalha melhor.

E sobre isto, do CONTROLO, falaremos melhor na próxima semana.

CONTATOS:

Jorge Boim
Sports Mental Coach
Telemóvel: 966 856 843
Email: jorgeboim@sportshypnocoach.pt
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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