Lesões mais frequentes: fratura por stress

Quem pratica desporto está sujeito ao risco de surgimento de lesões, independentemente da idade, nível de performance ou até mesmo do sexo. Contudo, existem lesões que podem apresentar maiores taxas de ocorrência em determinada tipologia de atletas. O texto é de Raquel Costa.

 

 

No que diz respeito ao sexo feminino, este é comummente afetado por alguns tipos de lesões, nomeadamente fratura por stress, lesões na anca e lesões no joelho. Em causa está a Tríade da Mulher Atleta (explicada em pormenor nos artigos anteriores. Leia aqui e aqui), a qual ocasiona oscilações hormonais e desequilíbrios musculares, fatores que aumentam o risco de lesões na corredora. A fratura por stress poderá ser o melhor exemplo das consequências das alterações no organismo da corredora, como tal, esta lesão será primeira a ser abordada.

Definição:
A fratura por stress é caraterizada por fissura microscópica no osso, originada pela sucessão de múltiplos impactos. É uma fratura progressiva, que vai sendo instaurada no osso lentamente no decorrer do tempo, não se tratando portanto de um trauma que pode ocorrer, por exemplo, em quedas. Este tipo de fratura ocorre geralmente nos ossos que são frequentemente submetidos a sobrecargas.

Causa:
O surgimento de fratura por stress está relacionado com a fadiga do osso, ou seja,a repetição de movimentos errados, aumento brusco da intensidade, carga, volume e tipologia de treino, mas também o uso de equipamentos inapropriados e falta de reforço muscular.
No caso específico dos corredores, as causas mais comuns são as seguintes: síndrome de overtraining (ver aqui e aqui), falta de reforço muscular, calçado inapropriado, erros na pisada e postura inadequada.

 

A fratura por stress é uma das mazelas do corredor
A fratura por stress assola uma grande parte dos corredores ao longo das suas carreiras

 

Incidência:
Nos corredores, os locais anatómicos com maior incidência são: tíbia, metatarsos, colo do fémur, maléolos medial e lateral (tornozelo). Dados revelam que o sexo feminino é mais propício a fraturas por stress que o sexo masculino, facto que se justifica pelo presença da Tríade da Mulher Atleta.

Sintomatologia:
O principal sintoma é a ocorrência de dor moderada ou intensa, localizada num determinado local após o esforço físico. Por vezes, antes da dor localizada, ocorre dores na mesma região ocasionada pela intensidade do esforço, excesso de carga ou qualquer outra causa acima descrita.
Outros sintomas que também podem ocorrer é o inchaço, tumefação óssea, rubor e calor na região da dor.

Diagnóstico:
Para diminuir as consequências que a fratura por stress pode causar é necessário um diagnóstico precoce. O diagnóstico deve ser realizado por um especialista, que se irá basear no historial do paciente e a realização de exames físicos. A cintigrafia óssea, a ressonância magnética e a radiografia simples serão as opções mais viáveis para a sua deteção.

Tratamento:
Como em qualquer situação clínica, o tratamento varia consoante as caraterísticas da fratura. Contudo, alguns pontos-chave deverão ser considerados numa fase inicial: identificar a causa para posteriormente corrigir, repouso, evitar sobrecarga no local afetado e sessões de fisioterapia.
Posteriormente, após a extinção das dores, o atleta deverá progressivamente retomar a sua atividade de corrida. Além da caminhada e do trote, o reforço postural e equilíbrio da musculatura serão essenciais à recuperação.

Neste sentido, para prevenir a fratura por stress, será necessário condições de treino adequadas e um bom estado de saúde.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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