Correr pela nossa Felicidade

Em «Corra pela sua Felicidade – Corrida ao ar livre e mindfulness: a equação perfeita para uma vida saudável e equilibrada», editado pela Casa das Letras, William Pullen apresenta a Terapia de Corrida Dinâmica, «método terapêutico passo-a-passo para confrontar sentimentos e circunstâncias complicadas na sua vida através do movimento». Esta semana publicaremos excertos do livro, que comprova que a corrida não é apenas um Desporto.

 

 

 

O Que É a Terapia de Corrida Dinâmica?

O movimento é terapêutico

Alguma vez lhe aconteceu estar a fazer uma longa caminhada ao ar livre, sozinho ou com amigos, e de súbito ter aquele momento de clareza em que todas as coisas na vida ganham sentido? Alguma vez foi correr quando a sua cabeça está a zumbir, depois de um dia atarefado no trabalho, e regressou a casa, exausto, suado, mas com uma nova perspetiva dos acontecimentos do dia que passou? No seu ponto mais fundamental, esse sentimento, essa clareza, é a base da Terapia de Corrida Dinâmica, ou TCD.

A TCD é um poderoso e agradável método terapêutico passo-a-passo para confrontar sentimentos e circunstâncias complicadas na sua vida através do movimento. Ao combinar o exercício físico, a terapia da conversa e a antiga sabedoria de mindfulness permite-lhe regressar a uma vida saudável e realizada. Enquanto o mindfulness tradicionalmente se foca nas sensações do corpo e do ambiente para o conectar com o presente, esta prática vai mais além. A TCD usa o movimento do seu corpo para o aproximar do que se está a passar dentro de si a nível emocional, ajudando-o a compreender e a processá-lo melhor. Este método dinâmico fornece uma  via proativa e mais libertadora de recuperação do que a terapia tradicional, acrescentando um sentido de competência e realização pessoal à sua viagem.

A TCD também se adapta a qualquer nível de preparação física que tenha, desde que se desafie fisicamente a determinado grau de dificuldade durante um período de tempo. Isto significa que, se uma caminhada lhe custa, isso conta como TCD. Do mesmo modo, se gosta de sprint, então pode apontar isso como o seu ritmo de TCD. O objetivo é encontrar um nível de desafio em que o seu sangue comece a fluir um pouco mais rápido. Não há necessidade de puxar demasiado por si ou de manter o mesmo ritmo durante toda a sessão. Esteja à vontade para variar, minuto a minuto, sessão a sessão. E, nos dias em que a chuva ou a dor seja de mais, uma sessão sentado dentro de casa também é boa.

Para mim, se a vida se resume a uma coisa, é ao movimento.
Viver é estar sempre em movimento.
Jerry Seinfeld

Quem já tenha desabafado com um amigo durante uma longa caminhada ou viagem de carro, conhecerá a sensação de alívio que resulta de falar e estar em movimento ao mesmo tempo. As palavras parecem fluir, passando de história em história. 

Enfeitiçado pela energia, dá por si a percorrer um caminho que se desenrola na sua cabeça. Pode não ver aonde o leva, mas não sente vontade de parar. Pelo contrário, embora possa não compreender o significado do que está a dizer, é dominado por um sentido de importância do instante. Segredos, raramente partilhados antes, são introduzidos na conversa com uma facilidade surpreendente. Quando o silêncio se instala, parece ser uma parte natural do percurso, e, à medida que avança pela estrada fora, de alguma maneira a «harmonia» dentro si mantém-se intacta. Há quem chame esta sensação de «fluxo» – o fenómeno em que parece que você está exatamente onde deve estar, a fazer rigorosamente o que deve fazer, nesse preciso momento.

A TCD não promete que vivenciará uma fluidez contínua, mas, como liga a terapia da comunicação a movimento, é uma prática em que costuma haver fluidez. A verdade é que o movimento é curativo – um remédio não apenas para o corpo mas também para a mente e a alma. No fundo, sabemos isto. O movimento é instintivo e está vinculado no nosso ADN – é por isso que experienciamos a fluidez descrita anteriormente e é por isso que as nossas ancas começam a mexer-se ao som de uma batida.

Portanto, porquê aprender apenas através da palavra falada, ou dos pensamentos, quando o corpo em movimento é tão informativo? O corpo comunica bem alto e é capaz de lhe dizer tudo, desde o que o faz feliz e triste à forma como lida com o stresse e a raiva. A sua postura curvada reflete o peso que o mundo deposita sobre os seus ombros nesta manhã de segunda-feira ventosa e chuvosa. O pulo que dá hoje ao andar pode ser uma consequência da sua promoção de ontem. A forma como corre pode indicar como se comporta no mundo exterior, por exemplo, nas suas relações pessoais ou na vida profissional. É rápido quando começa, mas cansa-se depressa? Tem um ritmo consistente, mas não consegue parar? Ou talvez só se preocupe com o sprint final, esquecendo-se de que a forma como iniciou a corrida também é importante?

O Que É a TCD

• A TCD é uma prática sem limite estabelecido, que continua até decidir parar.
• É orientada por si, por isso o nível de exigência física é aquele que você mesmo escolher.
• Trata-se tanto de se sentar e caminhar – ancorando-se a si mesmo e estando presente em vários estágios de
movimentos – como de correr.
• É proativa – uma reprodução física dos sentimentos na sua vida e das mudanças que deseja.

O Que a TCD Não É

• Não é uma forma nova de exercício físico.
• Não é um treino para ficar em forma rapidamente – quer física, mental ou emocionalmente.
• Não é apenas correr.
• Não exige um nível elevado de preparação física.

O movimento é crítico nas nossas vidas. Frequentemente, para podermos evoluir e ultrapassar as dificuldades, necessitamos de ter a sensação de passar por uma transição. O movimento altera a perspetiva e, ao fazê-lo, oferece clareza, aumenta a esperança, a determinação e as possibilidades. 

Crítico do poder desta prática é o fenómeno referido como «emoção em movimento», a sensação de estarmos em comunhão com os sentimentos e unidos a eles à medida que nos movemos. Podemos começar a ligar-nos com sentimentos que estão escondidos bem no fundo. Quando nos começamos a mover, as nossas emoções elevam-se, animadas pela energia que exercemos e pela história que estamos a contar a nós próprios. É como se, de alguma forma, o movimento se tornasse uma reprodução ou uma representação das nossas emoções íntimas. Esta «exposição» do que existe por dentro pode levar a um sentido maior de realização de quem somos, como se estivéssemos mais alinhados com nós mesmos. Este processo poderoso de caminhar ou correr na companhia dos nossos sentimentos, dentro e através deles, pode ser incrivelmente esclarecedor e libertador e é a base fundamental da TCD.

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Por vezes, a experiência é uma questão de familiarização, de nos aproximarmos e sabermos mais sobre uma emoção específica. Noutras vezes, é algo doloroso, em termos de permitir que a emoção suprimida finalmente flua mais livremente.

E, depois, às vezes, é apenas uma questão de avançar com calma, tendo uma noção maior de quem somos e do nosso lugar no mundo.

Quer esteja sozinho ou acompanhado por um amigo, esteja ciente do que vai começar. É importante respeitar o poder que este processo tem e torná-lo seu aliado. É frequente criar um impulso que pode levar a revelações surpreendentes – momentos de iluminação em que, de súbito, a verdade de uma memória em particular se torna clara, ou que você se lembre de um pormenor pela primeira vez. Ou é possível que sinta a plenitude de um sentimento como nunca experienciou antes. Isto pode ser agradável ou traumático.

Também é possível que se recorde de um momento ou de um elogio especial cujo significado na sua vida apenas agora se tornou evidente, ou talvez um confronto receado com um  ente querido ou o fim de uma relação importante. Demore o seu tempo, não há pressas. Não seja exigente consigo mesmo nem se sinta pressionado a desabafar com um amigo.

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Pedro Alves

Pedro Alves

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