Fasceíte Plantar: um problema que não larga os corredores…

A fasceíte plantar é uma das patologias mais comuns dos corredores nos dias de hoje, sendo a prevalência ligeiramente maior nas mulheres. O fisioterapeuta/osteoetiopata Pedro Carmona, especialista em Fisioterapia no Desporto, da Go Fisio, aborda o tema, um problema que afeta tanto atletas de elite como amadores. O pico de incidência regista-se entre os 45 e os 64 anos.  

 

Apesar de ser um problema cada vez mais presente nos corredores, a fasceíte plantar não é uma patologia exclusiva dos corredores. Pessoas com ocupações que impliquem estar longos períodos de tempo de pé, sedentários, obesos e militares também são populações de risco, revela Pedro Carmona, da Go Fisio.

Mas o que é a fasceíte plantar?

Antes de definir o que é a fasceíte plantar é necessário descrever a fáscia plantar, que é um conjunto de bandas de tecido conjuntivo que tem origem no calcâneo e que se prolonga até às falanges proximais. Quando é colocada em tensão, permite estabilizar as articulações do pé, permitindo a transmissão de forças durante a fase de propulsão (quando o pé sai do chão).

O termo “ite” atribui-se a uma crença inicial de que ocorria um processo inflamatório, algo que não se verificou em investigações seguintes. Hoje em dia sabe-se que se deve à repetição de pequenas lesões que levam a alterações histológicas, que resultam num processo degenerativo.

A fasceíte plantar é essencialmente um diagnóstico clínico. Apesar de a imagiologia (ecografia, raio-x, ressonância magnética) não ser recomendada numa avaliação inicial, pode ser considerada para diagnóstico diferencial, quando não se verificam melhorias com o tratamento conservador ao fim de alguns meses.

Quais os sintomas mais normais da fasceíte plantar?

Os sintomas normalmente descritos são dores na região plantar interna do calcanhar ao apoiar o pé no chão, que é frequentemente mais intensa durante os primeiros passos ao levantar de manhã (mas tende a melhorar com o descanso). A dor pode progredir ao longo do dia, especialmente quando uma pessoa se levanta após estar sentada durante algum tempo.

Porque os corredores são tão afectados?

Existem diversos factores de risco associados à fasceíte plantar que podem ser divididos em dois grandes grupos, intrínsecos e extrínsecos.

Dentro dos factores intrínsecos temos os riscos anatómicos (pé plano ou pé cavo, diferença de comprimento das pernas, excesso de peso,…), os riscos funcionais (encurtamento dos músculos solear e gastronémio ou fraqueza destes músculos e dos músculos intrínsecos do pé) e os riscos degenerativos (envelhecimento ou atrofia da gordura sob o calcanhar e rigidez da fáscia plantar).  No caso dos corredores há que dar particular atenção aos riscos funcionais referidos que podem ser minimizados através do trabalho de mobilidade e de fortalecimento muscular.

Os factores extrínsecos é que são responsáveis por esta patologia ser tão frequente na população de corredores. Seja devido ao sobreuso de determinadas estruturas que levam ao stress mecânico e microlesões; ao treino incorrecto: aumento súbito na distância/intensidade/duração dos treinos; e ao calçado inadequado: inadequação ao piso/atleta, troca por ténis com características muito diferentes, amortecimento pobre.

Não perca amanhã, quinta-feira, dia 10 de maio, como devemos tratar a fasceíte plantar

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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