Qual a grande diferença entre fome e apetite?

Sabias que os níveis baixos de açúcar no sangue ou de glicogénio nos músculos podem ser os responsáveis pelo surgimento de fadiga quando treinamos durante um período longo de tempo? Mas comer por se ter fome ou comer porque algum tipo de alimento nos despertou o apetite são situações muito diferentes. Se queremos manter o peso e a saúde, o melhor é aprender a distinguir as duas coisas.

 

O que é o apetite?
Vamos ver as grandes diferenças entre fome e apetite: o apetite desperta quando sentes o aroma de um pastel de nata acabado de fazer! O aroma da comida chega ao nosso cérebro, ou melhor, a um certo grupo de neurónios que se encontram no hipotálamo e o nosso corpo reage: cresce-nos água na boca e sentimos apetite. Temos vontade de deitar o dente a esse pastel que cheira tão bem apesar de termos almoçado há dez minutos. O apetite é seletivo e caprichoso, leva-nos a “comer com os olhos” tudo o que nos parece desejável. Ele não pensa na nossa sobrevivência como seres vivos, apenas lhe interessa o prazer momentâneo da refeição.

A estimulação do apetite pode produzir-se por fatores internos, como o desejo de “satisfazer o corpo” ou, como sucede neste caso, por fatores externos (o cheirinho do pastel). Apesar de termos acabado de comer e de sentirmos o estômago cheio, não podemos evitar ter vontade de comê-lo. Mas se não tivéssemos sentido o seu cheiro não sucumbiríamos à tentação e pouparíamos umas calorias extra.

O que é ter fome?
A fome é um mecanismo de sobrevivência básico, diz-nos que está na hora de comer e que o nosso corpo necessita de energia para manter o ritmo. Felizmente não estamos habituados a sentir fome, apesar de todos termos sentido (e ouvido) ruídos de vez em quando no nosso estômago. Quando comemos o dito pastelinho que cheira tão bem não é por fome, mas porque o apetite ou a gula toma conta de nós. O organismo reconhece a fome através de uma série de parâmetros. Um dos indicadores mais importantes é o nível de açúcar no sangue, que deve manter-se constante para garantir o transporte permanente de glicose ao cérebro de modo que as funções vitais se mantenham. Se os níveis de glicose descem, os alarmes disparam e ativa-se o “centro da fome”, localizado no hipotálamo, libertando neurotransmissores, neuropéptidos e hormonas que nos informam que temos que comer rapidamente, contribuindo deste modo para aumentar a quantidade de glicose presente no nosso sangue. Quando damos a primeira dentada, as mucosas da boca enviam ao hipotálamo o primeiro sinal positivo para controlar a fome. O alimento passa da boca para o estômago e, enquanto este se apercebe que o organismo está novamente a “encher-se”, as mucosas enviam mais sinais ao cérebro acerca da chegada destes nutrientes. Depois, os hidratos de carbono passam para o sangue sob a forma de açúcar e o cérebro retém a dose de que necessita. A insulina, que é a hormona que regula o açúcar no sangue, leva os ditos nutrientes até às outras células do corpo.

Felizmente é raro sentirmos fome ao longo do dia, mas estamos expostos à sensação de apetite por alimentos concretos, como a ânsia por comer chocolate. Quem nunca suspirou a meio da tarde por uma tablete de chocolate com a desculpa de precisar de energia? É verdade que a ingestão de chocolate favorece a produção de serotonina, hormona que proporciona açúcar, só que esse açúcar não chega rapidamente às nossas células sob a forma de energia.

Em situações de stresse, o problema complica-se. Perdemos o controlo do nosso organismo e passamos a comer que nem uns doidos ou então perdemos a fome por completo, o que pode originar o começo de um transtorno alimentar mais sério.

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

Gostou? Partilhe pelos amigos