A importância das dietas de base vegetal na nossa alimentação

Mestre em Nutrição Clínica, Gabriel Mateus, no segundo dia d´«A Semana “É necessário fazer qualquer coisa”», apresenta números que comprovam que, nos nossos dias, ter uma dieta vegetariana é benéfico para a nossa saúde. «Um estudo prospetivo que acompanhou 131342 participantes ao longo de 30 anos concluiu que consumir mais proteína vegetal esteve associado a uma diminuição de 10% na mortalidade total e 12% na morte por doença cardiovascular», refere no seu artigo.

 

Recentemente, o relatório da Comissão Científica responsável pelas recomendações alimentares dos EUA definiu, com base na literatura disponível, que os padrões alimentares saudáveis associados a benefícios para a saúde e prevenção de doenças incluem consumo elevados de vegetais, frutos, cereais integrais, laticínios magros, peixe, leguminosas e frutos secos; consumo moderado ou ausência de consumo de álcool; consumo baixo de carnes vermelhas e processadas; consumo baixo de bebidas e alimentos açucarados e farinhas refinadas.

A mesma revisão assinalou três padrões alimentares consistentes com uma redução de risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral, diabetes e alguns cancros: dieta ocidental saudável, dieta vegetariana saudável e dieta mediterrânica saudável14.

A mais recente revisão sistemática e meta-análise a estudos com dietas de base vegetal concluiu que uma dieta vegetariana esteve associada a uma diminuição de 25% de doença arterial coronária e 8% de cancro. Quando levou em consideração as diferentes dietas de base vegetal mostrou também que uma dieta vegana (com exclusão total de produtos animais) esteve associada a uma diminuição de 15% no risco de cancro, sendo que aqueles que seguiram uma dieta vegetariana ou vegana tinham menor peso, menos colesterol e níveis de glicose no sangue, quando comparado com dietas omnívoras7.

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Uma das preocupações comuns com as dietas de base vegetal é a qualidade das proteínas ingeridas e a possibilidade de existirem carências. No entanto, dificilmente se observam carências de proteína em dietas de base vegetal bem planeadas, sem restrição calórica. Além disso, parecem existir vantagens para a saúde a longo prazo na ingestão de proteínas de origem vegetal.

Um estudo prospetivo que acompanhou 131342 participantes ao longo de 30 anos concluiu que consumir mais proteína vegetal esteve associado a uma diminuição de 10% na mortalidade total e 12% na morte por doença cardiovascular. O mesmo estudo concluiu também que substituir 3% das calorias de proteína animal por vegetal esteve associado a uma diminuição do risco de mortalidade. Essa diminuição foi de 34% quando substituiu carnes processadas, 19% no caso dos ovos e 12% no caso das carnes vermelhas15.

 

 

O risco de consumir proteína animal

Além da qualidade da proteína, a quantidade poderá também ter efeitos na saúde. Um estudo prospetivo que acompanhou 6381 participantes ao longo de 18 anos mostrou que aqueles que consumiram mais proteína animal (20% calorias totais diárias) tiveram um risco 4 vezes superior de cancro e um risco 74% superior de mortalidade, concluindo por isso que as proteínas animais estão mais associadas a mortalidade precoce do que as vegetais16.  

Um estudo clínico aleatorizado que incluiu 7447 participantes com risco elevado de doença cardiovascular mostrou que um consumo elevado de proteína esteve associado a um risco superior de mortalidade a longo prazo e que o consumo elevado de proteína animal esteve associado a eventos cardiovasculares fatais e não fatais17.

 

CONTATOS

Gabriel Mateus
Mestre em Nutrição Clínica

Gabriel Mateus é o fundador e presidente da Associação Projeto Safira. O Projeto Safira é uma Associação sem fins lucrativos, fundado em 2013, que presta apoio a doentes oncológicos e promove ações de esclarecimento sobre a prevenção do cancro e promoção da saúde. No âmbito das atividades promovidas pela associação, Gabriel Mateus criou um curso teórico-prático sobre o papel da alimentação na prevenção do cancro e de outras doenças crónicas com o nome “Fazer da Cozinha uma Farmácia”

Email: gabriel@projetosafira.org

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REFERÊNCIAS

7. Dinu M, Abbate R, Gensini GF, Casini A, Sofi F. Vegetarian, vegan diets and multiple health outcomes: a systematic review with meta-analysis of observational studies. Crit Rev Food Sci Nutr. 6 de Fevereiro de 2016;0(ja):00–00. 

14. Millen BE, Abrams S, Adams-Campbell L, Anderson CA, Brenna JT, Campbell WW, et al. The 2015 Dietary Guidelines Advisory Committee Scientific Report: Development and Major Conclusions. Adv Nutr Bethesda Md. Maio de 2016;7(3):438–44. 

15. Song M, Fung TT, Hu FB, Willett WC, Longo VD, Chan AT, et al. Association of Animal and Plant Protein Intake With All-Cause and Cause-Specific Mortality. JAMA Intern Med. 1 de Agosto de 2016;

16. Levine ME, Suarez JA, Brandhorst S, Balasubramanian P, Cheng C-W, Madia F, et al. Low Protein Intake Is Associated with a Major Reduction in IGF-1, Cancer, and Overall Mortality in the 65 and Younger but Not Older Population. Cell Metab. 4 de Março de 2014;19(3):407–17. 

17. Hernández-Alonso P, Salas-Salvadó J, Ruiz-Canela M, Corella D, Estruch R, Fitó M, et al. High dietary protein intake is associated with an increased body weight and total death risk. Clin Nutr. 1 de Abril de 2016;35(2):496–506. 

 

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Pedro Alves

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