Dieta de base vegetal não prejudica o rendimento do atleta

Ao contrário do que muitos acreditam, uma dieta de base vegetal não prejudica o rendimento do atleta, ressalva Gabriel Mateus, Mestre em Nutrição Clínica, no terceiro dia d´«A Semana “É necessário fazer qualquer coisa”».

 

Parece por isso haver toda a vantagem em optarmos o mais possível por padrões alimentares ricos em vegetais, frutos, leguminosas, cereais integrais, frutos secos e sementes. Essas vantagens são observadas principalmente a longo prazo ao diminuírem o risco de doenças crónicas, sem que comprometam objetivos a curto prazo de atletas ou pessoas com uma atividade física intensa e regular, desde que devidamente planeadas.

A acompanhar o amplo consenso das vantagens das dietas de base vegetal para a saúde, a Academia de Nutrição e Dietética dos EUA, com base na revisão da evidência científica disponível, concluiu e declarou que “dietas vegetarianas convenientemente planeadas, incluindo veganas, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem prover benefícios para a saúde na prevenção e tratamento de certas doenças”. Acrescentou também que “estas dietas são apropriadas para todos os estágios do ciclo de vida, incluindo a gravidez, a amamentação, a infância, a adolescência, a terceira-idade e para atletas”18.

As necessidades energéticas e nutricionais dos atletas variam em função do tipo de atividade que praticam e da sua composição corporal. O objetivo de uma dieta preparada para um atleta deverá ser a manutenção da sua saúde e ausência de lesões, ao mesmo tempo que o permita o maior rendimento possível19. Para isso, as recomendações para a ingestão de macronutrientes são 1,2 a 2,0 g de proteína diariamente por kg de peso corporal; 3,0 a 10 g de hidratos de carbono diariamente por kg de peso corporal, podendo chegar às 12 g no caso de atividades extremas ou prolongadas; entre 20 a 35% de gorduras19.

Dieta vegetal ajuda a reduzir o stress oxidativo associado à atividade física

Por outro lado, e uma vez que o exercício físico aumenta o consumo de oxigénio 10 a 15 vezes, o que pode contribuir para um maior stress oxidativo, atletas que não consumam suficientes frutos, vegetais, leguminosas e cereais integrais estão em risco de deficiência de antioxidantes19. Nesse sentido, uma dieta de vegetal bem planeada, naturalmente rica em antioxidantes e fitoquímicos com propriedades anti-inflamatórias, poderá ajudar a reduzir o stress oxidativo associado à atividade física e a melhorar a função imunitária20.

 

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No entanto, uma dieta vegetariana poderá estar em maior risco de carência de alguns micronutrientes como vitamina B12, cálcio, vitamina D e zinco, contrariamente a uma dieta omnívora que tem maior risco de carência de vitamina E, vitamina C, magnésio, niacina e ácido fólico19,21.

Quando se leva em consideração o rendimento em atletas que façam dietas de base vegetal não parece haver diferenças entre esses atletas e aqueles que fazem uma dieta omnívora, sendo por isso compatível com a prática desportiva, desde que bem planeada para evitar deficiências nutricionais22,23.

 

CONTATOS

Gabriel Mateus
Mestre em Nutrição Clínica

Gabriel Mateus é o fundador e presidente da Associação Projeto Safira. O Projeto Safira é uma Associação sem fins lucrativos, fundado em 2013, que presta apoio a doentes oncológicos e promove ações de esclarecimento sobre a prevenção do cancro e promoção da saúde. No âmbito das atividades promovidas pela associação, Gabriel Mateus criou um curso teórico-prático sobre o papel da alimentação na prevenção do cancro e de outras doenças crónicas com o nome “Fazer da Cozinha uma Farmácia”

Email: gabriel@projetosafira.org

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REFERÊNCIAS

18. Melina V, Craig W, Levin S. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics: Vegetarian Diets. J Acad Nutr Diet. 1 de Dezembro de 2016;116(12):1970–80. 

19. Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. American College of Sports Medicine Joint Position Statement. Nutrition and Athletic Performance. Med Sci Sports Exerc. Março de 2016;48(3):543–68. 

20. Trapp D, Knez W, Sinclair W. Could a vegetarian diet reduce exercise-induced oxidative stress? A review of the literature. J Sports Sci. 1 de Outubro de 2010;28(12):1261–8. 

21. Schüpbach R, Wegmüller R, Berguerand C, Bui M, Herter-Aeberli I. Micronutrient status and intake in omnivores, vegetarians and vegans in Switzerland. Eur J Nutr. Fevereiro de 2017;56(1):283–93. 

22. Ferreira LG, Burini RC, Maia AF. Vegetarian diets and sports performance. Rev Nutr. Agosto de 2006;19(4):469–77. 

23. Craddock JC, Probst YC, Peoples GE. Vegetarian and Omnivorous Nutrition – Comparing Physical Performance. Int J Sport Nutr Exerc Metab. Junho de 2016;26(3):212–20. 

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Pedro Alves

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