Dar tudo ou não dar tudo? Eis a questão

Há umas semanas deparei-me com um texto de uma pessoa em que fazia uma pequena descrição de uma prova feita onde falava sobre o dar tudo em competição, o chamado “ir à morte”. Será que devemos mesmo ir à morte ou será que devemos controlar a nossa prova?

 

Há, claro, teorias para todos os gostos e feitios. Há quem goste de andar sempre no limite e, não raras vezes, estoira; e há quem goste de gerir sempre e, no final, muitas vezes pensa que podia ter feito mais e melhor.

Uma das razões para que façam provas no limite é a definição dos objetivos, muitas vezes mal definidos e irreais. Na maior parte dos casos, os objetivos são definidos de acordo com os tempos obtidos em treino.

Na corrida confunde-se muitas vezes os tempos das séries feitas em ritmo de prova – normalmente são a fundo – com o que realmente se pode fazer na competição. As séries são mais curtas do que a distância real da prova, por exemplo.

Nos desportos multidisciplinares, como o Triatlo ou o Duatlo, há a tendência para se definirem os objetivos com base no que se faz nos treinos de cada um dos segmentos. Só que, por regra, os segmentos são treinados individualmente. Ora, se eu treino o ciclismo a 30 km/h, por exemplo, e defino isso como objetivo da prova, corro um sério risco de pagar a factura na corrida.

Na corrida, se treino a 5 min/km, talvez não deva definir esse tempo como objetivo depois de ter feito um segmento de ciclismo e outro de natação ou corrida, pois vou estar muito mais cansado que no treino.

Corpo humano é como o motor de um carro

Outra perspetiva que posso dar para não andarem sempre “à morte” é que o corpo humano é como o motor de um carro, tem uma “redline”, um ponto a partir do qual já não estamos a tirar partido do motor, mas a desgastá-lo, sem ganhar nada com isso. É importante perceber e saber qual é o nosso limite, o nosso “redline” a partir do qual já não temos vantagens. E não devemos andar acima dele…

Vamos acabar por partir, como o motor de carro.

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Além disso, convém ter presente que o nosso motor, à medida que a prova avança e nos vamos cansando, vai consumindo mais, ou seja, as pulsações vão subindo e o esforço vai sendo maior para manter a mesma velocidade. Portanto, dá jeito manter alguma energia para a parte final da prova.

Acham que quem faz uma Maratona a 3 min/km vai no limite? Não mesmo!!! Se assim fosse, seria impossível fazer médias abaixo dos 3 min/km entre os 35 km e os 40 km.

A escolha da forma como fazes as provas é, evidentemente, tua. Se achas que não consegues fazer uma prova a controlar o ritmo, procura quem te possa ensinar e ajudar. Porque… Sim, é possível!

CONTATOS:

Jorge Boim
Sports Mental Coach
Telemóvel: 966 856 843
Email: jorgeboim@sportshypnocoach.pt
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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