É impossível controlar tudo

No meu último texto falei um pouco sobre o controlo dos pensamentos (leia aqui), sobre quando os controlar ou, simplesmente, deixar que a mente vagueie sem controlo, estando apenas atento ao que ela nos traz. Hoje falo-vos de outro controlo…

 

Quase todos os atletas têm uma certa necessidade de controlar tudo e, não raras vezes, com essa necessidade, perde-se a capacidade de adaptação ao que nos rodeia. Se em treino isso até nem é especialmente preocupante, em prova pode ser.

Os atletas, quando estão a preparar a sua prova, normalmente prestam atenção a todos os pormenores, a todos os detalhes. No entanto, mesmo tendo atenção aos pormenores, há situações que, pura e simplesmente, jamais controlamos. Falo de situações tão simples como o tempo, a altimetria que afinal não era bem como estava no site da prova, o abastecimento que estava 1 quilómetro à frente do indicado, um pé torcido num buraco que não se viu ou um furo inesperado.

Tudo isto são coisas que, em prova, nos podem mentalmente deitar abaixo. Por isso, não é raro que, ao passarem por estas situações inesperadas, os atletas desmotivem, desmoralizem perante a situação que, acreditam, os vai impedir de atingir o objetivo. E é aqui que entra a capacidade de não controlar, de se adaptar.

Não é possível nem saudável controlar tudo

Uma boa preparação para uma prova é, também, a preparação para a adaptação a todas as situações não previstas. É ter a capacidade para gerir a surpresa, mudar objetivos ou até estratégias de prova.

Lembro-me que, para fazer os meus primeiros 20 km de corrida, preparei a prova ao “milímetro”. No entanto, o dia estava mais quente do que o previsto e, por isso mesmo, a desidratação maior. Logo, a previsão de apanhar uma água nos abastecimentos e dar uns golinhos já estava desatualizada, já era preciso apanhar duas águas, beber mais e “banhar-me” mais. Se não o tivesse feito, dificilmente teria corrido tão bem.

Isto do controlo é válido para estas coisas que acabo de referir, mas também para outras, como aqueles hábitos que quase todos temos: têm que ser aquelas meias, aqueles calções, ouvir aquela música, etc. Muitas vezes, quando as coisas não correm como programado, instala-se aquela sensação de que “isto hoje não vai correr bem”.

Há, em relação ao controlo, duas coisas que acho importante que se lembrem:

Apenas conseguimos controlar o que nós fazemos. O que acontece fora de nós está completamente fora do nosso controlo (sejam outros atletas, o tempo, altimetria, o piso da prova, os furos, etc.)

Façamos o melhor que possamos fazer em cada momento, darmos tudo o que é possível de nós. Mais do que isto não é possível controlar.

CONTATOS:

Jorge Boim
Sports Mental Coach
Telemóvel: 966 856 843
Email: jorgeboim@sportshypnocoach.pt
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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