Conselhos fundamentais para a Maratona

A grande maioria dos corredores sonha um dia correr uma Maratona. Aliás, correr os míticos 42.195 metros virou uma moda que contagia até quem está a dar as suas primeira passadas, o que leva alguns atletas a correr precocemente a distância, ou seja, sem uma base e uma experiência apropriada e sem treinos adequados. O nosso especialista, Belino Coelho, diretor técnico da Elite Assessoria Esportiva, do Brasil, responsável pelo treino e orientação de mais de 150 atletas, aborda esta semana em dois artigos (o segundo publicado amanhã) esta temática, oferecendo conselhos obrigatórios para quem sonha correr mais de uma vez na vida a Maratona.

 

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Os atletas que correm precocemente uma Maratona são sérios candidatos a contrair uma lesão, podendo comprometer inclusive a sua longevidade dentro do esporte ou a sua qualidade de vida na terceira idade.

A decisão de correr uma Maratona deve ser tomada em conjunto com o treinador. É preciso avaliar uma série de variáveis, tais como a base de treinamento, o tempo disponível para o mesmo até o dia da prova, a experiência em provas menores e de média distância como a Meia-maratona, o histórico de lesões, etc.

Com essas variáveis a favor, é só ter paciência, confiança e disciplina que o risco de lesão será baixo, assim como a dificuldade de se locomover no pós-maratona.

Correr uma Maratona é fácil, o difícil é treinar para ela…

Se o objetivo é correr várias Maratonas durante toda a vida, os meus conselhos são os seguintes:

• Deixe para fazer a sua estreia numa Maratona quando, no mínimo, tiver dois anos de treinamento ininterrupto. O ideal seria a partir do quarto ano de treinamento, tempo suficiente para adquirir uma excelente base (condição aeróbia, força e resistência muscular, ossos e estruturas articulares e ligamentares mais fortes, técnica de corrida mais apurada, condição psicológica a favor e experiência)

• Escolha uma Maratona mais fácil, com clima e percurso favorável. Quanto mais complicada a prova, mais difícil será o treinamento. Mesmo com uma boa base, o risco de lesão aumenta por se tratar da primeira Maratona

• Defina com o seu treinador quais as provas que servirão de avaliação e competição. É importante participar tantos das provas mais curtas quanto as de média distância para ganhar confiança e ritmo de competição

• Os treinos longos devem ser executados num ritmo mais lento, que priorize a utilização da gordura como combustível. Isso fará com que o seu organismo armazene gordura dentro da célula muscular, tornando o processo de oxidação e produção de energia mais rápido, o que faz com que você consiga, com o decorrer do tempo, correr mais rápido o seu longo e, consequentemente, a Maratona. Muitos atletas acreditam que, quanto mais rápido correrem o “longo”, mais rápido correrão a Maratona. Isso é uma grande ilusão porque o sistema energético utilizado não prioriza a utilização da gordura. Com isso, além de sofrer no treino, na Maratona você entrará precocemente em fadiga

• Tente disponibilizar pelo menos cinco dias de treino de corrida para que a maioria das variáveis do treinamento (força, resistência de força, velocidade, resistência de velocidade, recuperação ativa, resistência muscular e cardiorrespiratória) sejam trabalhadas, tanto no aspecto de desenvolvimento da condição quanto no aspecto da sua manutenção, de modo a permitir que o atleta não perca a condição até então adquirida

Não suba o volume de treinamento de forma rápida, permita que o seu organismo se recupere primeiro da carga anterior. Portanto, aplique o mesmo estímulo para estabilizar a sua condição e só depois imponha um novo estímulo com um volume maior. Isso reduzirá as chances de lesões e tornará o treino menos difícil

Ficou com alguma dúvida ou tem alguma sugestão de tema que gostaria que fosse abordado? Escreva para o endereço belino.coelho@eliteesportiva.com.br ou telefone para o número +55 11 5518-3409.

  • Este texto é escrito em português do Brasil
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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