Atletas veteranos: superação do declínio biológico

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O envelhecimento envolve uma perda na complexidade da fisiologia e do comportamento. Assim sendo, à medida que um indivíduo envelhece torna-se menos capaz de produzir comportamentos complexos, podendo esta perda de complexidade ser compreendida como um índice de morbilidade e de mortalidade. Apesar do envelhecimento se tratar, do ponto de vista biológico, de um processo contínuo durante o qual ocorre declínio progressivo de todas as funções do organismo, os níveis de morbidade associados têm sido contornados por diversos atletas acima dos 35 anos, designados por atletas veteranos. Artigo assinado pela especialista Raquel Costa.

 

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A literatura reporta-nos diversas investigações demonstrando que um estilo de vida ativo e saudável pode retardar o surgimento de alterações morfo-funcionais que ocorrem no processo de envelhecimento. Contudo, quando se fala em exercício físico para adultos mais velhos, é comum associar-se a benefícios derivados das atividades não competitivas de intensidade baixa a moderada, como caminhada e aulas de dança e fitness, sugerindo que esta população deverá evitar exercício vigoroso.
Neste sentido, o desporto intenso, vigoroso e competitivo é tipicamente associado aos jovens. No entanto, mais recentemente, investigadores enfatizaram o papel do desporto competitivo como uma atividade ideal para a manutenção e melhoria da saúde, mas também para a gestão da identidade entre os adultos mais velhos na base de que as vantagens de participação desportiva se aplicam ao longo da vida e se estendem para além dos benefícios do exercício físico regular. Esta razão será a base da constante procura e interesse dos atletas veteranos em melhorar a sua performance física.

No atleta veterano, a sua performance física é caraterizada por uma função diastólica do ventrículo esquerdo mais eficiente e um maior volume sistólico em repouso e em diferentes intensidades de exercícios dinâmicos do que os seus pares sedentários.

O atleta veterano apresenta também incrementos mais lentos da frequência cardíaca e do consumo de oxigénio quando comparados com indivíduos jovens, o que pode resultar em consequências na fase inicial do esforço físico, com um maior débito de oxigénio e possivelmente uma relação oferta-demanda menos favorável para o miocárdio. Estas consequências podem ser evitadas com um maior cuidado no período de ativação motora (comumente designado de aquecimento).

Por fim, no atleta veterano verifica-se ainda uma diminuição da massa e força ao nível muscular. É observada uma diminuição do volume das fibras musculares esqueléticas do tipo I e do tipo II, proporcionalmente maior nessas últimas, em parte como consequência da redução ou da modificação da forma de uso. Isso produz uma diminuição da massa muscular e da potência anaeróbia. Importa realçar que estes efeitos podem ser atenuados com o treino regular.

Apesar das positivas caraterísticas que o atleta veterano possui, quando comparado com a maioria de pessoas da sua idade, este também está mais predisposto à ocorrência de lesões músculo-esqueléticas, à medida que a idade avança. A ocorrência de lesões ligadas à corrida pode dever-se aos exercícios de ativação motora e de alongamentos, desequilíbrio muscular, frequência de treinos, estabilidade do padrão da marcha, entre outros.

Neste sentido, além das indicações referidas anteriormente, torna-se importante acrescentar como importante para a preparação do atleta veterano a realização frequente de exercícios de flexibilidade e alongamentos. Neste caso, mostram-se mais seguras as técnicas de alongamento estático em relação ao dinâmico e facilitação neuromuscular propriocetiva.

Futuros artigos irão desenvolver mais especificamente cada temática aqui referida, assim como outras temáticas subjacentes. Para finalizar, gostaria de salientar o facto positivo do número de atletas veteranos continuar a crescer e enfatizar o crescente interesse destes fantásticos atletas na manutenção de um alto nível de desempenho físico durante todo o tempo de vida.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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