A importância de gerir a motivação e a estabilidade emocional

No desporto, um dos fatores mais falados para se atingir bons resultados é a motivação. No entanto, o que normalmente não se fala é que a motivação, quando originada por fatores extrínsecos – ou seja, fora de nós, atletas – ou em excesso, também pode ser prejudicial a um bom desempenho. Outro fator altamente importante e que habitualmente não se fala é o da estabilidade emocional. Em muitas provas, é até mais importante do que a motivação, pois pode deitar muito rapidamente tudo a perder.

 

O desporto onde retiro mais satisfação é o duatlo. Não gostando muito de natação, o duatlo inclui as outras duas modalidades, que são as que realmente me dão prazer praticar: a corrida e o ciclismo. No passado dia 24 de fevereiro realizou-se mais um Duatlo de Arronches. Para quem não conhece o percurso, e eu não o conhecia, é um constante sobe e desce, quer nos segmentos de corrida, quer no ciclismo. No entanto, estava motivadíssimo a fazer o meu melhor tempo de sempre na distância.

E estava muito mais motivado do que o normal porque, cerca de 10 dias antes, vi partir uma pessoa muito próxima e a quem muito do que sou hoje tenho de agradecer, pessoal e desportivamente.

Durante esse período, a estabilidade emocional foi pouca ou nenhuma. No entanto, queria honrar ou homenagear o meu pai nessa prova, queria fazer o meu recorde pessoal, queria alcançar um desempenho como nunca antes alcançado.

Portanto, motivação não me faltava…

Jorge Boim viveu uma montanha russa de emoções

Aliás, era até demais, como depois comprovei em prova. Só que, nesse período, devido à “montanha russa” emocional na qual estava a passar, não há a capacidade de o perceber. Além disso, o treino foi em menor quantidade que o normal e não tive sequer cabeça para ir ver a altimetria do percurso (o site dizia uma coisa “ligeiramente” diferente do real).

Chegado à prova, a motivação estava mais que nos píncaros. O tempo estava bom, o ambiente excelente, etc. Enfim, tudo estava a correr bem. Fiz o aquecimento como sempre, embora ligeiramente mais curto, e lá fui para a partida. Convém aqui dizer que não corro para ganhar provas, sendo até dos últimos nestas provas – este pessoal anda mesmo muito depressa –, mas isso não me faz ter menos prazer no que faço.

Ao fim de uns 500 metros de prova já estava no meu lugar normal, bem no final do pelotão. Mas tudo bem! A primeira corrida era bem pior do que pensava ser – parece que sobe mais do que desce… -, ainda assim lá ia eu dentro do tempo que queria alcançar. A primeira metade da corrida foi boa, a segunda já foi menos boa e o tempo médio foi o do costume: estava a perder a batalha para a qual me tinha motivado. “Compenso isto no ciclismo”, pensava eu.

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Jorge Boim
Sports Mental Coach
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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