A importância da recuperação pós-prova (Parte 1)

O nosso especialista Belino Coelho, diretor técnico da Elite Assessoria Esportiva, do Brasil, responsável pelo treino e orientação de mais de 150 atletas, entre profissionais e amadores, aborda em duas partes (a segunda será publicada amanhã) um dos temas mais ignorados pelos corredores: a recuperação pós-prova.

 

Nestes vários anos de experiência que tenho no Atletismo, principalmente na modalidade “corrida de rua”, tenho observado que muitos atletas, após a sua prova ou competição principal, acabam por não conceder à recuperação a devida importância, já que acreditam que, nesse período, perderão condição física e chegarão mesmo a engordar.

Antes de falarmos da recuperação em si, precisamos entender em primeiro lugar como funciona a periodização do treino. Para chegar ao ápice da condição física na competição alvo escolhida, o atleta passa por três fases, que são elas:

 

  • Período de Desenvolvimento Básico: destinado ao treino de ganho de massa muscular, força, resistência de força e resistência aeróbia. Nesse período existe o predomínio do volume sobre a intensidade.

 

  • Período de Desenvolvimento Especial: este mesociclo é divido em três etapas:
    • Especial 1: volume de treino começa a cair e a intensidade aumenta.
    • Especial 2: menor volume e treinos de alta intensidade.
    • Período competitivo: período no qual os treinos são uma espécie de ensaio, são treinos de manutenção até a prova. Nesta fase o atleta já se encontra no melhor da sua condição física.

 

  • Período de Transição: nesta fase do treino há uma diminuição considerável do volume e intensidade para que o atleta se recupere de toda a sobrecarga a qual foi exposto para se atingir o ápice no macrociclo anterior. Como exemplo podemos fazer uma analogia: é como o atleta fosse um telemóvel que está a recarregar a bateria para ser novamente utilizado.

 

Durante a competição principal, ao atleta é exigido o limite, gerando microlesões nos músculos e nas suas estruturas, como as mitocôndrias e sarcómero, ou microlesões nos órgãos internos, gerando inflamações. Há ainda a  depleção do glicogénio muscular, a dimuição dos sais minerais, principalmente de sódio e cálcio, o aumento da quantidade do hormónio “Cortisol”, que tem função catabólica em nosso organismo, além do stress emocional. Quanto maior o volume ou a intensidade da prova, maior será o dano causado ao organismo.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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