A dor faz parte, o sofrimento é uma escolha

A dor, a capacidade de sofrimento ou de sacrifício devem fazer parte da corrida? Evidentemente que sim! No entanto, quando isso vira o foco, há urgentemente de alterar a nossa atitude.

 

É muito comum lermos ou ouvirmos atletas a falar da capacidade de sofrimento ou de sacrifício, da forma como sofreram e, mesmo assim, acabaram as provas em questão. É também bastante comum que os atletas interiorizem que vão sofrer em determinada prova, como se, de alguma forma, isso tivesse mesmo que acontecer.

Quando assim é, quando os atletas interiorizam que tal vai acontecer, esta sensação torna-se numa crença. Ou seja, algo que o atleta acredita que vai acontecer e, claro, acaba mesmo por acontecer. No entanto, não tem que acontecer!

Quando se pratica desporto de competição, mais ou menos alta, as dores fazem parte. Dores musculares, articulares ou outras são parte integrante do esforço físico. Naturalmente, essas dores são de uma intensidade variável, de acordo com o esforço que cada um despende e da preparação que realizou para a competição.

Aceitando isto, entramos no campo do sofrimento quando o nosso foco, a nossa atenção, está nessas dores. Quando nos focamos nas dores e não no resto, quando só estamos a olhar para o corpo e não para a prova propriamente dita, a nossa mente vai potenciar cada sensação, cada dor, cada desconforto, por mais pequena que esta seja. Claro está que cada pequena dor se torna grande e cada grande dor se torna enorme, numa pequena espiral negativa que só se esgota no final da prova.

Estratégias para superar a dor

Para dar volta a esta situação, o ideal seria fazer um trabalho prévio com alguém especializado, de modo a terminar por completo com esta noção de que se vai sofrer, eliminar a situação em vez de preparar a sua superação. Não querendo, ou não podendo o atleta fazer este trabalho, a sugestão é enganar o “problema” mudando o foco, a atenção.

Quando a dor aparece, a primeira coisa a fazer é aceitar. E aceitar que ela lá está é saber que se tem a possibilidade de a controlar. Em vez de se focar na dor, no corpo, o atleta pode e deve olhar para o lado, para o público, para outros atletas. Pode passar em revista a sua alimentação para os quilómetros seguintes, dar uma vista de olhos ao seu ritmo e se está dentro do objetivo, etc. Pontualmente, o foco irá voltar ao corpo e, nessas alturas, deverá fazer novamente o exercício de pensar, de se focar em outras coisas da prova.

Numa sugestão final, algo que regra geral funciona bem, é definir objetivos intermédios, segmentar a prova. Faça blocos curtos. Dependendo da corrida, estes blocos podem ir de 1 km – para provas de 10 km – até blocos de 5 km – para Maratonas. Vá olhando apenas e só para o bloco em que está em cada momento. Desta forma, conseguirá ter o foco mais no caminho e menos no corpo, evitando o sofrimento que, como disse no título, é uma escolha e não uma obrigação.

CONTATOS:

Jorge Boim
Sports Mental Coach
Telemóvel: 966 856 843
Email: jorgeboim@sportshypnocoach.pt
Site
Facebook

Veja aqui mais artigos de Jorge Boim

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos