A corrida e a sua conflituosa relação com a gravidez

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Um dos temas mais polémicos no Mundo da Corrida é a relação corrida-gravidez. O nosso especialista Belino Coelho, diretor técnico da Elite Assessoria Esportiva, do Brasil, responsável pelo treino e orientação de mais de 150 atletas, aborda esta semana e na próxima este pertinente assunto.

 

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Muitas mulheres que desejam engravidar ou que já estão no período gestacional acabam parando de correr. A orientação médica (a mulher possui algum tipo de restrição no qual a corrida interfere negativamente nesse processo) e o medo de não conseguir engravidar por fatores desencadeados pela corrida, que podem comprometer a gestação, são apenas dois motivos que levam a essa tomada de decisão.

No entanto, a mulher que deseja engravidar pode e deve continuar a praticar a corrida ou a caminhada. A corrida só vai atrapalhar o processo de engravidar se for uma atleta que treina intensamente e exaustivamente para obter um nível de alta performance ou se existir algum exagero nos treinos, que pode levar o organismo ao esgotamento, comprometendo o seu peso corporal, o equilíbrio metabólico e a produção de hormônios que regulam o ciclo menstrual (podendo em muitos casos prejudicar e até interromper o processo de ovulação, o denominado bloqueio do eixo hipofisário-ovariano). Nesse caso em concreto, a atleta pode demorar muito tempo ou ter muita dificuldade em conseguir engravidar, mas esses casos costumam ser mais específicos e pontuais.

Ou seja, se deseja engravidar, é uma corredora assídua e treina intensamente, o primeiro passo a tomar é procurar um ginecologista, que poderá solicitar alguns exames e orientar melhor em relação à continuidade da corrida (ou não…). Se não houver restrições, o ideal é diminuir a intensidade e o volume da corrida aquando do período ovulatório.

Um estudo recente publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (American Society for Reproductive Medicine – ASRM) demonstrou que a atividade física de intensidade moderada pode ajudar mulheres com peso normal a engravidar mais rapidamente. Porém, a atividade física vigorosa ou excessiva pode até retardar a gravidez, exceto para mulheres obesas ou com sobrepeso.

Portando, a corrida não atrapalha as mulheres que querem engravidar, embora deva ressaltar que é sempre importante consultar o ginecologista e ter a orientação de um profissional da área de Educação Física especialista em corrida, tendo em vista o planejamento das cargas de treino.

Na próxima semana falarei sobre a corrida e a sua relação com o período gestacional.

Ficou com alguma dúvida ou tem alguma sugestão de tema que gostaria que fosse abordado? Escreva para o endereço belino.coelho@eliteesportiva.com.br ou telefone para o número +55 11 5518-3409.

  • Este texto é escrito em português do Brasil
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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