Luís Pereira baixou muito o ritmo para evitar a exaustão na Wings for Life World Run

A Wings for Life World Run é uma corrida sem meta. Vencedor da etapa de Taiwan, Luís Pereira revela que sentiu uma «sensação de impotência muito grande» com o aproximar do “Carro Meta”. O português confessa ainda a sua alegria por ter finalmente participado na prova.

 

O que um atleta sente com o aproximar do “Carro Meta”? Como gere essa luta mental em querer correr mais e não conseguir fugir da meta móvel?
Vivi esse momento já sabendo que tinha vencido a prova. Aliás, quando soube, o meu ritmo caiu de imediato e a chegada do carro foi quase que uma benção para mim. Ia em muito sofrimento, lutei muito para vencer.
Mas é uma sensação de impotência muito grande, o carro já nos alcança a rolar acima dos 20 km/h. Ou seja, implicaria, para fugir dele, uma passada impossível para o momento.

Luís Pereira finalmente conseguiu um dos seus sonhos: correr a Wings for Life World Run
Luís Pereira finalmente conseguiu um dos seus sonhos: correr a Wings for Life World Run

Foi a primeira vez que participou na prova?
Tentei sempre participar em todas as edições que decorreram no Porto mas, por infelicidade, encontrava-me sempre impedido de participar por lesão.
Mas tinha, como já referi, participado na edição APP Run do ano passado. Mas evidentemente que não é comparável.
Foi muito, muito, muito bom!

Não participou nas provas realizadas no Porto devido a um motivo especial?
Devido a uma lesão dias antes da última edição que decorreu no Porto, em 2016, não participei na prova, algo que me afetou muito psicologicamente. Estava muito bem preparado na altura, tinha acabado de fazer a minha melhor marca na Maratona de Roterdão e aconteceu essa fatalidade. Mas claro que guardo o resultado positivo obtido em Lousada no ano passado, onde, num percurso de crosse com muito calor e muito sobe e desce, fiz a 17.ª marca mundial. No entanto, não foi uma edição oficial.

Luís Pereira escolheu Taiwan para conhecer o sudoeste asiático

Há alguma estratégia para correr numa cidade e não em outra. Concretamente, porque decidiu correr precisamente em Taiwan, já que poderia escolher outros locais?
Taiwan foi uma decisão conjunta com a Elisabete Pereira. Essa escolha permitiu-nos conhecer o sudoeste asiático, o outro lado do Mundo que ambos não conhecíamos.
Outros vencedores de outras edições escolheram Taiwan pelas mesmas razões, por exemplo, os ganhadores da Rússia e da Suécia.

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Como decorreu a sua prova? Liderou desde o início, por exemplo?
Tinha em mente fazer a minha prova e assim foi. Depois da partida caí logo para uma posição muito recuada, na casa dos 20 primeiros. Fui ganhando posições aos poucos, especialmente entre os 25 e 35 quilómetros, onde imprimi um ritmo mais forte e “fui buscar” quem estava à minha frente.
Passei a liderar a partir dos 35 km, sendo que tive sempre a pressão do perseguidor, que só foi eliminado cerca de 20 minutos antes do Carro Meta me apanhar.

E a estratégia que utilizou?
Foi uma questão de acreditar e ajustar os objetivos às condições. Por exemplo, acabei por ter de baixar muito o ritmo porque estava rapidamente a entrar em exaustão.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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