Wing for Life World Run: correr até não poder mais e sem uma meta à vista…

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É já no domingo que decorre a segunda edição da Wing for Life World Run, prova que vai decorrer em 36 localizações espalhadas pelos seis continentes, ao mesmo tempo. Por exemplo, em Portugal a partida será às 12h00, na cidade do Porto; no Brasil a corrida começará às 8h00, em Brasília; na Califórnia, às quatro da madrugada; e, no Japão, às 20h00. Muito mais do que uma corrida, uma prova que não tem uma linha de chegada, a Wing for Life World Run tem como objetivo correr por aqueles que não podem numa enorme mobilização planetária para encurtar a distância para a cura das lesões na espinal-medula. Fomos falar com a organização de uma corrida realmente diferente…

 

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Como surgiu a ideia de fazer uma corrida a nível mundial?
A ideia surgiu há dois anos no âmbito de uma estratégia global para elevar a notoriedade da fundação Wings for Life e assim atrair mais atenção para a problemática das lesões na espinal-medula, uma situação que afecta mais de 3 milhões de pessoas em todo o mundo – um número com um crecimento anual de mais 130 mil casos, a maioria gerados por acidentes de viação.

Poderia resumir a prova, qual a sua filosofia?
Para além do facto inédito de milhares de pessoas correrem ao mesmo tempo em diferentes pontos do globo, a Wings for Life World Run também se destaca por não apresentar uma distância fixa. Em vez da tradicional linha de meta, os atletas vão ser perseguidos por um carro meta, que arranca precisamente meia hora depois da partida. Quando um atleta é apanhado pelo carro meta significa que a sua corrida terminou, o que irá acontecer até ao ponto em que se encontrem na estrada apenas um homem e uma mulher em todo o mundo. Estes serão coroados Campeões Globais da Wings for Life World Run e terão como prémio uma viagem à volta do mundo para duas pessoas. Os Campeões Nacionais serão o último homem e última mulher a ser alcançados pelo carro meta no percurso português e que terão como prémio a possibilidade de escolher para que cidade vão quer viajar e correr na Wings for Life World Run do próximo ano.

Quantos atletas esperam reunir na iniciativa deste ano?
Vamos ter 36 localizações nos seis continentes e 34 países (Alemanha e EUA com duas corridas). Para já ainda não há números finais, mas tudo aponta que deveremos duplicar os números do ano passado, que foram mais de 50 mil inscrições e cerca de 36 mil a correr.

fatoswingsE os números em Portugal, este ano e em 2014?
Em Portugal contámos com 600 participantes no ano passado. Em relação a presente temporada, ainda não temos a contagem final, mas tudo aponta para um grande crescimento.

Quem venceu a prova em 2014, tanto a nível masculino e feminino (no estrangeiro e no nosso país)? Com que distância? De onde eram?
O campeão global masculino foi Lemawork Ketema, da Etiópia, com 78km58; a campeã global feminina foi a norueguesa Elise Selvikvag Molvik, com 54km78 km. Em Portugal os vencedores foram António Sousa (46 km) e Maria Santos (24 km).

Como sabemos que os resultados são fidedignos?
Os resultados nacionais e globais são compilados através de um avançado sistema informático que garante a sintonia entre todas as localizações.

Qual a velocidade máxima que o catcher car pode atingir? E quem vai conduzir o veículo no nosso país e quais são as suas obrigações como condutor?
O Carro Meta Oficial está equipado com uma tecnologia inovadora de rastreamento desenvolvida especialmente para a Wings for Life World Run. Quando os participantes deixam a partida, o chip que transportam integrado no seu dorsal é ativado. No momento em que o Carro Meta passa por um atleta, este mesmo chip é desativado – significando o fim da corrida. Arrancando precisamente 30 minutos depois da saída dos participantes, o Carro Meta vai progredir durante a primeira hora a uma média de 15 quilómetros por hora. Ao fim da primeira hora passa para 16 km/h e da segunda para 17 km/h. O próximo patamar são os 20 km/h (após a terceira hora), subindo o ritmo para os 35 km/h ao fim de cinco horas e meia de corrida. O condutor tem a sua missão facilitada por um sistema electrónico que permite controlar ao segundo a velocidade do carro. Os dois carros portugueses serão da marca MINI e vão estar entregues a experientes condutores, mas não são figuras públicas. Em alguns países há de facto nomes famosos ao volante, como o antigo piloto de F1 David Coulthard, que vai conduzir o carro meta em Silverstone, ou Cacá Bueno, no Brasil, campeão da Stock Car do país.

Acreditam que um dos atrativos da prova é não ter uma linha de chegada?
Sem dúvida, é uma corrida completamente diferente das outras onde cada um corre o que pode ou quer por aqueles que não podem.

E quais são os outros motivos de interesse?
Sem dúvida que há muitos motivos de interesse, talvez um dos maiores seja o facto de, com esta corrida, se materializar uma grande união planetária por uma causa nobre.

Ano passado a prova decorreu na Comporta, este ano no Porto. A ideia é todos os anos a prova “rodar” o país?
Não, nos próximos três anos vamos partir do Porto.

Para onde são destinados os fundos angariados?
Todos os fundos angariados (incluindo dos 25 euros de cada inscrição) destinam-se à fundação Wings for Life – apoiando assim a investigação científica de ponta para encontrar a cura para as lesões na espinal- medula. No ano passado foram angariados mais de 3.2 milhões de euros que estão já a ser aplicados numa experiência pioneira (estimulo peridural).

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Cacá Bueno
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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