Vera Nunes não pensava correr mas foi «na onda» e acabou por vencer a Wings for Life World Run

Vera Nunes é uma participante frequente da Wings for Life World Run, que este ano venceu a nível global. Da sua vasta experiência, e apesar de ter corrido no Chile e na Alemanha, a portuguesa destaca as edições que ocorreram no Porto, «o percurso mais equilibrado». Estamos no quarto dia d´«A Semana Power Girl».

 

Que comparação poderia fazer da sua participação deste ano com as suas anteriores participações?
Todas foram diferentes. No Porto estava quase em casa, a organização esteve sempre muito bem. Das três onde corri, foi a que teve o percurso mais equilibrado, tanto a nível de altimetria como visual, com os atletas a passarem por muitos locais diferentes. No Chile era estrada e mais estrada, uma reta sem fim, algo muito monótono, mas boa para correr. Já em Munique foi campo e mais campo, num sobe e desce constante.

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E o que recorda dos anos anteriores? Quais as recordações que guarda ainda hoje?
Guardo as melhores memórias da primeira edição que participei. O meu treinador, António Sousa, fez mais de 30 km comigo, mas também estive sempre acompanhada pelas ciclistas que tinham de acompanhar a primeira mulher. Elas sempre me apoiaram com o avançar dos quilómetros, cada vez mais foram uma companhia e ajuda incrível. Acho que nunca as agradeci conveniente, a ajuda que recebi da parte delas.
Sobre a etapa de Santiago, o que ficou na memória foi o sentimento de frustração quando dei a prova por perdida. Estava cheia de dores musculares e parei. O António parou ao meu lado e disse qualquer coisa como: «Ainda conseguimos apanhar a primeira …» Mas a verdade é que já não tinha força física nem mental, embora tenha voltado a correr depois da paragem. Devo ter feito mais uns 5 ou 6 km.
Agora em Munique está tudo muito recente. Toda a festa da chegada, as imensas fotos que tirei… E a verdade é que pensei: «Realmente eu venci? Com o meu pior resultado? Como isso é possível?»

Vera Nunes não pensava participar na Wings for Life World Run

Há alguma estratégia para correr numa cidade e não em outra. Concretamente, porque decidiu correr precisamente em Munique, já que poderia escolher outros locais?
Bom, fui na onda. O António já tinha feito todas as edições anteriores e queria continuar. Um colega de treino, o Nuno Romão, também tinha interesse em participar e eu pensei: «Porque não?» Para mim, correr e viajar é sempre a combinação perfeita.

Vera Nunes na edição chilena da etapa da Wings for Run
Vera Nunes na edição chilena da etapa da Wings for Run

Por vários motivos tínhamos de escolher uma cidade europeia, já que o tempo para ficar fora de Portugal era limitado para os três. E, em termos monetários, fica mais simpático, já que as despesas só ficam a cargo da organização para os vencedores de cada cidade. Munique parecia uma boa hipótese, uma cidade a 3 horas de distância, plana, onde não é costume haver muito calor. Pelo menos era o que pensávamos…

Como decorreu a sua prova? Liderou desde o início, por exemplo? E qual a estratégia que utilizou? A mesma dos anos anteriores ou resolveu atacar mais cedo, por exemplo?
Parti só com a ideia do ritmo que queria fazer. Alcancei a liderança da prova desde o início porque esse era o ritmo. Basicamente a estratégia era correr até ser apanhada pelo “Carro Meta”.

Mas realiza uma preparação especial para a corrida?
A preparação que fiz foi para a Maratona de Cracóvia, que corri 15 dias antes. Em Munique foi para usufruir da corrida.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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