Um brasileiro corre 42 maratonas em 42 dias aos 42 anos pelo cancro infantil

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«Já cruzei os ambientes mais extremos do planeta e nunca deixarei de sorrir, mesmo que as avalanches da vida me ataquem», refere o ultramaratonista Carlos Dias, considerado pelo canal The History Channel da América Latina um “Super Humano”. Neste momento, o brasileiro está prestes a terminar um desafio impressionante: correr 42 maratonas em… 42 dias!!!

 

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Carlos Dias tem como melhor tempo na maratona 3h40, em Blumenau, mas a maratona que não esquece é a que fez em Nova Iorque, devido ao apoio do público. Mas o brasileiro não é “apenas” um maratonista. Por exemplo, cruzou os Estados Unidos de Leste a Oeste, “circulou” o mapa brasileiro (18.250 km em 325 dias), correu no Nepal, correu 24 horas nas 26 capitais (além do Distrito Federal) do Brasil, correu 12 horas nas 12 cidades sede do Mundial, correu 250 km na Ilha de Madagascar…

«Gosto de desafios e quando não tenho uma prova específica, como as organizadas pela Racing the Planet, acabo por criar reptos que sejam estimulantes para o meu corpo, mente e espírito, além de chamativos para uma causa em concreto.»

Ao olhar para os desafios já feitos na sua vida, podemos pensar que «42 Maratonas em 42 dias» não deixa de ser uma “brincadeira” para Carlos Dias. Puro engano…

«Todo desafio tem os seus momentos de dificuldades. Não o consigo olhar como fácil, mas como um grande processo de superação pessoal. Não podemos ignorar que, a cada ano, o nosso organismo muda e qualquer desafio acaba por ser uma novidade bastante estimulante. Correr 42 km todos os dias, com um ritmo maior do que o ritmo que estou acostumado, traz-me novas adaptações físicas e mentais. Para cada desafio é necessário uma entrega diária, muita concentração e muito entusiasmo. Só assim será uma “brincadeira” cheia de prazer.»

carlosdiasaQuem é Carlos Dias?
Sou um ultramaratonista, tenho 42 anos, 22 dos quais de corrida. Sou formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Psicologia Organizacional. Através das minhas palestras, procuro ajudar as pessoas a atravessarem momentos adversos da vida, a apresentarem uma postura mais vencedora. Amo desafios e uso a corrida como uma ferramenta para ajudar crianças com cancro. O meu propósito de vida é fazer dos meus passos um legado de educação para o meu filho, aproximar do melhor modo as pessoas e deixar uma mensagem de entusiasmo por onde eu passar.

Como e porque surgiu a ideia de correr 42 maratonas em 42 dias?
Tive a ideia na comemoração do meu aniversário, já que cheguei a dade da distância da maratona. 42.195 metros. Como gosto de me impor desafios ousados, desenhei o desafio “42 maratonas em 42 dias” para celebrar a minha vida e ajudar o GRAACC a combater e vencer o cancro infantil.

Já agora, como funciona essa sua iniciativa de ajudar o Hospital GRAACC?
O desafio foi criado para convidar as pessoas a abraçarem a causa do combate ao cancro infantil. Foi criado um site (www.desafioscarlosdias.com.br) onde as pessoas podem comprar quilómetros pelo valor de R$ 5,00, sendo que 20% do valor é doado ao hospital. Se as pessoas comprarem 10 kms, ganham uma camiseta alusiva do desafio.

Porque esta instituição em concreto?
Conheci a instituição em 2008, durante a minha preparação para correr no deserto de Gobi, na China. Sensibilizei-me com a história das crianças e vi que o tratamento oferecido era humanizado, que as crianças estavam o tempo todo a brincar e a estrutura montada invejável. Resolvi ser um voluntário, usando o desporto como ferramenta para chamar a atenção das pessoas.

Poderia explicar porque doa 20% e não a totalidade arrecadado? Poderia esclarecer esse ponto?
A ideia inicial era doar os 100% do valor da venda das camisolas, mas tenho custos inerentes a este projeto, como transportes, staff, alimentação específica, acessórios, soro, etc. Juntamente com o hospital, chegámos aos 20% do valor de cada T-shirt.

Como tem decorrido o desafio? É o que esperava? Mais complicado do que imaginava inicialmente?
Quando planeamos um desafio como este, as coisas mudam entre a ideia e a sua realização. Em termos físicos, estou a conseguir manter o cronograma que pensei, que é correr cada maratona em, no máximo, seis horas. Tenho feito uma média de 5h30. É mais difícil do que correr uma ultramaratona devido ao tempo, pois sei que preciso “fechar” os 42 km em até seis horas, todos os dias.
Outro ponto a assinalar é ter mantido a maior parte do desafio no La Torre Resort, em Porto Seguro. Como o público, de várias partes do Brasil e do mundo, muda a cada semana, recebi sempre o apoio necessário, todos os dias, Alguns inclusive correram comigo alguns quilómetros.
Mas está a ser uma experiência muito satisfatória, embora acredito que poderia ter uma maior repercussão devido ao esforço despendido diariamente.

carlosdiasComo foi e é definido os locais onde corre? Quais são os critérios?
Escolhi montar a base na Bahia, primeiro devido ao clima, que, mesmo quente, não muda de forma brusca, o que ajuda a proteger o aspeto fisiológico. O La Torre Resort ofereceu depois uma estrutura impecável, mobilizou os seus colaboradores mas também os hóspedes, que sempre passaram calor humano. Tenho piscina e massagens ao meu dispor, além de um local silencioso para dormir. Consigo correr tanto numa passadeira Movement como na praia ou em estrada, de terra ou asfaltada.
Depois, a Bahia é a terra onde o meu pai e a minha mãe nasceram. Como eles morreram aqui, encontro a energia deles para me proteger a cada passo.

Como é correr 42 km numa passadeira?
Requer uma concentração maior, já que corremos no mesmo lugar e a ver as mesmas imagens. Mas ao mesmo tempo é ótimo para monitorar o nosso desempenho e corrigir possíveis desequilíbrios nas passadas. Também protege as articulações, o que diminui em muito o impacto e os riscos de torções.

Quais as principais dificuldades que sentiu até ao momento?
As maiores dificuldades são sempre a de transformar uma ideia em realidade, esse é um processo que exige entrega e entusiasmo. Treinar o corpo somente não basta para este tipo de projetos, é preciso ter uma mente forte para lidar com os “Nãos” que recebemos, que são verdadeiros obstáculos na nossa jornada.

Como tem sido o apoio das pessoas?
Sempre recebi o apoio das pessoas em relação a todos os projetos que criei, de uma forma ou de outra. Por exemplo, neste em particular, há sempre um corredor ou uma pessoa que nunca correu ao meu lado, as pessoas têm vindo correr comigo todos os dias. Evidentemente que isso deixa-me muito feliz!

Procura sempre correr de manhã ou varia? Qual é a estratégia utilizada pela sua equipa?
Procuro acima de tudo ouvir o meu corpo. Se ele está muito cansado ao acordar, programo a maratona para a parte da tarde. Mas é verdade que tenho corrido a maior parte deste desafio de manhã, o sol é mais brando. Gostaria de agradecer aos meus patrocinadores, que também correm comigo: a Skechers, com umas sapatilhas de corrida flexíveis e confortáveis, a Movement, que são as passadeiras onde corro, a Tegma e a Sportslab, além do La Torre Resort, que sempre que treino na Bahia é a minha segunda casa.

O The History Channel da América Latina qualificou-o de «Super Humano». O que acha dessa distinção?
Um reconhecimento importante ao meu trabalho, não só como atleta na concepção física, mas também como um ser humano que está alinhado com os problemas sociais. Acho esse “título” um selo importante de valorização do desporto e uma forma de me aproximar ainda mais das pessoas num âmbito ainda maior.

Sei que está a preparar ao mesmo tempo uma prova que será realizada em julho, no Equador. Poderia falar sobre a prova?
Em julho vou correr 250 km divididos em seis etapas, com duração de 7 dias. No entanto, a uma altura próxima de 6.000 metros. Essa prova é organizada pela Racing the Planet, que organiza eventos nos lugares mais extremos do planeta. É uma corrida de auto-suficiência, onde cada atleta precisa carregar todo o material necessário dentro de uma mochila. A organização oferece apenas água a cada 10 km e um acampamento para passarmos as noites.

É essencial ter esses desafios diferentes para continuar a correr?
Sim, é importante criar sempre novos desafios para a nossa vida, afinal viver é se movimentar em todas as direções. Quando o homem pára de se movimentar é quando as doenças surgem.

 

* Créditos das fotos: Thomas Nascimento

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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