Público da Ultra Milano-Sanremo já chama João Oliveira pelo primeiro nome

João Oliveira alcançou recentemente o segundo lugar numa das corridas mais exigentes a nível europeu, a Ultra Milano-Sanremo, com os seus infindáveis 285 quilómetros. Já recuperado e pronto para novos desafios, o português, uma referência para a organização, atletas e público, recorda esta semana como foi correr mais uma edição da prova italiana.

 

Mais uma edição da Ultra Milano-Sanremo. O que tem esta prova de tão especial?
Poderei dizer que tem tudo de especial e, ao mesmo tempo, não tem nada de especial. O momento especial só se vê em prova: conseguir chegar ao fim no menor tempo possível. É uma prova muito bonita, que percorre todo o canal de água de entrada da cidade de Milão, atravessa cidades, desafia-se a montanha e percorre-se toda a orla de Génova a Sanremo.

Tem uma vasta experiência em ultras. A Ultra Milano-Sanremo é uma das mais difíceis que conhece?
Sim, sem dúvida. A Ultra Milano-Sanremo é uma prova dura por ter somente quatro pontos de abastecimento. Em conversa com os atletas que participaram neste edição, e que também já fizeram a Spartathlon, por exemplo, concordamos que a Ultra Milano-Sanremo é a mais difícil.

Porquê?
É uma prova que tem de ser muito bem gerida ou todo o plano previamente elaborado ao pormenor cai por terra. E o que era para ser uma simples ultra passa a ser uma ultra de sacrifício para chegar ao fim, de lutar contra as barreiras do tempo.

Público correu com João Oliveira na Ultra Milano-Sanremo

O João é uma referência na Ultra Milano-Sanremo. Como vê esse carinho que a organização tem por si?
É verdade! Tenho notado esse carinho e procuro, dentro das minhas possibilidades, retribuir com o contributo de divulgar uma prova mítica realizada em solo europeu.

#04 – WE ARE ULTRA #UMS18

Ci sono cose che non possono essere spiegate con le parole. Allora vi diciamo: guardate negli occhi questi EROI ULTRA mentre ci raccontano le loro emozioni prima della gara! #PELLEDOCA #BEULTRA #UMS18

Publicado por Ultramilano-Sanremo em Domingo, 29 de Abril de 2018

E o público e os restantes atletas? Como é a relação destes consigo?
No ano passado já fiquei admirado com uma coisa, quando me chamarem pelo meu primeiro nome, apesar de, no dorsal, só estar escrito “Oliveira”. Esperavam-me ao longo do percurso para correrem um, três ou cinco quilómetros comigo. Incrível! 
Este ano voltou a acontecer e ouvi meia dúzias de palavras ao longo dos últimos 40 quilómetros, sobretudo nos últimos 10km, palavras que também ouvi após ter terminado a prova por parte da organização, mas também no dia seguinte pelos atletas que tinham abandonado a prova e os que conseguiram terminar: «João, para nós serás sempre o primeiro, o grande!» E levavam a mão ao coração… Achei muito bonito o gesto deles. Admito que foi estranho ver o mesmo gesto e as mesmas palavras virem de muitas pessoas desconhecidas da organização, pessoas que estavam em diferentes pontos do percurso, localizadas a quilómetros de distância entre elas.

LEIA TAMBÉM
João Oliveira não estava à espera da dureza do ALUT – Algarviana Ultra Trail

João Oliveira: «Mesmo com dores, o meu corpo tem de se manter em pé»

 

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos