Morreu o “The Flash do Asfalto”

Há cerca de um ano, Portugal chorou a morte de Analice Silva, uma das corredoras mais acarinhadas do pelotão nacional. O mesmo aconteceu agora no Rio de Janeiro, no Brasil, com a inesperada morte de Adamor Borges, o “The Flash do Asfalto”. O cartunista Paulo Costa explica a importância do homem e atleta para o pelotão carioca.

 

Quem era o homem Adamor Borges?
Uma pessoa muito “gente fina”, divertido, estudioso e “de bem” com a vida. Super-educado e um homem “tranquilão”. Principalmente, era muito amigo, atencioso com todos. Era uma pessoa “do bem” e muito animado.

E o atleta Adamor Borges?
Era um atleta divertido, bastante atencioso com a “galera” que pedia para tirar fotografias com ele. Gostava de correr com a fantasia do “The Flash” ou do Homem-aranha. No entanto, ao mesmo tempo, procurava alcançar bons resultados. O Adamor estava sempre a correr com o grupo “Vingadores Run”.

O cartoon de homenagem de Paulo Costa
O cartoon de homenagem de Paulo Costa

Como conheceu o Adamor Borges?
Conheci o Adamor nas corridas, pois chamava atenção por ser um corredor muito grande vestido com a fantasia do “The Flash” ou do Homem-aranha. Numa ocasião, no final de uma corrida, pedi-lhe para tirar uma fotografia com os seus amigos “Vingadores”.

Consegue explicar a sua popularidade no pelotão?
Por ele ser muito carismático e por correr quase sempre com a fantasia do “The Flash” ou do Homem-aranha, com Sol ou com chuva, o Adamor acabou por ser um atleta conhecido e acarinhado no pelotão. Inclusive, foi alvo de várias reportagens na televisão, onde sempre falou do seu grupo de corrida.

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Mas o Adamor Borges corria de super-herói por alguma razão especial?
Um professor de um curso Pré-vestibular teve a ideia de participar de provas vestido de super-herói, o professor Augusto. Ele juntou alguns alunos e todos começaram a correr fantasiados, alegrando ainda mais as corridas. O Adamor foi um deles.

Entre o Homem-aranha e o “The Flash”, qual era o seu super-herói preferido?
Os dois faziam sucesso, ainda mais com as crianças. Mas o Adamor usava muito mais a fantasia do “The Flash”, pelo menos é essa a minha perceção.

Mas ficou surpreso com a repercussão da sua morte, principalmente no meio da Corrida brasileira?
Não, o Adamor era realmente um “cara” muito bem-visto entre os atletas e as crianças. No Rio de Janeiro, qualquer corredor conhecia o “The Flash do Asfalto”.

Que imagem fica do atleta Adamor Borges?
Além das boas lembranças, fico com a imagem de ver a sua felicidade nas corridas, o que transmitia “até mais um gás” quando o encontrava. O Adamor deixou uma imagem de um “cara” amigo, companheiro, “do bem”. Era um atleta muito “bacana”. Decididamente, vai fazer muita falta ao pelotão…

Os Vingadores Run comunicam a morte de "The Flash"
Os Vingadores Run comunicam a morte de “The Flash”
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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