Luís Semedo só soube que iria vencer a Taça de Portugal de Trail no último quilómetro

Com o tempo de 3h51m05, o portalegrense Luís Semedo, do Atletismo Clube de Portalegre (ACP), foi o grande vencedor do EPIC Trail do Açores (43 km), conquistando ao mesmo tempo o título da Taça de Portugal de Trail, um troféu que não esperava conquistar.

 

Esperava conquistar o título da Taça de Portugal? Ficou muito surpreso?
Sinceramente, não esperava conquistar o título! Nos Açores estavam os melhores atletas de Portugal. Além disso, fiquei doente na semana da prova, uma grande constipação. Apesar de me sentir em forma, sabia que iria competir com grandes nomes do Trail nacional, o que me dificultaria ainda mais a conquista.

O campeão da Taça de Portugal
O campeão da Taça de Portugal

E o que significou para si esta conquista?
Significou muito para mim! Desde que pratico Trail, há quatro anos, foi a primeira vez que conquistei um título tão importante. Foi por isso um misto de emoções! Alegria, realização, o sentimento de que o esforço de toda a época deu os seus frutos. Simplesmente não tenho palavras para descrever o que senti! Foi uma das conquistas que sempre ambicionei na minha carreira.

E já tinha corrido nos Açores?
Não, nunca tinha corrido nos Açores. A prova foi simplesmente fantástica. Correr nos trilhos de uma ilha tão bonita como a de S. Miguel foi algo inesquecível. Apesar de ter sido a primeira vez, consegui perceber que aquela ilha tem uma magia espetacular, paisagens lindíssimas e pessoas super-acolhedoras, principalmente durante a prova.

Certeza da vitória apenas no último quilómetro

Qual a estratégia que utilizou para a corrida?
Sabia que os primeiros 11 quilómetros eram sempre a subir. Nessa altura, já se tinha feito mais de metade do acumulado total previsto para a prova. Como senti muito a humidade logo à partida, um clima no qual não estou habituado, tentei resguardar-me um pouco mais, até que o corpo se ambienta-se ao clima. Ao chegar aos 11 km, ao abastecimento, encontrava-me no grupo da frente. Começámos a descer, num piso que era muito escorregadio. Num certo momento, quando o piso tinha muita pedra solta, acabei por torcer o pé, apesar do máximo cuidado que estava a ter. Fiquei bastante “à rasca”, o que me fez ficar um pouco mais para trás, sem saber mesmo se não teria que desistir da prova. Apesar disso, continuei, mas tive de acelerar um pouco mais para poder voltar a chegar-me ao grupo da frente. Tentei resguardar-me o mais possível para poder conseguir gerir até o final.

Quando teve a certeza de que conquistaria a Taça de Portugal?
Só consegui mesmo ter a certeza que iria ganhar no último quilómetro da prova. Foi uma corrida muito renhida.

Não perca na terça-feira a opinião de Luís Semedo sobre o calendário nacional, além do que é necessário alterar no Mundo do Trail

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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