Os superalimentos para a corrida segundo Mafalda Rodrigues de Almeida

Autora de «Superalimentos – Refeições com mais Vida», editado pela Chá das Cinco, Mafalda Rodrigues de Almeida revela nesta entrevista a importância dos superalimentos para a corrida.

 

Concretamente para os corredores, quais são os melhores superalimentos? E porque?
Nos desportistas em geral, o uso de superalimentos é importante, quer para dar energia e estabilidade para terem motivação para o esforço, quer para prevenirem fadiga muscular, degeneração osteoarticular e envelhecimento precoce devido ao excesso de oxidação.

Por isso, diria que os superalimentos mais importantes nestes casos são:

– A maca, uma planta originária dos Andes da Bolívia e do Peru, tendo sido muito usada pelos Incas devido às suas propriedades adaptogenicas, que conseguiam nutrir e equilibrar o sistema endócrino do organismo, ajudando a lidar com situações de ansiedade e stress. 

– A curcuma, que tem atividade anti-inflamatória a nível do sistema osteoarticular. Os curcuminoides presentes nesta raiz provaram ajudar a proteger o organismo contra a artrite reumatóide e osteoartrite.

– As sementes de cânhamo, com cerca de 30% de gordura, sobretudo sob a forma de ácido linoleico, alfa-linolenico e gama linolenico. São também muito ricas em proteínas, cerca de 25%, um valor muito acima da média das sementes de uma forma geral. Além de conterem proteínas de elevada digestibilidade, a semente de cânhamo contém todos os aminoácidos essenciais, vitamina E, fósforo, magnésio, sódio, potássio, enxofre, cálcio, ferro e zinco, essenciais para uma boa recuperação muscular.

Não é igual comer um punhado de bagas de goji
numa corrida ou ingerir um gel de hidratos de carbono

Qual a importância dos superalimentos para os corredores de longa distância, onde a fadiga é intensa?
No caso dos corredores, os superalimentos devem ser incluídos na alimentação como para qualquer outra pessoa. Simplesmente podemos pensar de forma um pouco mais consciente como podemos usá-los no sentido de evitar essa fadiga. Eu diria que a quinoa, por exemplo, é o “Superalimento” de eleição como preparação física para um corredor que queira prevenir a fadiga e distensões musculares. Trata-se de uma fonte de proteína vegetal completa, contendo todos os aminoácidos essenciais para o organismo, incluindo a Lisina, responsável pela restauração dos tecidos, e a Metionina, importante para a desintoxicação hepática, geralmente encontrados em fontes de proteína animal.
Contém hidratos de carbono de baixo índice glicémico que ajudam a promover a libertação de energia de forma mais lenta e a sensação de saciedade. Contém ácidos gordos ómega 3 e 6, que são importantes anti-inflamatórios e protectores cardiovasculares. O Ómega 3 desempenha ainda um importante papel como antidepressivo e como protetor osteoarticular. E ainda fornece magnésio, que ajuda a controlar os impulsos nervosos e a estabilizar situações de irritabilidade, manganês, essencial para um crescimento saudável, e potássio, essencial para o controlo da tensão arterial e distensão muscular.

Mafalda Rodrigues de Almeida e os superalimentos para a corrida
Mafalda Rodrigues de Almeida defende que a quinoa é um dos superalimentos para a corrida

Os géis e as bebidas isotónicas podem ser compensadas por superalimentos, por exemplo?
Diretamente, não! Não é igual comer um punhado de bagas de goji numa corrida ou ingerir um gel de hidratos de carbono. A água de coco, por exemplo, substitui na perfeição uma bebida isotónica, mas não é considerada um superalimento porque o alimento em si é o coco. Para se substituir géis e bebidas isotónicas que são altamente processados é preciso consumir derivados de alimentos e é aí que entra a parte das receitas. Um bom exemplo de um substituo energético para os géis é uma bolinha de goji com açaí, uma das receitas do meu livro.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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