Os superalimentos de Mafalda Rodrigues de Almeida

Depois de «Gourmet em Casa», Mafalda Rodrigues de Almeida está de regresso com «Superalimentos – Refeições com mais Vida», editado pela Chá das Cinco. A nutricionista prova que não é necessário gastar muito para termos uma alimentação equilibrada, na vida como no Desporto.

 

Concretamente, o que são os superalimentos e para que servem?
Apesar de não existir uma definição oficial, o conceito de superalimentos refere-se no fundo a todos os alimentos que, pela sua elevada concentração em determinadas substâncias (essencialmente antioxidantes), se destacam dos outros alimentos e desempenham um papel importante na prevenção de doenças. É importante perceber que os superalimentos devem ser integrados numa alimentação saudável e equilibrada e que, se tivermos maus hábitos alimentares e um estilo de vida desequilibrado, não será a ingestão de superalimentos que, por si só, servirá para prevenir as patologias para as quais estão indicados.

Acredita que os superalimentos estão a ser, de certo modo, “desconsiderados” nos nossos dias? Se sim, quais os motivos? Apenas desconhecimento?
Considero que, ao mesmo tempo que cada vez vemos uma preocupação maior com a qualidade da alimentação, também cometemos muitos erros por desconhecimento. Há superalimentos em categorias de alimentos diários e bastante acessíveis, como é o caso dos brócolos e dos espinafres. Não precisamos de comer sempre espirulina ou açaí para ir buscar benefícios fantásticos aos alimentos e creio que a informação dispersa que vemos em todo o lado nos tem levado um pouco a crer o contrário. 

Chá das Cinco é a editora de «Superalimentos» de Mafalda Rodrigues de Almeida
Os «Superalimentos» de Mafalda Rodrigues de Almeida foi editado pela Chá das Cinco

Acredita que hoje há tanta informação disponível que o consumidor comum acaba por se perder?
Sim, acho que é um dos maiores motivos para não comermos de forma mais equilibrada. Criou-se na sociedade uma ideia de que, para comer de forma saudável, temos de gastar mais dinheiro e isso não corresponde, de todo, à realidade. Se seguirmos uma alimentação mediterrânica, rica em legumes, fruta, cereais integrais, azeite e peixe, acabamos por retirar muito potencial da alimentação. No entanto, a ideia que a maior parte de nós tem é dispersa e cheia de mitos sobre a alimentação, sobre a combinação de alimentos e sobre se devemos consumir alimentos mais exóticos para retirar os benefícios nutricionais de que precisamos.

E como alterar essa tendência?
Se temos pessoas tão interessadas em seguir uma alimentação saudável e equilibrada que despendem algum tempo a ler artigos e rótulos, também acho que devíamos incentivar mais a frequência de consultas de nutrição. Embora estas consultas sejam muito associadas à perda de peso, no meu caso em particular tento sempre desmistificar conceitos, melhorar a relação das pessoas com a comida, retirar o sentimento de culpa que temos sempre que comemos algo que não devíamos, educar para a compra mais consciente e ensinar a cozinhar de forma mais saudável e harmoniosa. Sinceramente, creio que este é o caminho que irá ajudar a mudar esta tendência.

Até que ponto os superalimentos são essenciais para o fortalecimento do nosso sistema imunitário, por exemplo?
São simplesmente essenciais, para tudo. Fazem parte de uma alimentação saudável e contêm os nutrientes que precisamos para nos mantermos fortes e saudáveis e conseguirmos prevenir uma série de doenças que advêm da debilidade imunológica. Mesmo sem contabilizarmos os micronutrientes, se consumirmos alimentos ricos em fibra, como brócolos, couves de bruxelas ou espinafres, melhoramos o funcionamento da flora intestinal que, automaticamente, nos torna mais resistentes ao desenvolvimento de doenças.

A concentração de antioxidantes é o segredo dos superalimentos de Mafalda Rodrigues de Almeida

Os superalimentos são adaptáveis à nossa cultura gastronómica ou será necessária uma adaptação?
São! Os antioxidantes estão por todo lado na nossa alimentação, desde que ela seja equilibrada e tenha uma base vegetal. Por isso é muito fácil a alimentação tornar-se funcional. Se comermos bastantes legumes e fruta rapidamente incluímos superalimentos nas nossas rotinas sem nos darmos conta disso e conseguimos tirar o máximo partido desses antioxidantes, permitindo que eles reforcem o nosso sistema imunitário em vez de estarem constantemente a combater o stress oxidativo que estes alimentos nocivos lhe provocam. 

Dos vários superalimentos, qual acredita ser o “super dos superes”? Porque?
A concentração de antioxidantes. Porque é o que, em última instância, mede a capacidade de um alimento passar à categoria de superalimento. Os antioxidantes representam diversos micronutrientes que estão associados à prevenção e ao tratamento de doenças como degeneração cerebral, Alzheimer, diabetes, diversos tipos de cancro, doenças cardiovasculares ou até mesmo ao envelhecimento precoce.

Os superalimentos poderão compensar uma alimentação disfuncional?
Não! Os benefícios dos alimentos são simbióticos. Se praticarmos uma alimentação pouco saudável, mesmo que comamos superalimentos numa tentativa de compensar os erros, não conseguimos tirar o máximo partido dos mesmos. Acabamos, no limite, por atenuar ligeiramente as consequências dessa alimentação disfuncional.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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