Uma medalha por ter corrido sete Maratonas nos Sete Continentes e no Polo Norte

Na sexta-feira, o português João Bandeira Santos receberá uma medalha que poucos podem se orgulhar (cerca de 100 no Mundo, 80 homens e 20 mulheres), tudo por ter corrido sete Maratonas (ou Ultras) nos Sete Continentes e no Polo Norte.

 

A cerimónia de entrega da medalha do seletivo Marathon Grand Slam Club ocorrerá no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, às 17 horas. João Bandeira Santos, que foi capa da revista 100% Corrida de junho, quando realizou a Maratona do Polo Norte, é o primeiro português a alcançar tal feito, uma distinção que foi alcançada no passado mês de junho, quando correu a Maratona de Perth. O português precisou de sete anos para completar este desafio, apenas ao alcance de muitos poucos.

 

Concretamente, o que é a Marathon Grand Slam?
Para ser elegível para a adesão do Marathon Grand Slam Club (TM) é obrigatório ter concluído uma maratona reconhecida ou uma ultramaratona em cada um dos continentes, mas também no Oceano Ártico, na Maratona do Polo Norte, exemplificando deste modo o espírito do corredor de maratona e de aventura. Os novos membros recebem uma medalha e um certificado.
A organização é muito rigorosa na certificação geográfica dos locais, esclarecendo nomeadamente que uma maratona nas Ilhas Sheland, incluindo a Ilha King George, não é considerada no continente da Antártida, dado que estas ilhas não estão dentro do círculo Polar Antártico. Adicionalmente, o solo destas ilhas não pertence à placa tectónica da Antártida nem à massa de terra continental da Antártida ou plataforma continental.

Foi no Porto que começou as sete Maratonas nos Sete Continentes
Foi no Porto que tudo começou…

Quando começou a correr, imaginou um dia fazer parte deste seleto clube?
Nem pensar, não imaginava que existia este “club”.

Já agora, quando começou a correr? Qual foi a sua primeira prova e a distância? O que recorda dessa corrida?
Corro regularmente há mais de 30 anos. A primeira prova que fiz foi a Meia-maratona de Lisboa, em 1998. Nos últimos 7 anos ganhei o fascínio pela Maratona, tendo corrido 17 provas na distância, uma das quais Ultramaratona.

Como soube da existência do Marathon Grand Slam Club?
Há uns anos, numa decisão de ano novo, tracei o objetivo de correr uma Maratona em cada um dos Sete Continentes (América do Norte, América do Sul, Europa, África, Antártida, Ásia e Austrália). Comecei a procurar provas na Antártida e fiquei a saber que o Richard Donovan é o organizador destas provas únicas.

Quando o desejo de fazer parte do clube começou a fazer parte em pleno dos seus objetivos?
Quando terminei a “Antarctic Ice Marathon”, em 2015. Adorei a aventura e fiquei com grande vontade em correr a prova nos antípodas. O “apelo” da geografia e a partilha de experiências de outros parceiros de corrida na Antártida fizeram o resto.

Sete anos para pertencer ao Marathon Grand Slam Club

Quando tudo começou e quando tudo acabou?
Tudo começou na sétima Maratona do Porto, em 2010, e terminou na Maratona de Perth, em Junho de 2017, onde conclui este objetivo. Entre uma prova e outra passaram cerca de 7 anos, corridas nos 7 continentes e uma corrida no Oceano Ártico.

Poderia resumir cada prova realizada em cada continente? Imagino que correu mais de uma prova em alguns continentes. Nesses casos, pediria para escolher apenas uma, que tenha significado algo para si.
Comecei pela Europa em 2010, na Maratona do Porto, na qual recebi a minha primeira medalha e uma garrafa de Vinho do Porto que ainda guardo para uma ocasião especial…
Em 2013 corri na América do Norte, a Maratona de Nova Iorque, a maior Maratona do mundo.
Em África, corri em 2014 a fantástica Ultramaratona “Two Oceans Marathon”, na Cidade do Cabo, corrida que liga o Oceano Atlântico ao Oceano Índico, bem perto do Cabo da Boa Esperança, dobrado a primeira vez em 1488 pelo navegador português Bartolomeu Dias.
Ainda em 2014 corri na América do Sul a Maratona de Buenos Aires, que é a maior Maratona do subcontinente americano.

João Bandeira Santos na Antarctic Ice Marathon, uma das sete Maratonas nos Sete Continentes
João Bandeira Santos na Antarctic Ice Marathon

Em 2015 tive o grande desafio e privilégio de ser o primeiro português, juntamente com um amigo, a correr a dificílima “Antarctic Ice Marathon”, quase a 80 graus Sul. A partida para Antártida teve lugar em Punta Arenas, onde uma estátua de Fernão de Magalhães imortaliza o navegador português, que, em 1520, navegou pela primeira vez o estreito mundialmente famoso e que tem hoje o seu nome, o Estreito de Magalhães.
Do frio extremo passei para o calor extremo da Ásia, em 2016: a Maratona que se seguiu foi a “Angkor Empire Marathon”, na extraordinária cidade perdida de Angkor Wat, em plena floresta tropical, local visitado pelo frade capuchinho português António da Madalena em 1586, primeiro visitante ocidental a chegar a Angkor. Ainda hoje a moeda cambojana é o Riel, a lembrar o Real português.
Em 2017 tive o grande desafio e privilégio de ser o primeiro português, juntamente com um amigo, a correr a “North Pole Marathon”, junto do Polo Norte geográfico.
Em Junho de 2017 corri a “Perth Marathon” na costa Ocidental da Austrália, onde, segundo alguns historiadores, teriam naufragado navegadores portugueses entre 1511 ou 1520, tendo sido os primeiros europeus a atingir a Austrália e de onde não puderam sair. Estes portugueses acabariam por se integrar com a população local, deixando marcas culturais assimiladas pelos aborígenes.

LEIA AINDA HOJE OS SEGREDOS DE JOÃO BANDEIRA SANTOS
PARA CORRER AS OITO PROVAS QUE DISPUTOU

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Pedro Alves

Pedro Alves

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