Samuel Barata: «Estamos um pouco abaixo da Inglaterra a nível de cultura desportiva»

Samuel Barata alcançou recentemente o seu melhor tempo de sempre nos 10 mil metros na Highgate Harriers Night dos 10.000m PBs. O benfiquista registou o tempo de 28m40m19 (o seu anterior registo era de 29m26s96, em 2015) e alcançou a qualificação para as Universíadas. O português credita o seu resultado aos treinos, mas também ao ambiente que viveu durante a prova, com o público a apoiar os atletas na pista número 3, uma situação que dificilmente é possível em Portugal.

 

Como surgiu o convite para participar no Highgate Harriers Night dos 10.000m PBs?
Estava previsto realizar uma competição de 10mil metros nesta altura da época. Como há pouco provas com bons “comboios” e também estava numa boa forma, decidi, em conjunto com o meu treinador, participar nesta competição.

Com poucas edições, este evento já tem uma relevância significativa em Inglaterra. O que poderia falar sobre ele?
O evento é espetacular, uma vez que tem um ambiente brutal, onde as pessoas vão apoiar as pessoas na pista 3 praticamente junto aos atletas. É uma prova única deste género na Europa, mas, na América, já existe algumas deste género. É muito bom porque dá uma motivação extra para fazer o melhor resultado possível.

Considera que é um exemplo que poderia ser explorado em Portugal?
É um exemplo que Portugal poderia seguir, mas, na minha opinião, acho que estamos um pouco abaixo a nível de cultura desportiva do que em Inglaterra. Acredito que iria chocar muita gente se existisse uma prova semelhante no nosso país.

Ter o público tão próximo, com um local onde há bebidas, música e outras distrações, não acaba por prejudicar a vossa concentração?
Como disse anteriormente, acho que o ambiente que é posto na prova pelas pessoas é brutal e faz com que os atletas se sintam muito apoiados e que façam o melhor resultado.

E correr em apenas três pistas, com o público quase em cima dos corredores. Qual a sensação?
A sensação é Top, dá muita força sentir o apoio das pessoas na pista 3.

O público inglês admirador de corridas é muito diferente do seu homólogo português?
Acho que é uma cultura diferente. O público inglês paga para ver Atletismo ao mais alto nível e as organizações conseguem ter os estádios cheios para verem e apoiaram os melhores atletas. Aqui, em Portugal, isto só acontece com o futebol.

Ficou surpreso com o recorde pessoal? Esperava alcançar este feito em Londres?
Em relação à minha prova fiquei muito contente, uma vez que consegui entrar no Top 50 dos melhores de sempre em Portugal dos 10 mil metros. Para mim é muito bom, uma vez que o nosso fundo e meio fundo foi um dos melhores do mundo, com grandes atletas. Estava à espera de alcançar o recorde pessoal em Londres, pois vinha de um período de treino muito bom e sabia que podia fazer um bom resultado. Foi o que aconteceu!

 

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Como foi a sua corrida? Qual a tática que utilizou?
A minha corrida foi feita de modo que não houve exageros e corri numa forma equilibrada e com ritmos certos, dos quais sabia que podia correr. Felizmente tudo eu certo.

Quando sentiu realmente que iria melhorar o seu tempo?
Logo no início e também com a passagem no 5km. Sabia que podia superar o meu recorde pessoal porque foi uma passagem segura, de modo a não pagar a fatura no fim.

A envolvência do Highgate Harriers Night dos 10.000m PBs acabou por ser um “boost” a mais na sua corrida?
Sim, claro, o fato de ter sido nesta competição também ajudou na obtenção desse resultado. Foi realmente muito bom sentir aquele ambiente.

Até onde pode chegar Samuel Barata este ano?
Vou continuar a trabalhar para que consiga fazer também um bom resultado nos 5 mil metros e depois tentarei alcançar uma boa participação na Universíada.

Próximo desafio e objetivo?
É muito bom ter alcançado este resultado e também ter alcançado os mínimos para a Universíada, assim poderei estar presente nesta competição importante a nível internacional.

Publicado por Samuel Barata em Quinta-feira, 1 de Junho de 2017

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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