Samuel Barata: «O Nacional de Estrada poderia cair para mim ou para um dos dois “Ruis”»

O benfiquista Samuel Barata é o novo campeão nacional de estrada, numa corrida marcante, muito devido ao confronto com o sportinguista Rui Pedro Silva e o companheiro de equipa Rui Pinto. Na primeira parte desta entrevista, o atleta do Benfica revela, por exemplo, porque colocou as mãos na cabeça após a vitória, como se não acreditasse no que tinha acabado de alcançar…

 

No fim da corrida colocou as mãos na cabeça, como se estivesse incrédulo com o seu triunfo. Não esperava vencer a prova?
Sabia que estava bem e que estava a treinar bem, ou seja, sabia que era possível correr na frente e lutar pelo título. O facto de ter cortado a meta com as mãos na cabeça foi porque estava super feliz, já que alcancei um resultado que só um pequeno lote de atletas conseguiu alcançar.

Até que ponto treinar habitualmente no Jamor foi importante para a vitória?
Treinar no Jamor todos os dias favoreceu-me muito porque conhecia muito bem o percurso da prova. Depois, estava a correr em casa, já que conhecia muita gente que me foi apoiar.

A prova foi bastante tática, com ataques e contra-ataques. Esperava uma corrida com estas caraterísticas?
A prova foi tática até ao segundo quilómetro, a partir daí foi uma corrida com ritmos bastantes altos. Quando se prepara um campeonato temos de estar preparados para os dois tipos de corrida. Por isso, acho que estava preparado para as duas, tanto a nível tático como para responder a um ritmo mais forte, como aconteceu.

Samuel Barata salienta que vitória esteve incerta até o quilómetro final

De certo modo, o ataque do João Pereira partiu de vez o pelotão. Foi uma estratégia do Benfica, combinada entre vocês? E era esse o objetivo, testar como estava o pelotão?
O João atacou por volta do quarto quilómetro. De certo modo, sabia que ele era um atleta que também podia discutir os lugares da frente. Ele forçou o andamento para se isolar e, consequentemente, partiu de vez o pelotão. No entanto, e infelizmente, o João ressentiu-se na parte final, não conseguiu acabar mais à frente e coletivamente o Benfica ficou mais desfalcado.

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Como descreveria o seu duelo particular com o Rui Pedro Silva?
Acho que não tive um duelo particular com o Rui Pedro Silva, já que o Rui Pinto também esteve na luta até ao fim. Os dois “Ruis” são dois grandes atletas e foi muito duro conseguir ganhar uma vantagem perante eles. A prova, na parte final, podia cair para um de nós e felizmente eu consegui ser mais forte.

LEIA NA QUINTA-FEIRA A SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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