«O campeonato nacional é uma prova dura, independentemente das distâncias», defende o Runners do Demo

O Trail é uma modalidade que pode servir de impulso turístico para as regiões, defende o diretor desportivo da equipa Runners do Demo, José Fernandes, que espera que o Trail Rota da Truta seja, num futuro próximo, uma referência no calendário nacional.

 

Quantos atletas têm o Runners do Demo e são oriundos de onde?
A equipa, neste momento, tem vindo a crescer e contamos com cerca de 70 atletas, dos quais 55 irão disputar os vários campeonatos com o objetivo de alcançar mais e melhor do que obtido em 2017.  São atletas oriundos de Vila Nova de Paiva, Viseu, Mangualde, Nelas e outros concelhos periféricos a Viseu. Mas também temos atletas de Lisboa, Coimbra, Caldas da Rainha e Porto, por exemplo.

E como conseguem conciliar os objetivos individuais de cada um?
Os objetivos individuais são sempre a prioridade para cada atleta. Eu consigo reunir esses objetivos e transpor para um plano coletivo onde todos se revêm. O sucesso para esse desafio é sentir que todos os esforços são importantes para a nossa “pequena” família.

Há treinos comuns?
Existe uma limitação geográfica para que esses treinos comuns se organizem. No entanto, há sempre atividades que marcam regularmente o encontro dos atletas, como a “Hora do Demónio”, um treino organizado as quarta- feiras à noite. No futuro, com o funcionamento do novo centro de Trail, irão ser marcados treinos regulares para os atletas e simpatizantes da modalidade.

Runners do Demo com dificuldade no Campeonato Nacional do ano passado

Participaram pela primeira vez do campeonato nacional de Trail em 2017. Que análise fazem dessa experiência?
Foi difícil, muito difícil. O campeonato nacional é uma prova dura, independentemente das distâncias. Conciliar atletas e provas para se fazer uma participação regular foi extremamente difícil.
Um dos exemplos mais marcantes foi o EstrelAçor 2017, em que apenas tivemos três atletas a participar na prova. Devido a uma lesão, um dos nossos atletas não conseguiu ser finisher e, consecutivamente, a equipa também não. Foram erros cometidos que, no futuro, não podem ser repetidos. Este ano demos o passo para um departamento técnico que tem a responsabilidade de criar todo o calendário e otimizar as participações dos atletas.

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E que opinião têm da modalidade no nosso país?
A nossa opinião, como equipa recente que somos, é sem dúvida que a modalidade pode representar, no futuro, a atividade mais representativa do desporto de natureza do panorama mundial. Existem milhões de praticantes em todo o mundo porque, no Trail, é possível aliar as características naturais ao baixo custo de material.
Naturalmente que acontece a mesma coisa no nosso país, com a vantagem de termos ambientes naturais excecionais para a prática, além das redes sociais como principal canal de comunicação para a difusão de imagens.
Compete agora às estruturas saberem organizar este capital e transformar esta vantagem competitiva para o suporte do Trail Running em Portugal.

No final do ano, ao olharem para 2018, o que gostariam de constatar?
O mais importante no final desta temporada seria criar as bases que possibilitassem uma dinamização do novo Centro de Trail de Vila Nova de Paiva. Esta nova estrutura poderá ser uma ferramenta estratégica para o crescimento da modalidade e captação de jovens talentos, aliando uma dinâmica de eventos que tragam mais visitantes ao nosso concelho, capital ecológica, alavancando assim uma ferramenta de Turismo de natureza na região.
Em termos desportivos, a médio prazo, pretendemos crescer em termos qualitativos e tornarmo-nos numa referência do Trail regional e nacional.
Paralelamente, gostaríamos de colocar um evento como referência no panorama nacional das provas de Trail e que, este ano, já vai para a terceira edição, o Trail Rota da Truta, prova da taça nacional em 2017.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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