Ricardo Areias: de Berlim para Chicago

Ricardo Areias, 27 anos e natural de Valongo, pretendia fazer a sua estreia na Maratona na cidade do Porto, em 2015. No entanto, durante a preparação, sofreu uma lesão. Em abril do mesmo ano, ficou apaixonado por Berlim depois de umas férias e decidiu alterar os seus planos, escolhendo a capital alemã como cenário para os seus primeiros 42,195 km, onde desde então já correu por mais duas vezes. Este ano fez a sua estreia numa segunda Major, a Maratona de Chicago.

 

Ricardo Areias recorda hoje com um sorriso a sua “inocência” quando decidiu correr a Maratona de Berlim, já que, aquando tomou a decisão, não imaginava que a prova alemã fizesse parte das seis melhores Maratonas do Mundo (além de Berlim, Tóquio, Boston, Nova Iorque, Londres e Chicago) e que 7 dos melhores 10 tempos mundiais tivessem sido obtidos nas ruas da capital germânica.

«E o mais importante, que não era só se inscrever na prova e já está. As inscrições para os atletas do pelotão acontecem por sorteio, totalmente aleatório. Não interessa o peso, os tempos, a idade, é pura sorte! E a verdade é que tenho tido sorte há três anos consecutivos, 2015, 2016 e 2017», refere Areias.

 

LEIA TAMBÉM
Onde estava o pelotão quando Kipchoge terminou a Maratona de Berlim?

 

2017 que trouxe para a sua carreira desportiva outra Major, concretamente a Maratona de Chicago.

«Foi a primeira vez que visitei o continente norte-americano e logo para correr uma Maratona. Das três Majors realizadas nos Estados Unidos, Chicago era e continua a ser a única em que os meus tempos na Maratona permitem a minha participação! Podemos conseguir a inscrição para a prova se cumprirmos um determinado requisito de tempo determinado pela organização. No meu escalão etário estava estipulado como máximo até 3h15. Entrei com o meu tempo de Berlim 2016, de 3h06m11. Para quem não consiga cumprir os requisitos de tempo, terá sempre a oportunidade de tentar o sorteio, tal como acontece em Berlim.»

 

As três medalhas de Ricardo Areias na Maratona de Berlim
As três medalhas de Ricardo Areias na Maratona de Berlim

 

Na sua opinião, o que significa correr uma Major?
Significa correr as melhores Maratonas do Mundo. Não é por “sorte” que lá estão estas 6 corridas, são as que realmente cativam mais os atletas, seja pelo percurso, pela cidade ou pelo simbolismo da prova em si. Acredito que não há apenas um só motivo para querer correr uma Major!

Correr para desfrutar na Maratona de Chicago. Ou talvez não…

Diferenças de Chicago para a outra Major que correu, a Maratona de Berlim?
Para já, e ainda a digerir a prova, talvez encontre mais semelhanças do que diferenças! Há uma superorganização, que proporciona condições ótimas aos atletas, a atmosfera da prova, que envolve toda a cidade e a corrida, com as pessoas a saírem à rua para apoiar os maratonistas, o número impensável de voluntários disponíveis para ajudar os atletas…

Em concreto, o que pretendia para a prova?
Confesso que, quando deparado com duas Maratonas, ainda por cima Majors e separadas por duas semanas, o pensamento foi lógico: vou a Berlim para atacar o tempo, já que a prova é familiar, e vou desfrutar em Chicago, já que é uma daquelas que só fazemos uma vez na vida!
Foi quase o que aconteceu… Adoeci na semana da Maratona de Berlim, o que não me permitiu estar ao meu melhor nível. Consegui ainda assim melhorar o meu recorde pessoal (3h04m14). De encontro ao que tinha planeado para Chicago, que seria “passear”, cedi a tentação de tentar ganhar uns segundinhos ao meu melhor tempo, já que seria a primeira Maratona do ano que iria fazer sem estar doente, o que me levou a tentar. Mas não sabia como o meu corpo iria reagir depois de ter corrido em Berlim duas semanas antes. Mas tentei, confesso…

 

Leia amanhã a continuação da entrevista

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

Gostou? Partilhe pelos amigos