Como treinar ao nível do mar para uma prova com uma altitude média de 4000 metros

No segundo dia d´«A Semana da corrida extremamente difícil e extremamente bela», João Bandeira Santos revela como foi a sua preparação para a Volcano Marathon, no deserto do Atacama, no Chile, e disputada a uma altitude média de 4000 metros.

 

Em termos de preparação, como foi a mesma?
A Volcano Marathon é disputada a uma altitude média de 4000 metros. Correr a esta altitude é muito diferente do que correr ao nível do mar, como acontece em Lisboa. Tive portanto que fazer uma preparação muito diferente de todas as outras Maratonas. Decidi fazer um programa de treino de 4 semanas em sala de altitude artificial, aqui em Lisboa, antes de partir para o deserto.

A solidão do deserto do Atacama é marcante na Volcano Marathon
A solidão do deserto do Atacama é marcante na Volcano Marathon

Em paralelo, fiz também preparação de Trail para adaptar-me aos vários tipos de terreno que poderia enfrentar no Atacama, areia, terra e rocha, procurando ter sempre percursos “ondulantes” com subidas e descidas.
De resto, os treinos de rua foram iguais aos das outras Maratonas, exceto talvez nos horários dos treinos mais longos, em que tentei correr em horas de maior calor para me habituar também a temperaturas mais elevadas. Correr com calor é para mim uma dificuldade acrescida e sabia que tinha de me preparar também para isso.

Resiliência é o segredo da preparação para a Volcano Marathon

E qual foi a sua principal preocupação e foco?
A minha principal preocupação era qual seria a resposta do meu organismo ao esforço em altitude. Verifiquei, “em laboratório”, que a respiração e frequência cardíaca são totalmente diferentes e a energia disponível é muito menor.
O meu principal foco foi treinar a respiração, o que provou ser totalmente correto e que me ajudou muito durante a prova.

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Qual o segredo da preparação para uma prova com estas caraterísticas?
O segredo, se existe, é a resiliência, é fazer a gestão do esforço e motivação durante todo o tempo. Para conseguir “treinar esta resiliência” é necessário preparar todos os detalhes com um bom planeamento. Depois, é necessário disciplina e capacidade de sofrimento para a fase de treino e posteriormente para a corrida. E, como referi, o treino em altitude foi fundamental. Vi participantes da Maratona sofrerem bastante com a falta de oxigénio, que constitui uma dificuldade que não deve ou não pode ser minorada. Neste caso em concreto, o risco é o risco de vida!

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Pedro Alves

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